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Mineração Taboca investirá US$ 100 milhões e nova gestão reposiciona a estratégia

  • jurimarcosta
  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

Primeiro grande aporte após a China Nonferrous assumir a gestão, o novo ciclo de investimentos redefine a estratégia da Taboca, aposta em minerais críticos e reforça o papel da Mina de Pitinga no desenvolvimento da Amazônia.




A Mineração Taboca anunciou um ciclo de investimentos de US$ 100 milhões até 2028 que marca, na prática, o início de uma nova fase da companhia após a China Nonferrous Trade Co. Ltd. assumir sua gestão. Mais do que um plano de expansão de capacidade, o anúncio sinaliza uma mudança de abordagem estratégica, com maior integração entre mineração, beneficiamento e metalurgia, reforço da governança corporativa e foco em eficiência operacional, inovação tecnológica e sustentabilidade.


O novo ciclo também vem acompanhado de alterações na liderança executiva. Wan Liming assume como Chief Executive Officer (CEO) no lugar de Eduardo Orban, que pediu seu desligamento por questões pessoais, enquanto José Flávio Alves passa a ocupar a Vice-Presidência Executiva, com atribuições ampliadas sobre o sistema produtivo e as agendas ambiental, social e de governança (ESG), além do relacionamento com stakeholders. A reconfiguração da alta gestão indica uma atuação mais coordenada entre estratégia, operação e posicionamento institucional da empresa.


Segundo Alves, a reorganização da gestão foi fundamental para destravar decisões estratégicas: “houve uma reestruturação gerencial importante, que teve como objetivo tornar mais fluida a interlocução entre Brasil e China. Isso impacta diretamente a velocidade e a qualidade das decisões”, afirma. Para ele, o investimento anunciado consolida essa nova fase e estabelece bases sólidas para o crescimento da companhia no médio e longo prazo.




O investimento anunciado de 100 milhões de dólares será concluído até 2028 e começa a ser aplicado a partir de 2026, visando a modernização das plantas de Pitinga e Pirapora, que estão defasadas, de acordo com Alves: “o plano prevê uma inovação tecnológica para aumentar a eficiência e produtividade das instalações, que hoje são muito manuais”. Além disso, a Taboca irá dobrar a sua capacidade produtiva, o que significa que a empresa estará pronta para atender à demanda do mercado em médio prazo.


Na Mina de Pitinga, no Amazonas, o foco está na eliminação de gargalos históricos e na adoção de soluções tecnológicas que aumentem a eficiência e reduzam custos operacionais. Um dos estudos em andamento avalia a realocação da planta de beneficiamento para mais próximo das frentes de lavra, medida que pode representar um salto significativo de produtividade.


A pesquisa mineral ocupa papel central nessa estratégia. A Taboca destinará cerca de US$ 25 milhões para ampliar seus recursos minerais, atuando em três frentes complementares. A primeira envolve o aprofundamento do conhecimento geológico das áreas já mineradas em Pitinga. A segunda está voltada ao reprocessamento de rejeitos, alinhando-se às tendências globais de economia circular. A terceira frente é o desenvolvimento do alvo Água Boa, um corpo granítico com potencial para redefinir o perfil da empresa a partir da próxima década. Alves explica que o objetivo das pesquisas nos rejeitos é quantificar minerais como rutilo, zircônia e terras raras, com a conclusão esperada do levantamento até 2028, antes de um reprocessamento dessas novas substâncias. O novo corpo granítico Água Boa, que Alves acredita ser potencialmente mais rico que o corpo Madeira atualmente em operação, tem planos para início de operação entre 2032 e 2035, o que certamente mudará o perfil da Taboca.




“Água Boa é um projeto transformacional. Ele pode mudar o patamar da Taboca entre 2032 e 2035”, destaca o VP Executivo. Além dos minerais tradicionalmente produzidos — estanho, nióbio e tântalo —, a companhia identifica potencial para terras raras, zircônio e háfnio, elementos estratégicos para cadeias industriais ligadas à transição energética, tecnologia e defesa. Esse movimento amplia o posicionamento da empresa no mercado global de minerais críticos.



