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Cidade ‘minúscula’ de menos de 6 mil habitantes vai receber mina de ouro de R$ 1,3 bilhão que promete extrair 6 mil toneladas por dia, criar 2 mil empregos e transformar o interior do Tocantins.

  • jurimarcosta
  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

Projeto bilionário de mineração avança no Tocantins e chama atenção pelo porte, pelos números divulgados e pelo impacto potencial em um município pequeno, a pouco mais de 90 quilômetros da capital Palmas, em meio ao licenciamento ambiental e a articulações do governo estadual.




Um projeto de mineração de ouro em Monte do Carmo, município do Tocantins com 5.694 moradores, está em fase de licenciamento e prevê investimento inicial de US$ 250 milhões, valor que tem sido divulgado como equivalente a cerca de R$ 1,3 bilhão.


A estimativa apresentada pelo governo estadual e por representantes da empresa é de que a futura operação tenha capacidade de processar 6 mil toneladas de minério por dia e gere aproximadamente 2 mil empregos diretos e indiretos.


A iniciativa foi assumida pela mineradora Hochschild Mining, que adquiriu o projeto por US$ 60 milhões, segundo informações divulgadas pelo próprio grupo e pelo governo do Tocantins.


A expectativa é que a implantação e a operação, planejada para cerca de 12 anos, alterem a dinâmica econômica de uma cidade pequena, localizada na região central do estado e a pouco mais de 90 quilômetros de Palmas.


Licenciamento e articulação do governo do Tocantins


O empreendimento, batizado de Projeto Monte do Carmo, foi apresentado como um dos maiores movimentos recentes do setor mineral no estado.


Enquanto o processo de licenciamento segue em andamento, o governo do Tocantins afirma que mantém interlocução com a companhia para tratar de infraestrutura, etapas regulatórias e impactos locais.


Em declaração sobre a chegada do projeto, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) disse que a gestão estadual pretende apoiar a implantação.


“Tenho muita satisfação em poder ajudar no início de implantação desse projeto de exploração.


O governo do Tocantins está à disposição para ajudar a promover a riqueza e o desenvolvimento de Monte do Carmo e o que queremos é que esse processo de desenvolvimento chegue a todas as localidades próximas”, declarou Barbosa.


A fala ocorreu em meio a tratativas do Palácio Araguaia com representantes da empresa, em um esforço para acelerar as etapas necessárias antes do início de obras e da instalação de estruturas de apoio.


Por outro lado, o avanço do projeto depende de autorizações e condicionantes ambientais e administrativas que costumam exigir prazos e análises técnicas.


Compra do ativo e números divulgados ao mercado

O projeto foi adquirido por US$ 60 milhões em uma negociação envolvendo a antiga detentora do ativo, a companhia Cerrado Gold.


Esse valor tem sido citado em comunicados do mercado e também em divulgações institucionais relacionadas ao empreendimento no Tocantins.


Segundo informações repassadas ao governo do estado, o investimento inicial previsto é de US$ 250 milhões.


Além disso, a capacidade de extração e processamento divulgada é de 6 mil toneladas de minério por dia, com vida útil estimada em 12 anos, caso as projeções de viabilidade se confirmem.


Os números foram apresentados como parte do planejamento para a etapa de implantação.


Ainda assim, o ritmo de execução pode variar conforme a evolução do licenciamento, a conclusão de estudos complementares e decisões internas do grupo sobre cronograma e orçamento.


Monte do Carmo e o impacto em um município pequeno


Com 5.694 habitantes, de acordo com o Censo 2022 do IBGE, Monte do Carmo aparece entre os municípios de menor população do Tocantins.


A combinação entre base econômica local limitada e um projeto de grande porte costuma gerar expectativas sobre contratação de mão de obra, demanda por serviços e aumento da circulação de recursos.


A cidade fica na região central do estado e mantém ligação com Palmas por rodovias que permitem deslocamento em pouco mais de uma hora, dependendo das condições de tráfego e do ponto de partida.


Esse fator é citado por autoridades como uma vantagem logística, tanto para mobilização de trabalhadores quanto para contratação de fornecedores.


Ainda assim, em municípios pequenos, a chegada de um empreendimento desse tamanho costuma ampliar desafios de infraestrutura, como oferta de moradia, atendimento de saúde, capacidade de serviços públicos e planejamento urbano.


Esses temas costumam ser abordados em estudos e condicionantes de licenciamento, que podem incluir medidas de mitigação e contrapartidas.


Empregos diretos e indiretos no centro do debate


A projeção divulgada para o Projeto Monte do Carmo é a criação de cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos.


Embora a estimativa seja tratada como potencial, ela aparece como um dos principais argumentos usados por autoridades e representantes do setor mineral para defender a relevância do empreendimento.


Na prática, parte dessas vagas costuma se concentrar em fases específicas, como construção e instalação de planta industrial, abertura de áreas operacionais e contratação de serviços terceirizados.


Já na etapa de operação, o perfil tende a exigir especializações diferentes, com vagas técnicas e demandas continuadas de manutenção, segurança e logística.


A depender das exigências do projeto e das políticas de contratação, pode haver também impacto em municípios vizinhos, já que cidades próximas muitas vezes entram na rota de fornecedores e prestadores de serviço.


Por isso, o governo estadual tem falado em desenvolvimento para localidades próximas, como citou o governador ao comentar a iniciativa.


Agência de Mineração fala em mudança do cenário econômico


A Agência de Mineração do Estado do Tocantins (Ameto) também tem defendido que a chegada do investimento pode reorganizar a economia local.


O presidente do órgão, Milton Neres, afirmou que a gestão pública busca ampliar o controle sobre a cadeia produtiva e, ao mesmo tempo, estimular novos projetos.


“Estamos trabalhando para fomentar, regular e fiscalizar a cadeia produtiva da mineração e o Tocantins apresenta resultados que mostram o potencial.


A exemplo da chegada da Hochschild ao nosso estado, essa é uma conquista histórica que promete mudar o cenário econômico da região de Monte do Carmo”, disse, através da assessoria do governo.


A fala reflete uma estratégia estadual de atrair investimentos minerais e ampliar a arrecadação ligada ao setor.


No entanto, como ocorre em qualquer projeto de mineração, o impacto econômico anunciado convive com a necessidade de acompanhamento ambiental, transparência sobre medidas de controle e discussão pública sobre efeitos sociais.


O que já foi divulgado sobre a operação prevista

Os parâmetros divulgados até o momento indicam uma operação planejada para durar cerca de 12 anos, com processamento de 6 mil toneladas diárias de minério.


A empresa descreve o Projeto Monte do Carmo como um ativo em estágio avançado de estudos e aponta que o empreendimento já passou por etapas relevantes de licenciamento, embora o processo ainda esteja em andamento.


Enquanto isso, o governo estadual mantém o discurso de parceria institucional e de apoio à implantação.


A transição entre promessa e realidade, porém, depende de marcos objetivos, como emissão de licenças, detalhamento de cronograma, contratação de fornecedores e definição de como serão distribuídas as oportunidades de trabalho.


Com números tão expressivos para um município pequeno, a pergunta que fica é como Monte do Carmo vai se preparar para absorver os efeitos da mineração e garantir que os impactos positivos e as obrigações do projeto sejam acompanhados de perto pela comunidade.


Fonte: Click Petróleo & Gás

 
 
 

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