Vale detalha seus projetos durante o Vale Day 2025 realizado em Londres
- jurimarcosta
- 8 de dez. de 2025
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A Vale realizou no dia 02 de dezembro, em Londres, o Vale Day 2025. A mineradora reuniu seus executivos, investidores e participantes do mercado de capitais para apresentar as principais realizações e projetos futuros da empresa.
Minério de ferro
A estratégia da Vale para o negócio de minério de ferro visa transformá-lo na plataforma mais lucrativa, competitiva e eficiente do setor. A visão de longo prazo é aumentar a produção e entregar 360 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro nos próximos cinco anos, com um mix de produtos aprimorado. Para 2025, a expectativa é entregar 335 Mt, e a projeção para 2026 é de 335 a 345 Mt. O volume projetado pode ser alcançado sem depender de novas licenças ambientais.
A Vale colocou quatro projetos críticos em operação, sendo dois deles no negócio de minério de ferro:
• Vargem Grande e Capanema: Ambos já estão em operação e em fase de ramp-up. Cada uma dessas instalações foi projetada para produzir 15 milhões de toneladas por ano (Mtpa). O ramp-up total das duas linhas deverá ser concluído até o final de 2026.
• Projeto +20 no S11D: Este projeto avança conforme o cronograma e a conclusão é esperada para dezembro de 2026. Inclui a instalação do segundo transportador de longa distância, cujos testes com carga terão início no segundo trimestre do próximo ano. Todos os licenciamentos ambientais necessários para este projeto já foram obtidos.
• Projeto de Britador de Compactos (S11D): Também avança de acordo com o calendário, com conclusão esperada até o final de 2026. Este projeto é a solução definitiva para o jaspilito, removendo uma restrição operacional, permitindo à Vale processar todo o material de contato da mina e gerir um maior volume de rejeito.
• Pilha Tamanduá (Brucutu): Esta pilha é considerada essencial para as operações de Brucutu e deverá entrar em funcionamento no início de 2028.
O portfólio de projetos inclui opções para crescimento de curto, médio e longo prazo:
• Expansão Serra Leste e Projetos N3: São projetos de curto e médio prazo que, em conjunto, irão adicionar 10 Mtpa ao Sistema Norte da Vale. Há otimismo de que Serra Leste possa ir além da capacidade de 4 milhões de toneladas.
• Planta de Concentração de Sohar: A conclusão desta planta está prevista para a segunda metade de 2027. A planta será construída nas áreas de deposição de rejeitos.
• Modernização em Vargem Grande: Há planos para modernizar a unidade de Vargem Grande Tool e as plantas de processamento de Pico, ambas no complexo de Vargem Grande.
• Briquetagem: A Vale está avançando na linha de briquete, buscando um novo sistema de dosagem. A instalação da quarta máquina de briquete na mesma linha, juntamente com um novo mix disponível, deve ser concluída em outubro/novembro do próximo ano. Esta tecnologia é crucial para o futuro da descarbonização e para aumentar a produtividade e a qualidade dos produtos.
A Vale está utilizando tecnologia e inovação para melhorar a eficiência operacional e a qualidade do produto:
• Conceição II (Itabira) - Planta Modelo: Foi selecionada como a planta modelo da Vale. O projeto adota tecnologias avançadas como Inteligência Artificial (IA), Gen-IA, processamento de imagem, gêmeos digitais e um sistema de controle muito sofisticado. Os resultados preliminares são animadores: aumento de 10% na taxa diária de produção e um aumento de 38% na produção de feed de redução direta. O start-up desta usina está previsto para o final de dezembro de 2025.
• Disseminação da Tecnologia Modelo: A tecnologia avançada de Conceição II está sendo implementada em Brucutu e será implementada em Vargem Grande em 2027.
• Mineração Circular: Atualmente, a Vale está reprocessando rejeitos de barragens para produzir 20 milhões de toneladas de minério de ferro. A meta é que 10% da produção venha da mineração circular.
• Otimização de Portfólio (Carajás): O plano de mineração em Carajás ganhou flexibilidade com um novo portfólio de produtos, o que permitiu eliminar a atividade de blending e resultou em uma redução de 4% na relação estéril/minério. Essa flexibilidade permite ajustar a oferta de produtos para maximizar o valor, dependendo das condições de mercado,.
Apesar dos investimentos em crescimento, a Vale espera manter a competitividade de custos no setor de minério de ferro:
• O custo caixa C1 da Vale deve fechar este ano em torno de US$ 21,3/tonelada (dentro da meta estabelecida), com uma previsão para o próximo ano na faixa de US$ 20 a US$ 21,5/tonelada.
• O custo all-in para o minério de ferro deve fechar este ano em torno de US$ 55/tonelada, com uma previsão para o próximo ano na faixa entre US$ 52 e US$ 56/tonelada.
Cobre
A Vale Base Metals (VBM) está firmemente focada em acelerar o crescimento do negócio de cobre, com a ambição de dobrar sua capacidade de produção. A meta é alcançar volumes entre 420 e 500 mil toneladas (kt) no horizonte de cinco anos, e cerca de 700 kt por volta de 2035. A estratégia é impulsionar um crescimento orgânico de alto retorno e baixa intensidade de capital.