Falando de economia circular, o foco inicial é receber mais material de Pitinga, uma vez que o material estocado em Pirapora do Bom Jesus (SP) ainda requer estudos de rota de processo para recuperação. Alves confirmou que está sendo estudada a realocação das plantas em Pitinga, “que hoje são muito distantes, para construir uma nova planta, mais enxuta e tecnológica, próxima às frentes de lavra, pois a planta atual não se sustentará por muitos anos”.


No beneficiamento, mais de US$ 20 milhões serão aplicados na atualização das plantas. A partir de 2026, a empresa iniciará um diagnóstico detalhado de processos e testes metalúrgicos, visando à modernização dos equipamentos e à adoção das melhores práticas do setor. “Esse trabalho vai gerar ganhos técnicos e econômicos relevantes, preparando as plantas para suportar o crescimento da produção”, explica o executivo.




Os principais gargalos nas plantas de Pitinga incluem a necessidade de pesquisa aprofundada na mina para otimizar os blends e garantir o teor de mercado, além das limitações de capacidade horária nas instalações mais antigas, especialmente na moagem e flotação. Alves estimou que, com o conhecimento atual, a mina tem uma vida útil de aproximadamente 50 anos, mas que as novas pesquisas visam aumentar esse período, embora não seja possível ainda especificar o novo horizonte.


A metalurgia também passará por um robusto processo de modernização. Com investimentos da ordem de US$ 43 milhões, a Taboca ampliará a capacidade da fundição de tântalo e nióbio em Pitinga em 10 mil toneladas por ano. Já a fundição de estanho, em Pirapora do Bom Jesus, terá sua produção elevada para 8 mil toneladas anuais. As melhorias incluem atualização tecnológica, maior confiabilidade operacional e ganhos de eficiência energética.


Dentro desse contexto, a agenda ESG ganha protagonismo. Serão US$ 12 milhões destinados a iniciativas ambientais, sociais e de governança, incluindo melhorias de infraestrutura, segurança, bem-estar dos trabalhadores e fortalecimento do relacionamento com comunidades. Para Alves, a mudança de gestão reforçou a integração entre estratégia corporativa e responsabilidade socioambiental – “ESG não é um anexo do negócio. Ele está no centro da nossa visão de crescimento”, afirma.




Localizada em Presidente Figueiredo (AM), a Mina de Pitinga desempenha um papel estratégico duplo: atender à crescente demanda global por metais críticos e impulsionar o desenvolvimento regional. A operação emprega cerca de 3 mil trabalhadores diretos, com forte presença de mão de obra local, e contribui de forma relevante para a economia e a arrecadação do estado. Alves reconhece que minerar na Amazônia, perto de uma reserva biológica e terra indígena (Waimiri-Atroari), quadruplica a responsabilidade da Taboca. Ele enfatizou que o impacto ambiental da operação em rocha granítica é pontual, e a mitigação é feita através de rigorosos controles ambientais e redes de monitoramento contínuo.


No aspecto social, 80% dos empregados são da região Norte e 60% são do Amazonas, e a empresa tem investido na formação dessa mão de obra. A Taboca também realiza projetos sociais, como a distribuição gratuita de mudas frutíferas e florestais e um programa de aprendizes em parceria com a Prefeitura de Presidente Figueiredo (AM). De acordo com Alves, a Taboca só começou a ter recursos para projetos sociais estruturantes e permanentes há cerca de três anos, após registrar EBITDA e lucro positivos.


Ao alinhar investimentos industriais, pesquisa mineral, inovação tecnológica e compromisso socioambiental, a Mineração Taboca sinaliza ao mercado que sua nova fase vai além da expansão de capacidade. Trata-se de um reposicionamento estratégico, que busca consolidar a empresa como um player relevante na cadeia global de minerais críticos, sem perder de vista os desafios e responsabilidades inerentes à atuação na Amazônia. (Mara Fornari)



Fonte: Brasil Mineral

 
 
 

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