Tanzanita Azul

Uma das cores mais emblemáticas dos modelos esportivos da BMW, como o M4, se chama Tanzanite Blue, uma clara homenagem a uma das mais lindas pedras preciosas, a tanzanita, também conhecida como diamante azul da África. Contudo, ao invés dos velozes carros alemães, a pedra africana encara uma vertiginosa desaceleração de preço.


Ou melhor, uma enorme perda de valor da ordem de 60%. Essa linda pedra que é de um azul muito profundo (mais azul que o "azul de Zanzibar", diria a Cor do Som), tem várias particularidades, uma delas é que só é encontrada em uma área de 1.400 hectares na Tanzânia.

Agora esse país se concentra em agregar valor a essa pedra para conter o impacto econômico de uma queda tão acentuada. Mineradores de tanzanita na região de Mererani dizem que os preços pagos pela gema caíram até 60% no último ano, enquanto o mundo estava lutando com a pandemia global de Covid-19.

Segundo um jornal local, o preço recuou de 1 milhão de xelins tanzanianos por grama antes da pandemia para os atuais 400 mil xelins, o que dá R$ 870 reais por grama ou R$ 4.350 o quilate. A principal causa pode ser a mineração aleatória, feita por garimpeiros e pequenas mineradoras, sem ter uma entidade ou grande empresa para controlar a comercialização do mineral.

Isso bate com o que diz um especialista no assunto. Segundo Antony Zagoritis "os preços da Tanzanita são ditados pelas leis de oferta e demanda de uma forma que os preços dos diamantes não são. Os preços dos diamantes são controlados por grandes players como a De Beers, que controlam a oferta ao mercado e, portanto, o preço".

E não é que a De Beers encontrou no início de junho, em Botsuana, o que pode ser o terceiro maior diamante do mundo. A pedra tem 1.098 quilates e é a maior desde que a pedra Lesedi la Rona foi descoberta em 2015 no mesmo país e vendido por US$ 53 milhões em 2017.


O maior diamante já descoberto foi o Cullinan, que foi desenterrado na África do Sul em 1905. Com 3.106 quilates, o diamante foi lapidado e incorporado às joias da coroa britânica.

O governo da Tanzânia diz que o preço caiu nos últimos meses por causa da pandemia, que fez com que clientes deixassem de comprar minerais de luxo para investir em necessidades urgentes. Tenho minhas dúvidas, afinal o preço dos diamantes mostra uma incrível recuperação, em parte, pela explicação de Zagoritis.

As vendas de joias com diamantes se recuperaram nos Estados Unidos à medida que a economia do país deixa a pandemia para trás. E isso aumentou os preços dos diamantes brutos. A De Beers disse que na última rodada de negociações, na semana passada, os preços aumentaram em 5%.

"O mercado está incrivelmente aquecido. Vimos uma forte demanda do consumidor. Durante a Covid e o lockdown, vimos os consumidores mudarem do consumo de experiências para o de bens pessoais e isso ajudou o mercado de diamantes", disse Anish Aggarwal, sócio da consultoria de diamantes Gemdax, ao Financial Times.

Segundo o jornal britânico, o Natural Diamond Council, uma entidade formada por empresas do setor, disse que as vendas de joias com diamantes nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo, aumentaram 30% entre março e maio, em relação ao mesmo período de 2019. Faz sentido, depois de uma onda de divórcios e redução de matrimônios na pandemia, teremos uma onda de casamentos com seus característicos anéis de noivado.

Ao mesmo tempo em que a demanda aumenta, as maiores mineradoras de diamantes do mundo reduziram cerca de um quinto de seu fornecimento em comparação com os níveis anteriores à Covid para sustentar os preços, dizem analistas do banco Citi. Os preços dos diamantes em bruto aumentaram 14,5% este ano em meados de junho, de acordo com o analista de diamantes Paul Zimnisky.

Outra hipótese, para a queda de preços da tanzanita, esteja associada à moda, quando algumas grandes lojas de joias elegem uma pedra ou uma cor como tendência. Mas, como diz, Zagoritis, a oferta de tanzanita é tão limitada que pode ser sempre um bom investimento.


Fonte: Notícias de Mineração do Brasil

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