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Brasil retira 26,3 milhões de toneladas de minério do que antes era tratado como rejeito, transformar resíduos em riqueza, e mostrar como a mineração nacional está reaprendendo a gerar valor

  • há 17 horas
  • 4 min de leitura

Uma mudança silenciosa na mineração brasileira começa a reposicionar materiais antes descartados e amplia o interesse em torno de uma estratégia que une produção, reaproveitamento e gestão de resíduos em escala industrial.

Segundo reportagem da Reuters publicada em 12 de março de 2026, a Vale informou que produziu 26,3 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025 a partir de materiais antes classificados como estéril ou rejeito.


O volume mais que dobrou em relação a 2024, quando esse total ficou em 12,7 milhões de toneladas, e superou a previsão inicial da companhia, estimada em cerca de 20 milhões de toneladas para o período.


Os dados foram apresentados pela mineradora como parte do avanço de sua estratégia de mineração circular.

Nesse modelo, a empresa reaproveita materiais já movimentados no processo de extração para gerar novo volume de minério.

Segundo a Vale, a medida reduz a necessidade de áreas para disposição de resíduos e também integra as metas de descarbonização da companhia.


Mineração circular ganha escala na operação da Vale


De acordo com a Vale, a mineração circular deixou de ser uma iniciativa piloto e passou a operar em escala industrial ao longo de 2025.

Na prática, isso significa que o reaproveitamento passou a ter participação mais ampla na produção, na gestão de resíduos e no uso das estruturas ligadas à atividade mineral.

Historicamente, a mineração concentrou a produção na extração primária, com menor uso de materiais já depositados em pilhas ou barragens.



Agora, a empresa afirma que parte desse conteúdo pode retornar ao processo produtivo e ampliar o aproveitamento de recursos já extraídos.


Ao divulgar os resultados, a mineradora também vinculou esse avanço à meta de tornar a operação mais eficiente e reduzir a pressão sobre áreas destinadas à disposição de rejeitos.


Segundo a companhia, o objetivo é fazer com que 10% de sua produção anual de minério de ferro no Brasil venha de fontes circulares até 2030.


Produção de minério a partir de resíduos cresce em 2025


O total de 26,3 milhões de toneladas indica que o reaproveitamento de estéril e rejeito ganhou escala dentro da operação da Vale.

Não se trata, segundo a empresa, de uma ação isolada, mas de uma frente integrada ao planejamento industrial e ambiental da companhia.

Além do volume produzido, a mineradora passou a apresentar a circularidade como parte de sua estratégia operacional.


Esse enquadramento inclui o uso de resíduos para obtenção de minério de ferro e o desenvolvimento de produtos derivados desses materiais.


Com isso, materiais antes destinados ao descarte passaram a ser reincorporados ao ciclo produtivo.


A mudança foi apresentada pela companhia como uma forma de ampliar o uso de recursos já disponíveis nas áreas mineradas.


Reaproveitamento de rejeitos inclui areia sustentável e projetos em Minas


O programa da Vale reúne diferentes iniciativas.

Uma delas é o reaproveitamento de materiais antes classificados como estéril e rejeito para a produção de minério de ferro.

Outra frente envolve a transformação desses resíduos em produtos com aplicação fora da cadeia tradicional da mineração.

Entre os exemplos citados pela empresa está a Areia Sustentável Vale, cuja produção acumulada superou 3 milhões de toneladas desde 2023.


Segundo a companhia, esse material pode ser utilizado em atividades da construção civil.

A mineradora também menciona projetos em Minas Gerais para ilustrar o avanço da estratégia.

Em Capanema, por exemplo, a operação usa material depositado em pilha de estéril para gerar minério de ferro.

Em Vargem Grande, o reaproveitamento de resíduos também integra as ações voltadas à redução de passivos e ao aumento do aproveitamento do material extraído.


Mariana, Brumadinho e o debate sobre barragens no Brasil

A ampliação desse tipo de medida ocorre em um cenário de maior atenção pública e regulatória sobre rejeitos, barragens e segurança operacional.

No Brasil, o tema ganhou novo peso após os rompimentos em Mariana, em novembro de 2015, e em Brumadinho, em janeiro de 2019.



As duas tragédias levaram o setor mineral a enfrentar maior pressão por mudanças nos processos de gestão de resíduos e nas estruturas de disposição.


Nesse contexto, iniciativas voltadas ao reaproveitamento de materiais passaram a receber mais atenção de autoridades, investidores e comunidades afetadas pela atividade mineradora.


Embora o reaproveitamento de resíduos não resolva, por si só, os desafios ligados à segurança da mineração, a medida se insere em uma agenda mais ampla de redução da necessidade de novas estruturas para disposição de rejeitos e de maior uso dos materiais já extraídos.


Metas ambientais e eficiência operacional entram na estratégia


A Vale associa a expansão da mineração circular às metas de descarbonização anunciadas pela companhia.


Segundo a empresa, o reaproveitamento de materiais contribui para reduzir emissões ao diminuir a necessidade de movimentação, descarte e disposição de novos volumes de resíduos.

No balanço divulgado pela mineradora, o programa evitou em 2025 a ocupação de volume para disposição de resíduos equivalente a mais de 300 vagões carregados de minério de ferro.

O dado foi usado pela companhia para dimensionar o espaço que deixou de ser destinado ao descarte de material.


Além da dimensão ambiental, a empresa relaciona a iniciativa à eficiência operacional e ao melhor aproveitamento econômico de materiais antes descartados.


A estratégia também passou a ser observada no mercado como parte do esforço da mineradora para integrar produção, gestão de resíduos e metas ambientais.

Minas Gerais concentra exemplos da mineração circular da companhia

Parte dos exemplos apresentados pela Vale para mostrar o avanço da mineração circular está em Minas Gerais, estado que concentra operações relevantes da companhia.


Ali, a empresa vem associando o reaproveitamento de materiais à redução de resíduos e à criação de novos usos para subprodutos minerais.

Com isso, a discussão sobre mineração circular passou a ocupar espaço maior no noticiário do setor.

Além dos números de produção, a estratégia chama atenção por indicar como materiais antes descartados passaram a ser incorporados de forma mais ampla ao processo produtivo da mineradora.


Fonte: Click Petroleo e Gás

 
 
 

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