Hotspots, disputa por investimentos no setor mineral promete ser acirrada nos próximos anos

Hotspot, em português, é uma zona quente, uma área ou região que está, ou vai, fervilhar de investimentos em mineração. A região andina do Peru é um deles. Mineradores no país acreditam que podem levar uns US$ 6,5 bilhões em investimentos para o país em 2021. Acho que eles têm razão, o mercado acelera.


Disse, há duas semanas, que os adeptos do superciclo veem na alta do preço do cobre um dos sinais de que o superciclo voltou para ficar (no dia 18, chegou a quase US$ 8 mil a tonelada na LME). Além disso, a indústria da China, mãe e pai da demanda mundial, tem índices de otimismo (e compras) somente vistos antes de períodos de altas e crescimento de PIB.

Ainda mantenho a cautela dos incrédulos, contudo começo a ver outros sintomas que precedem momentos de alta. Um deles veio da Austrália, onde as mineradoras estão importando engenheiros para ampliar a exportação de minérios. Um estudo da universidade de Queensland, outro hotspot mineral, mostra que no ano que vem, as universidades australianas vão formar menos da metade dos engenheiros demandados pela indústria local.

A solução de curto prazo é importar profissionais do Canadá, Turquia e vários outros países. A de longo, estimular os jovens a cursar engenharia, coisa difícil em um mundo onde as mineradoras estão com a ficha suja.

O outro sintoma vem da reabertura de minas antigas. Abrir novas minas perto de antigas é quase uma tradição em alguns setores como o do ouro. Mas isso agora acontece com cobre e outros metais, como mostrou recentemente meu colega Tim Treadgold, colunista do Mining Journal. E isso está acontecendo com carvão também, no Canadá, EUA e Austrália.

Pois é, a tecnologia avança (com os veículos autônomos) e as taxas de recuperação melhoram, o que até justifica reabrir algumas minas, bem como adiar o fechamento de outras. Enquanto algumas empresas como a Anglo American se livram do carvão, outras tomam seus lugares.


De volta ao Peru, o país tem potencial para capturar 7% a 8% de todo o investimento em exploração mineral (coisa que fez em 2017), disseram especialistas durante um webinar organizado pelo Instituto de Engenheiros de Minas do Peru (IIMP) na semana passada. Zetti Gavelan, executivo de operações da Minera Las Bambas, disse que a exploração pode continuar por mais 50 anos se o Peru conseguir atrair essa quantidade de dinheiro, que em 2019 foi algo entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões, de acordo com a S&P Global.

"Cada 400.000 toneladas de cobre tem o impacto de 1% no PIB; se conseguíssemos dobrar a produção de cobre, o impacto na economia seria de 5% do PIB. Com isso, o país pode crescer a taxas de 8% ou 9% [ao ano]", disse Gavelan, segundo a publicação BNAmericas.

No ano passado, o país sul-americano recebeu US$ 6,16 bilhões em investimentos, o que mostrou um aumento de 24% sobre o ano anterior. Neste ano, a queda foi de 18% e o Banco Central peruano prevê que a entrada de capital do exterior, somente para mineração, vai crescer 29% em 2021, o que pode levar a economia local a uma taxa de 11% de crescimento. Daí o montante de US$ 6,5 bilhões, que está no primeiro parágrafo, em investimentos aguardados para o ano que vem. Em 2019, as quarenta maiores mineradoras do mundo investiram US$ 69 bilhões, mostram os dados do website Statista, com base em informações do FMI.

Considerando apenas os depósitos conhecidos, o Peru poderia dobrar a produção de cobre para 5 milhões de toneladas por ano, ultrapassando o Chile, que é produtor líder de cobre do mundo. Quem diz isso são associações locais de petróleo, energia e mineração, que também se uniram para reclamar de uma regra estabelecida em 2017, que enfatizava a consulta pública antes do início da etapa de exploração.

Segundo esses grupos, a exploração diminuiu nos últimos anos, especialmente para o ouro, por causa dessa regra. Gavelan disse que apenas 100 de cada 1.000 prospectos se transformam em projetos de exploração e destes apenas um se torna uma operação. Logo, quanto menos exploração agora, menor será a produção no futuro.

E olha que o Peru, nos últimos anos, tem recebido mais do dobro de investimento em exploração mineral do que o Brasil, dado que consta do relatório de orçamento de exploração mineral para não ferrosos elaborado pela S&P Global Market Intelligence. Em 2017, por exemplo, o Peru recebeu 7% do total de quase US$ 8,5 bilhões, enquanto o Brasil recebeu somente 3%. O Brasil pode ter muita burocracia, mas essa consulta pública na fase de exploração não tem. Pelo menos ainda não, melhor não dar ideias.


Fonte: Notícias de Mineração do Brasil

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