Mineração submarina preocupa cientistas e gera alerta de risco à vida marinha
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A busca por minerais para a transição energética coloca em risco a vida nas profundezas oceânicas

Foto do(a) author(a) Agência Correio/ Crédito: ROV-Team/GEOMAR/Wikimedia Commons
Especialistas utilizaram mapeamento genético para catalogar espécies ameaçadas pela extração de níquel e cobalto
Em dezembro de 2025, a revista Nature Ecology & Evolution publicou um estudo conduzido por equipes internacionais de cientistas sobre os efeitos da mineração em alto-mar.
O trabalho mediu, ao longo de cinco anos, o impacto direto de máquinas extratoras sobre a vida no fundo do oceano.
Criaturas do fundo do mar
A pesquisa ocorreu na Zona Clarion-Clipperton, entre o México e o Havaí, área frequentemente usada para testes de mineração submarina.

Navio da missão por Schmidt Ocean Institute
O objetivo central foi quantificar, com dados de campo, como esses ecossistemas reagem a intervenções industriais.
Como o experimento foi feito
Os pesquisadores passaram 160 dias no mar coletando amostras antes e depois da passagem do equipamento de mineração. Aproximadamente 3.300 toneladas de nódulos polimetálicos foram retiradas de uma profundidade próxima a 4.300 metros.
As análises também compararam áreas perturbadas pelas máquinas com trechos não impactados, permitindo isolar mudanças provocadas pela extração.
O que mudou no fundo do mar
Os dados indicaram que as áreas mineradas tiveram queda de cerca de 32% na diversidade de espécies. A redução foi mais evidente entre organismos maiores, que compõem a chamada macrofauna.
Além disso, as comunidades tornaram-se mais heterogêneas, sinal de que a perturbação alterou padrões ecológicos locais. Parte dessas mudanças não poderia ser explicada apenas por variações naturais.
Quem vive nessas áreas
A região estudada é uma planície abissal, um vasto ambiente plano onde muitos organismos dependem de restos orgânicos que descem da superfície. Mesmo sem mineração, essas comunidades já variam conforme a produtividade do oceano.
Nas amostras analisadas, mais de 4.300 animais maiores que 0,25 milímetro foram classificados, distribuídos em 788 espécies. Predominaram vermes marinhos, crustáceos e moluscos.
Diante de muitos organismos sem descrição científica formal, os pesquisadores recorreram à análise de DNA. Códigos genéticos padronizados ajudaram a diferenciar espécies e a medir alterações na biodiversidade.
Quem regula essa atividade
Em águas internacionais, a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos define regras para pesquisas e futuras explorações. A instituição exige avaliações de impacto ambiental e estudos de linha de base antes de qualquer operação.
Essas exigências buscam separar danos reais causados pela mineração de variações naturais dos ecossistemas. Ainda assim, o debate sobre até onde essa proteção é suficiente permanece aberto.
Fonte: Correio 24h









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