Vale abre 2026 com recordes em Carajás, Brucutu e Long Harbour
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Mineradora entrega o maior volume de vendas de minério de ferro para um primeiro trimestre desde 2018 e registra crescimento de dois dígitos em cobre e níquel.

A Vale divulgou nesta quinta-feira (16) seu relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2026, em um balanço marcado pelo avanço consistente dos três principais segmentos da companhia — minério de ferro, cobre e níquel — mas também por interrupções operacionais pontuais que mostram o peso de fatores climáticos e geopolíticos no calendário do ano.
A produção de minério de ferro totalizou 69,7 Mt (+3% a/a), com vendas de 68,7 Mt (+4% a/a) — o maior volume para um primeiro trimestre desde 2018. O cobre somou 102,3 kt (+12,5% a/a), melhor 1T desde 2017, e o níquel alcançou 49,3 kt (+12,3% a/a), melhor 1T desde 2020. Os preços realizados também deram sustentação à receita: finos de minério de ferro a US$ 95,8/t, cobre a US$ 13.143/t (+47,8% a/a) e níquel a US$ 17.015/t.
Os pontos altos do trimestre
S11D bate novo recorde de 1T. O carro-chefe de Carajás produziu 19,9 Mt no trimestre, 0,5 Mt a mais que no 1T25, impulsionado por iniciativas de confiabilidade de ativos e maior uso de equipamentos móveis. É a maior produção já registrada pelo complexo em um primeiro trimestre.
Brucutu no maior 1T desde 2018. No Sistema Sudeste, Minas Centrais cresceu 23% a/a, puxado pelo aumento da produção da quarta e quinta linhas de processamento de Brucutu. Somado ao ramp-up de Capanema — que deve atingir capacidade total já no 2T — e à menor parada de manutenção em Itabira, o sistema avançou 3,1 Mt a/a.
Pelotas Tubarão em alta de 35%. A produção de pelotas do Sistema Sudeste saltou de 3,7 Mt para 5,0 Mt (+35,1% a/a), com destaque para Hispanobras (Tubarão 4), que mais que triplicou a produção no período, e Nibrasco (Tubarão 5 e 6), que cresceu 80,7%. O movimento reflete a maior disponibilidade de pellet feed vindo de Itabira.
Sossego entrega segundo melhor 1T da história. A mina paraense praticamente dobrou a produção em relação ao ano anterior, saltando de 16 kt para 29 kt de cobre (+81,3%). A usina operou com a maior taxa de processamento de minério já registrada, estratégia deliberada para maximizar volumes antes da parada de 110 dias do moinho SAG prevista para o segundo semestre.
Onça Puma atinge seu maior 1T histórico. A operação do segundo forno durante todo o trimestre levou a produção de níquel acabado de origem própria a 8,9 kt (+64,8% a/a), consolidando o ativo como peça-chave do portfólio brasileiro de níquel da Vale.
Recorde na refinaria de Long Harbour. Com o forte volume vindo das minas subterrâneas de Voisey's Bay, a refinaria canadense entregou a maior produção já registrada para um primeiro trimestre, puxando Voisey's Bay de 6,5 kt para 10,5 kt de níquel acabado (+61,5% a/a).
Preços realizados em alta. O cobre teve salto de 47,8% na comparação anual, refletindo o movimento positivo da LME e ajustes favoráveis de precificação. O prêmio all-in do minério de ferro praticamente dobrou a/a, de US$ 4,8/t para US$ 6,2/t, sustentado por mix de produtos mais flexível e maiores prêmios para produtos de baixo teor de alumina.
Os pontos baixos do trimestre
Chuvas atípicas no Sistema Sul. A precipitação média no Sul triplicou em relação ao 1T25 — de 351 mm para 1.046 mm — e impactou especialmente o Complexo Paraopeba, com Mutuca, Fábrica e outras unidades recuando 42,1% a/a (de 2,8 Mt para 1,6 Mt). O efeito só não foi maior porque a planta VGR1 seguiu em ramp-up no Complexo Vargem Grande, mantendo o sistema praticamente estável.
Serra Norte recua 11,5%. A menor, porém esperada, disponibilidade de run-of-mine derrubou a produção de Serra Norte e Serra Leste de 15,0 Mt para 13,3 Mt, fazendo com que o Sistema Norte fechasse o trimestre 1,2 Mt abaixo do 1T25, apesar do recorde de S11D.
Tempestades de neve atrapalham Sudbury. Nevascas não usuais e uma manutenção não planejada em Clarabelle — já concluída — reduziram a produção de cobre no Canadá em 2,2 kt a/a. Sudbury sozinha caiu 16,4% (de 15,9 kt para 13,3 kt de cobre acabado).
Thompson despenca com bloqueio de duto. A operação canadense de níquel produziu apenas 1,2 kt no trimestre, ante 3,6 kt no 1T25 (-66,7%), em função de um bloqueio de duto agravado por condições climáticas adversas. A situação já foi resolvida, e em fevereiro a Vale Base Metals assinou acordo para formar um consórcio no Thompson Nickel Belt, do qual passará a deter 18,9% — movimento estratégico para reposicionar o ativo dentro do portfólio global.
Omã interrompida por conflito no Oriente Médio. As plantas de pelotização omanis pararam em meados de março para manutenção anual programada, e as atividades de construção da planta de concentração de Sohar também foram suspensas. Restrições logísticas ligadas aos conflitos na região devem postergar a retomada para o final do 3T. No intervalo, o pellet feed originalmente destinado a Omã será redirecionado para Tubarão e para vendas de finos, preservando o guidance de 30–34 Mt de aglomerados para o ano.
São Luís reduz o ritmo. A planta de pelotização maranhense produziu apenas 72 kt no trimestre, ante 370 kt no 1T25 (-80,5%). A Vale informou que, a partir deste trimestre, São Luís passa a operar em linha com os cenários de demanda, com possível retomada plena condicionada às condições de mercado.
Calendário de manutenções pressiona o 2S26
O cronograma divulgado pela Vale indica que o segundo semestre concentrará a maior parte das paradas programadas em metais básicos. Em cobre, Sossego terá 9 semanas de reconstrução do moinho SAG no 3T e mais 6 semanas no 4T, além de paradas adicionais de 3 e 2 semanas nas linhas regulares. Em níquel, o 3T traz manutenções simultâneas em Creighton (6 semanas), Copper Cliff (3 semanas), Clarabelle (4 semanas) e Thompson mina e moinho (4 semanas cada). Já o 2T terá Sudbury smelter, refinaria, Port Colborne e Clydach parados por 4 semanas, além de 5 semanas em Matsusaka ainda no 1T.
A concentração das paradas nos trimestres seguintes reforça a importância do volume recorde entregue no 1T como "colchão" para o guidance anual.
Guidance 2026 mantido
A companhia reiterou as projeções de produção para o ano:
Minério de ferro: 335 a 345 milhões de toneladas
Aglomerados (pelotas e briquetes): 30 a 34 milhões de toneladas
Cobre: 350 a 380 mil toneladas
Níquel: 175 a 200 mil toneladas
O resultado financeiro completo do trimestre será divulgado em 28 de abril.
Fonte: Brasil mineral

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