Brasil retira 26,3 milhões de toneladas de minério do que antes era tratado como rejeito, transformar resíduos em riqueza, e mostrar como a mineração nacional está reaprendendo a gerar valor
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Uma mudança silenciosa na mineração brasileira começa a reposicionar materiais antes descartados e amplia o interesse em torno de uma estratégia que une produção, reaproveitamento e gestão de resíduos em escala industrial.
Segundo reportagem da Reuters publicada em 12 de março de 2026, a Vale informou que produziu 26,3 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025 a partir de materiais antes classificados como estéril ou rejeito.
O volume mais que dobrou em relação a 2024, quando esse total ficou em 12,7 milhões de toneladas, e superou a previsão inicial da companhia, estimada em cerca de 20 milhões de toneladas para o período.
Os dados foram apresentados pela mineradora como parte do avanço de sua estratégia de mineração circular.
Nesse modelo, a empresa reaproveita materiais já movimentados no processo de extração para gerar novo volume de minério.
Segundo a Vale, a medida reduz a necessidade de áreas para disposição de resíduos e também integra as metas de descarbonização da companhia.
Mineração circular ganha escala na operação da Vale
De acordo com a Vale, a mineração circular deixou de ser uma iniciativa piloto e passou a operar em escala industrial ao longo de 2025.
Na prática, isso significa que o reaproveitamento passou a ter participação mais ampla na produção, na gestão de resíduos e no uso das estruturas ligadas à atividade mineral.
Historicamente, a mineração concentrou a produção na extração primária, com menor uso de materiais já depositados em pilhas ou barragens.

Agora, a empresa afirma que parte desse conteúdo pode retornar ao processo produtivo e ampliar o aproveitamento de recursos já extraídos.
Ao divulgar os resultados, a mineradora também vinculou esse avanço à meta de tornar a operação mais eficiente e reduzir a pressão sobre áreas destinadas à disposição de rejeitos.
Segundo a companhia, o objetivo é fazer com que 10% de sua produção anual de minério de ferro no Brasil venha de fontes circulares até 2030.
Produção de minério a partir de resíduos cresce em 2025
O total de 26,3 milhões de toneladas indica que o reaproveitamento de estéril e rejeito ganhou escala dentro da operação da Vale.
Não se trata, segundo a empresa, de uma ação isolada, mas de uma frente integrada ao planejamento industrial e ambiental da companhia.
Além do volume produzido, a mineradora passou a apresentar a circularidade como parte de sua estratégia operacional.
Esse enquadramento inclui o uso de resíduos para obtenção de minério de ferro e o desenvolvimento de produtos derivados desses materiais.
Com isso, materiais antes destinados ao descarte passaram a ser reincorporados ao ciclo produtivo.
A mudança foi apresentada pela companhia como uma forma de ampliar o uso de recursos já disponíveis nas áreas mineradas.
Reaproveitamento de rejeitos inclui areia sustentável e projetos em Minas
O programa da Vale reúne diferentes iniciativas.
Uma delas é o reaproveitamento de materiais antes classificados como estéril e rejeito para a produção de minério de ferro.
Outra frente envolve a transformação desses resíduos em produtos com aplicação fora da cadeia tradicional da mineração.
Entre os exemplos citados pela empresa está a Areia Sustentável Vale, cuja produção acumulada superou 3 milhões de toneladas desde 2023.
Segundo a companhia, esse material pode ser utilizado em atividades da construção civil.
A mineradora também menciona projetos em Minas Gerais para ilustrar o avanço da estratégia.
Em Capanema, por exemplo, a operação usa material depositado em pilha de estéril para gerar minério de ferro.
Em Vargem Grande, o reaproveitamento de resíduos também integra as ações voltadas à redução de passivos e ao aumento do aproveitamento do material extraído.
Mariana, Brumadinho e o debate sobre barragens no Brasil
A ampliação desse tipo de medida ocorre em um cenário de maior atenção pública e regulatória sobre rejeitos, barragens e segurança operacional.
No Brasil, o tema ganhou novo peso após os rompimentos em Mariana, em novembro de 2015, e em Brumadinho, em janeiro de 2019.

As duas tragédias levaram o setor mineral a enfrentar maior pressão por mudanças nos processos de gestão de resíduos e nas estruturas de disposição.
Nesse contexto, iniciativas voltadas ao reaproveitamento de materiais passaram a receber mais atenção de autoridades, investidores e comunidades afetadas pela atividade mineradora.
Embora o reaproveitamento de resíduos não resolva, por si só, os desafios ligados à segurança da mineração, a medida se insere em uma agenda mais ampla de redução da necessidade de novas estruturas para disposição de rejeitos e de maior uso dos materiais já extraídos.
Metas ambientais e eficiência operacional entram na estratégia
A Vale associa a expansão da mineração circular às metas de descarbonização anunciadas pela companhia.
Segundo a empresa, o reaproveitamento de materiais contribui para reduzir emissões ao diminuir a necessidade de movimentação, descarte e disposição de novos volumes de resíduos.
No balanço divulgado pela mineradora, o programa evitou em 2025 a ocupação de volume para disposição de resíduos equivalente a mais de 300 vagões carregados de minério de ferro.
O dado foi usado pela companhia para dimensionar o espaço que deixou de ser destinado ao descarte de material.
Além da dimensão ambiental, a empresa relaciona a iniciativa à eficiência operacional e ao melhor aproveitamento econômico de materiais antes descartados.
A estratégia também passou a ser observada no mercado como parte do esforço da mineradora para integrar produção, gestão de resíduos e metas ambientais.
Minas Gerais concentra exemplos da mineração circular da companhia
Parte dos exemplos apresentados pela Vale para mostrar o avanço da mineração circular está em Minas Gerais, estado que concentra operações relevantes da companhia.
Ali, a empresa vem associando o reaproveitamento de materiais à redução de resíduos e à criação de novos usos para subprodutos minerais.
Com isso, a discussão sobre mineração circular passou a ocupar espaço maior no noticiário do setor.
Além dos números de produção, a estratégia chama atenção por indicar como materiais antes descartados passaram a ser incorporados de forma mais ampla ao processo produtivo da mineradora.
Fonte: Click Petroleo e Gás
