Minerais críticos colocam Brasil no centro da economia global, afirmam autoridades no Simexmin
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Evento em Ouro Preto destacou retomada dos levantamentos aerogeofísicos, inovação tecnológica e maior protagonismo da mineração brasileira na transição energética

O Brasil vive um momento estratégico para consolidar sua posição como protagonista global na cadeia de minerais críticos e estratégicos, impulsionados pela transição energética, pela digitalização da economia e pela expansão de tecnologias de baixo carbono. A avaliação foi reforçada por autoridades do setor mineral durante a abertura do XXII Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin), realizado em Ouro Preto (MG).
Representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Mineração (ANM) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB) defenderam a ampliação da pesquisa geológica, investimentos em inovação, fortalecimento institucional da mineração e desenvolvimento de políticas públicas voltadas aos minerais estratégicos.
Durante o evento, o presidente do Serviço Geológico do Brasil, Vilmar Simões, afirmou que o país reúne condições geológicas privilegiadas para ampliar sua participação no mercado internacional de minerais ligados à transição energética, como lítio, cobre, níquel, grafita, manganês e potássio. Segundo ele, esses recursos terão papel central na produção de baterias, fertilizantes, tecnologias digitais e infraestrutura energética.
Simões também destacou o avanço das discussões no Congresso Nacional para criação de uma Política Nacional de Minerais Críticos, considerada estratégica para fortalecer a competitividade brasileira no setor mineral. Ele reforçou ainda que o papel do SGB é produzir conhecimento geocientífico e reduzir riscos para novos investimentos em exploração mineral.
Entre os principais anúncios feitos durante o Simexmin está a retomada dos levantamentos aerogeofísicos no Brasil após mais de uma década de paralisação. O primeiro projeto foi executado no Tocantins, com investimentos próximos de R$ 11 milhões, enquanto um novo levantamento já está em andamento no leste de Goiás, com aporte estimado em R$ 12 milhões. Os dados deverão ser disponibilizados para empresas, universidades e pesquisadores nos próximos meses.
O presidente do SGB também anunciou investimentos de cerca de R$ 200 milhões em infraestrutura laboratorial, em parceria com a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo (ANP), voltados à criação de laboratórios de isotopia e geocronologia considerados entre os mais avançados da América Latina.
Na mesma linha, o diretor de Geologia e Produção Mineral do MME, José Luis Ubaldino de Lima, afirmou que os minerais críticos deixaram de ser apenas commodities e passaram a ocupar posição estratégica na segurança econômica, industrial e tecnológica das nações. Segundo ele, o Brasil possui potencial geológico e capacidade técnica para assumir protagonismo global, mas precisa ampliar os levantamentos geológicos, incentivar a pesquisa mineral e garantir segurança regulatória para atrair investimentos de longo prazo.
O representante do ministério também defendeu maior agregação de valor à produção mineral brasileira, fortalecimento da agenda de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e investimentos em sustentabilidade e qualificação profissional. Para ele, o futuro da mineração dependerá da capacidade do país em transformar conhecimento técnico em valor econômico e tecnológico.
Já o diretor-geral da ANM, Mauro Sousa, destacou que a mineração brasileira atravessa um “momento histórico” de maior reconhecimento global diante do crescimento da demanda por minerais ligados à transição energética. Segundo ele, o setor precisa atuar de forma integrada para transformar a mineração em vetor de crescimento econômico, geração de empregos e desenvolvimento social.
Durante sua participação, Mauro Sousa também defendeu maior presença feminina no setor mineral, especialmente em cargos de liderança e tomada de decisão. O diretor classificou a mineração como um ambiente ainda excessivamente masculino e afirmou que a ampliação da diversidade será fundamental para a modernização da atividade mineral no país.
O dirigente ainda ressaltou o papel da ADIMB na integração entre governo, empresas e academia, além da importância do Simexmin como um dos principais fóruns técnicos da mineração brasileira.
Fonte: Revista Mineração & Sustentabilidade

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