Projetos de Curto e Médio Prazo
Bacaba: O projeto Bacaba está atualmente em fase de execução. Houve uma redução radical do CAPEX (Investimento de Capital) de US$ 500 milhões para cerca de US$ 290 milhões, representando uma economia de mais de 40%. Os trabalhos iniciais, incluindo a construção de uma estrada de 13 km e uma ponte no caminho crítico, já estão em andamento. Bacaba fica a apenas 13 km da infraestrutura existente de Sossego. A expectativa é que a licença seja anunciada ainda neste ano (2025). O projeto prevê uma produção de ~50 ktpa (média da Vida Útil da Mina, LOM), com start-up esperado para o primeiro semestre de 2028 (1S28). A Taxa Interna de Retorno (TIR) é superior a 50%.
Salobo CPF (Flotação de Partículas Grossas): Trata-se de uma oportunidade brownfield (expansão de uma área existente) com o projeto detalhado já concluído. O projeto de Flotação de Partículas Grossas em Salobo irá adicionar +30 ktpa de cobre. O CAPEX estimado é de US$ 225 a 275 milhões. A iniciativa aumentará a capacidade de processamento em cerca de 6 Mtpa e deve reduzir o consumo de energia em aproximadamente 10%. Os retornos são descritos como excelentes, com TIR superior a 50%. O start-up é esperado para 2029.
Projetos de Longo Prazo
Alemão: Previsto para entrar em operação em 2030. O projeto foi redesenhado de sublevel caving para sublevel stoping, o que mitigou o risco de licenciamento e permitiu uma economia de cerca de US$ 500 milhões em CAPEX. Alemão será um ativo de primeiro quartil e é esperado que produza ~80 ktpa de cobre e ~140 kozpa de ouro. A licença foi submetida em novembro deste ano (2025).
Joint Venture (JV) com a Glencore (Sudbury, Canadá): Foi fechado um acordo com a Glencore para explorar sinergias na Bacia de Sudbury. O objetivo é utilizar a infraestrutura de shaft existente da Glencore para acessar corpos de minério ricos em cobre e polimetálicos. A parceria permitirá explorar ativos de alto retorno que nenhuma das partes conseguiria desenvolver individualmente. A TIR esperada é superior a 15% e o start-up está previsto para após 2030. A participação da Vale será de 50%, com uma produção esperada de ~21 ktpa de cobre (share da VBM).
Crescimento Brownfield e Exploração
O crescimento de longo prazo da Vale Base Metals será fortemente suportado pela exploração brownfield em ativos existentes.
• Intensificação da Sondagem: A Vale realocou capital dinamicamente para sondagem e cobre no Pará, aumentando o número de sondas de 8 para 23 no último ano. O objetivo é realizar entre 100 e 110 mil quilômetros de perfuração por ano.
• Potencial de Crescimento: O esforço de perfuração brownfield na região de Carajás está revelando descobertas promissoras em profundidade. Por exemplo, abaixo da cava Sequeirinho em Sossego, foram encontrados interceptos significativos, como 30 metros com 5% de cobre. A Vale acredita que esse potencial de perfuração pode gerar um aumento de produção orgânica de até 20% após 2035.
• Transparência: A VBM publicará estudos técnicos SK-1300 no início do próximo ano (2026) para fornecer detalhamento técnico completo sobre a trajetória de crescimento orgânico. O foco em projetos brownfield permite um desenvolvimento mais eficiente, com taxas de retorno drásticas e intensidade de capital abaixo da média da indústria.
Níquel
A Vale Base Metals (VBM) tem mantido um foco rigoroso na disciplina de capital e na eficiência operacional para enfrentar as condições desafiadoras do mercado de níquel, com o objetivo de transformar o negócio no mais eficiente possível, garantindo sua posição estratégica como fornecedora ocidental de níquel de alta pureza.
A estratégia atual tem se concentrado na entrega disciplinada de projetos de infraestrutura e na otimização de custos, visando estabilizar a produção e atingir o ponto de equilíbrio (cash break-even).
Projetos Colocados em Operação (Ramp-up)
A Vale conseguiu colocar dois projetos críticos no negócio de níquel em operação, que foram fundamentais para reduzir os custos All-in do segmento:
• Expansão de Voisey's Bay (VBME): Este projeto crítico entrou em operação. O ramp-up da VBME está 20 a 30% adiantado em relação ao cronograma. Este avanço permitiu que a refinaria de Long Harbour atingisse sua capacidade nominal pela primeira vez em 11 anos. O foco continua sendo o ramp-up e a estabilização total dessas operações.
• Onça Puma (Segundo Forno): O segundo forno foi colocado em operação no prazo e 13% abaixo do orçamento. A operação de Onça Puma agora utiliza dois fornos.
Otimização Operacional e Metas de Eficiência
O foco da VBM é estabilizar as operações e impulsionar a taxa de processamento para diluir o custo unitário dentro da cadeia de valor:
• Meta de Cash Break-even: A principal prioridade tem sido garantir que o negócio de níquel chegue ao break-even do fluxo de caixa operacional até o final de 2026 ou início de 2027, mantendo o CAPEX operacional.
• Economia de Custos: O programa de eficiência e os projetos em ramp-up resultaram em aproximadamente US$ 240 milhões em economia no negócio de níquel em 2025, incluindo a redução de despesas gerais e administrativas (G&A), custos e capital.
• Sudbury: O plano é aumentar a taxa de processamento na usina de Sudbury. A expectativa é que a usina processe pouco mais de 5 milhões de toneladas em 2025, o que seria a primeira vez desde 2016.
Esses esforços visam garantir que o portfólio de níquel opere com capacidade otimizada, mantendo o "enorme valor de opção" que ele representa, dado seu posicionamento único, especialmente para o Hemisfério Ocidental. A produção esperada de níquel para 2025 é de cerca de 175 kt.
Fonte: Conexão Mineral

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