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Vale apresenta estudo para destravar mineração brasileira e gerar 2,3 milhões de empregos até 2035

  • há 10 minutos
  • 3 min de leitura

Proposta reúne 15 medidas para ampliar investimentos, produção mineral e competitividade do Brasil


A Vale apresentou um conjunto de propostas para ampliar o potencial da mineração brasileira e estimular novos investimentos no setor. Elaborado com participação da consultoria Accenture, o plano prevê a criação de até 2,3 milhões de novos empregos, elevando para aproximadamente 5,3 milhões o total de postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos relacionados à mineração até 2035.

Batizado de “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, o estudo foi apresentado na terça-feira (18), durante um fórum realizado em Brasília. O evento reuniu representantes do governo federal, empresas do setor mineral e especialistas em infraestrutura e competitividade.

A proposta também estima um avanço expressivo na arrecadação de impostos. Segundo a Vale, o setor poderia elevar a contribuição fiscal de R$ 750 bilhões registrados na última década para R$ 1,3 trilhão entre 2026 e 2035. O relatório será encaminhado aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026.


Produção mineral pode chegar a R$ 535 bilhões


De acordo com as projeções apresentadas pela companhia, a produção mineral anual brasileira poderia avançar dos atuais R$ 300 bilhões para até R$ 535 bilhões em 2035, caso sejam adotadas medidas coordenadas entre governo, empresas e sociedade.

A Vale avalia que esse crescimento teria reflexos sobre o mercado de trabalho e sobre a capacidade de geração de renda e arrecadação do país. O impacto total da mineração sobre o emprego, estimado atualmente em cerca de 3 milhões de postos, poderia chegar a até 5,3 milhões de vagas no horizonte projetado.

A empresa também destacou o potencial de transformação da arrecadação adicional em investimentos públicos. Segundo o estudo, os R$ 550 bilhões de diferença entre os valores poderiam equivaler, por exemplo, à construção de 23,1 milhões de vagas em escolas de período integral, 17,2 milhões de vagas em creches, 478 mil quilômetros de vias asfaltadas ou 870 mil leitos hospitalares.


Plano reúne 15 medidas para o setor


O documento apresenta 15 iniciativas estratégicas distribuídas em quatro agendas prioritárias. Entre os temas estão o aperfeiçoamento do licenciamento ambiental, infraestrutura, energia, segurança regulatória, tributação e desenvolvimento das comunidades onde existem operações minerárias.

Na área de licenciamento e fundamentos da mineração, a proposta prevê a padronização e otimização dos processos, além do fortalecimento de órgãos como Ibama, Iphan, ICMBio, Funai e secretarias estaduais de Meio Ambiente.

O plano também propõe modernizar a análise dos processos minerários e ampliar a parceria entre o Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e empresas para o mapeamento geológico do território nacional.

Na agenda de cadeia mineral integrada, as medidas incluem a criação de mecanismos para estimular a transformação mineral, melhores condições de energia para uma mineração de baixo carbono e um plano diretor de infraestrutura específico para o setor.

Já no eixo de ambiente de negócios e segurança institucional, a Vale defende a implementação de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, a modernização das regras relacionadas a cavidades, a atualização das normas de segurança para estéreis e rejeitos e o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM).

O quarto eixo, chamado de valor compartilhado, contempla a criação de um programa para melhorar a aplicação da CFEM, definição de projetos estruturantes com contrapartidas socioambientais e fortalecimento de práticas de mineração responsável.


Minerais críticos ganham espaço na estratégia


O estudo também aborda a importância de minerais considerados estratégicos para a transição energética e para o desenvolvimento tecnológico. Entre eles estão lítio, níquel, grafite, cobre, cobalto e terras raras, utilizados em baterias, energias renováveis e diferentes tecnologias avançadas.

O governo federal também considera estratégicos minerais utilizados na produção de fertilizantes, como potássio e fosfato. O Ministério de Minas e Energia (MME) avalia que investimentos estrangeiros e cooperação internacional podem ajudar a fortalecer cadeias produtivas, ampliar a inovação e impulsionar o desenvolvimento industrial e tecnológico brasileiro.

Outro ponto considerado estratégico é o desenvolvimento do chamado Midstream, etapa que envolve separação, purificação, refino e transformação dos minerais em óxidos, metais e ligas.

Segundo levantamento do MME divulgado em junho, o fortalecimento dessa etapa é necessário para ampliar a participação do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos. No curto prazo, entre as prioridades estão o fortalecimento da mineração, o avanço da inteligência geológica e a criação de mecanismos para reduzir riscos dos investimentos.

O governo também aguarda a aprovação do marco legal dos minerais críticos, que ainda tramita no Congresso Nacional.

Para Gustavo Pimenta, presidente da Vale, a mineração pode contribuir para que o Brasil aproveite a atual janela de oportunidade do mercado global, combinando geração de empregos e renda com crescimento econômico e proteção ambiental.


Fonte: Revista Mineração

 

 
 
 

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