Vale deve iniciar testes da tecnologia 5G no segundo semestre

O laboratório 5G da Vale em São Paulo, que atua em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o fornecedor de equipamentos Nokia, apresentará os primeiros casos de uso e provas de conceito da nova tecnologia de banda larga no segundo semestre deste ano, segundo Mario Azevedo, diretor de Produtos IoT e Conectividade Industrial da Vale.


No entanto, a gigante da mineração não espera ter uso em massa de 5G em suas operações no curto prazo, já que o ecossistema ainda precisará evoluir mesmo após a licitação do espectro da tecnologia planejada pelo país, disse o executivo em painel sobre redes privadas durante a TeletimeTEC.

"Estamos ansiosos pelo 5G, seja para alguns casos de uso ou para obter feedback em tempo real da planta, como mudar os pontos de ajuste e tendências operacionais da planta para a experiência do processo", declarou Azevedo.

Para a Vale, digitalização e conectividade não são um fim em si mesmas, mas uma alavanca para a estratégia da empresa. "Nosso objetivo de longo prazo é ser referência em segurança, pessoas e processos", afirmou o diretor.

O movimento de digitalização da empresa inclui a realocação de pessoal nas áreas de risco, sistemas autônomos, tele-engenharia e manutenção digital, entre outras.

Do ponto de vista da conectividade, a Vale iniciou provas de conceito com redes celulares em suas plantas em 2017 e 2018. Em 2019, passou a implantar os primeiros projetos de rede privada de fato no Brasil, em parceria com a Telefônica e a Nokia.


Segundo Alex Salgado, vice-presidente corporativo da Telefônica, o projeto da Vale é a maior rede móvel privada existente no Brasil. No entanto, o desafio não é fácil para a mineradora.

Só no Brasil, a Vale possui 45 operações divididas em 15 complexos. "A maior parte delas em áreas muito remotas, o que cria desafios importantes para a energia, sistemas verticais, torres, postes, etc.", observou Azevedo.

Segundo o executivo, "a questão da conectividade nunca esteve mais presente na agenda da Vale do que hoje".

A empresa possui redes LTE implementadas em diferentes operações globais. Uma das primeiras foi em um porto da Malásia, em parceria com uma operadora local.

No Canadá, o desafio da empresa do ponto de vista de conectividade difere do Brasil porque a maior parte das operações canadenses são subterrâneas, enquanto no Brasil são a céu aberto.

Apesar disso, a Vale tem um projeto em andamento na mina a céu aberto de níquel Thompson, no Canadá, onde está discutindo o uso de uma frequência de operadora local, segundo Azevedo.

No Brasil, as implementações de rede privada da Vale estão "ligeiramente atrasadas em relação ao resto", disse ele.

A empresa ainda opera redes WiFi e WiMax em algumas de suas minas brasileiras e tem trabalhado para evoluir parte dessas redes para 4G LTE e, no futuro, para 5G.

Uma das metas da empresa é a implantação de caminhões autônomos, principalmente em sua gigantesca unidade de Carajás, no Pará.

A Vale também está estudando o aumento da geotecnia e redes redundantes para barragens de rejeitos, disse Azevedo.

Em entrevista ao BNAmericas em março, Márcia Costa, chefe de serviços de infraestrutura de tecnologia da Vale, disse que Carajás será a primeira operação da empresa a contar com a rede 4G LTE.

O foco é otimizar a operação das três sondas autônomas já em operação no local e possibilitar o start-up de caminhões autônomos.

Depois de Carajás, a próxima operação a receber a rede 4G LTE será Serra Leste, onde a rede servirá para agilizar as operações e para o aproveitamento dos colaboradores. Não há previsão de instalação de equipamentos autônomos na Serra Leste, disse Costa.

Esperava-se que a mina de Brucutu, no estado de Minas Gerais, fosse uma das primeiras operações a receber a rede LTE, mas a Vale revisou seu plano e optou por manter o WiMax.

A empresa também está desenvolvendo uma rede privada para a operação da ferrovia Vitória-Minas. Em parceria com a brasileira Trópico, esta rede operará na faixa de 250 MHz sob licença de Private Limited Service (SLP).

Regras

Apesar da expansão desses projetos, as indústrias brasileiras estão aguardando regulamentação específica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para acelerar efetivamente as redes privadas.

Em novembro, a agência assinou um acordo de cooperação técnica com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), estatal voltada para a indústria 4.0, com a qual está preparando um relatório técnico para essas redes.

Durante o webinar da TeletimeTEC, Marcela Carvalho, assessora da presidência da ABDI, disse que em breve será lançado um regulamento sobre o tema para consulta pública.

Este regulamento terá como base um piloto 5G coordenado pela ABDI com a fabricante brasileira de equipamentos industriais WEG na planta da WEG em Jaraguá do Sul, no estado de Santa Catarina.

O projeto está sendo liderado pela subsidiária de soluções de IoT da WEG, V2COM, e conduzido pela Nokia e pela empresa brasileira de P&D de ICT, CPQD. A duração prevista é de 7 a 12 meses. Este piloto usa a banda 3,7-3,8 GHz, destinada à licença SLP da Anatel.

Ainda em Jaraguá do Sul, a WEG V2COM está testando uma rede 5G não autônoma (NSA) (que usa infraestrutura LTE existente) com Claro e Ericsson, afirmou o diretor-executivo da V2COM, Guilherme Spinna, no evento. Neste segundo piloto, a banda utilizada é de 3,5 GHz, sob licença de uso temporário concedida pela Anatel.

Todos os resultados serão usados para contribuir com os estudos da Anatel e da ABDI sobre a regulamentação de redes 5G privadas para aplicações comerciais.


As informações são do BNAmericas.

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