Greve de trabalhadores da Vale no Canadá afeta mercado de níquel

Uma greve de trabalhadores da Vale em Sudbury, no Canadá, está afetando o mercado de níquel, fundamental para alimentar veículos elétricos. Operação no nordeste de Ontário é uma das poucas que produzem pelotas de níquel no mundo, usadas para produzir ligas para as indústrias aeroespacial, eletrônica e nuclear.



o

A operação foi interrompida no início do mês, quando os trabalhadores sindicalizados entraram em greve em 1º de junho. A interrupção está levando os consumidores a explorar os briquetes de níquel para bateria como alternativa às pelotas.


Essa mudança está aumentando a disputa pelo briquete, elevando os prêmios norte-americanos ou encargos extras que os consumidores pagam além dos preços do níquel na London Metal Exchange, à medida que os estoques do metal diminuem. Os estoques de briquete, a principal forma de níquel estocados nos armazéns da LME, caíram 9% desde o pico em abril e agora estão no menor nível em mais de um ano.


"Diante dos desafios em uma série de operações de níquel Classe 1 ao longo de 2021 até o momento, a disponibilidade de material para compras pelo cliente final é mais limitada do que se poderia imaginar", disse Colin Hamilton, analista da BMO Capital Markets.


O níquel para baterias é um ingrediente chave em baterias recarregáveis para veículos elétricos, ajudando a colocar mais energia nas células e permitindo que os produtores reduzam o uso de cobalto, um metal mais caro que normalmente tem uma cadeia de suprimentos menos transparente.


O mercado para esse níquel deve estar em uma condição apertada nos próximos dois a três anos e pode provocar um déficit já em 2024, de acordo com dados de energia e empresa de análise BloombergNEF.



Desde o início da greve da Vale, o prêmio do briquete aumentou 24% e os preços dos EUA atingiram em 22 de junho seu nível mais alto desde novembro de 2019, de acordo com dados da Fastmarkets. O níquel para entrega em três meses registrou um ganho semanal de 8% na semana passada na LME, o maior desde agosto de 2019.


"A greve não é o principal fator para o aumento do preço do níquel, mas será o principal vetor para o aumento do prêmio do níquel na América do Norte", disse Adrian Gardner, principal analista de mercado de níquel da empresa de pesquisa Wood Mackenzie.


Gardner disse que não está otimista com uma solução para a greve da Vale e prevê que a disputa trabalhista pode se estender por muitos meses.


Há duas semanas, o sindicato que representa os trabalhadores da mina de níquel da Vale em Sudbury, recomendou que seus membros em greve rejeitem a última oferta da empresa brasileira, dizendo que ela oferece "melhorias mínimas".


A Vale enfrentou uma greve de um ano no Canadá em 2009 e 2010. Os trabalhadores em greve representados pelo United Steelworkers Local 6500 rejeitaram duas vezes uma oferta salarial apresentada pela gigante da mineração brasileira neste ano.


As informações são da Bloomberg/ Notícias de Mineração do Brasil

0 comentário