SINDIMINA - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração, Pesquisa e Benefício de Ferro, Metais Básicos e Preciosos de Serrinha e Região

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Chernobyl' brasileira, mancha de óleo é pior desastre do NE, diz Le Monde



"O mar que morre é uma cultura que se apaga", diz uma reportagem do jornal francês Le Monde sobre o vazamento de óleo que atinge o literal do Nordeste brasileiro há várias semanas. A publicação diz que esta é a pior catástrofe a atingir as praias da região, e alega que a população que vive próxima ao mar compara a mancha de óleo ao vazamento radioativo de Chernobyl.


"A comparação diz muito sobre a escala do desastre. No Nordeste, desde o final de agosto, 2.500 quilômetros de costa foram contaminados por petróleo", explica o jornal. A reportagem acompanha a mobilização da população em uma praia na Bahia, mostrando como o desastre ambiental está afetando a vida das pessoas.


"Diante da tragédia, os nordestinos, em um extraordinário impulso cidadão, se lançaram ao mar aos milhares, ajoelhados na areia para limpar, raspar, polir a praia, descer com a família ou aldeias inteiras –muitas vezes em meio a grande confusão. Adultos e às vezes crianças mergulham na água pegajosa, empurrando as manchas de óleo com as mãos nuas. Dezenas de casos de intoxicação foram relatados por hospitais", diz.


Le Monde ressalta que este não é o primeiro desastre ambiental do país neste ano, e lembra que o Brasil viu em 2019 o rompimento da barragem de Brumadinho e o aumento das queimadas na Amazônia, e critica a falta de informações sobre o vazamento de óleo. A sequência de problemas relacionados ao ambiente tem sido um foco frequente de observadores internacionais.


"Mesmo que pareça incrível, dois meses após o início do derramamento de óleo, ninguém sabe a origem do desastre. É de um 'navio petroleiro fantasma' que afundou? Uma transferência de óleo combustível entre dois navios que teria dado errado? De uma plataforma que vazou? Ninguém sabe", diz.


Sem respostas e sem uma ação organizada do Estado, o jornal francês diz que o problema ainda pode se tornar mais grave. "Ao todo, no Nordeste, catorze unidades de conservação protegidas já foram sujas pelas ondas de óleo. Somente na Bahia, sete dos nove estuários do Estado foram infectados, ameaçando o frágil mangue. Mas talvez o pior ainda esteja por vir: o derramamento de óleo poderá em breve deslizar para o Parque Marinho de Abrolhos, sul da Bahia: a reserva de biodiversidade mais importante do Atlântico Sul, um local de reprodução baleias jubarte."