Brasil foi terceiro país com mais mortes na mineração em 2020

O Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM, na sigla em inglês) registrou 44 mortes no setor em 2020. Os dados constam em relatório sobre o desempenho de segurança das atividades divulgado nesta terça-feira (8) e incluem apenas os relatos dos 28 membros da entidade – que incluem as maiores mineradoras do mundo. O Brasil ocupa o terceiro lugar na lista dos países com maior registro de mortes, com quatro casos.


O número de mortes registradas por estas empresas no ano passado representa 15,3% das 287 fatalidades ocorridas em 2019. A princípio, pode parecer um avanço na segurança das operações. No entanto, do total registrado naquele ano, 270 ocorreram apenas no rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, operada pela Vale em Brumadinho (MG).

"Tragicamente, fatalidades continuam a ocorrer e, em 2020, 44 trabalhadores de empresas membros do ICMM perderam a vida", afirma o diretor-executivo do instituto, Rohitesh Dhawan, no prefácio do relatório.

"Uma única fatalidade é demais e, como indústria, devemos fazer melhor. Acreditamos que todos têm um papel a cumprir para garantir que os trabalhadores voltem para casa com segurança", acrescenta Dhawan no documento, publicado pelo ICMM desde 2012, quando 91 mortes de trabalhadores foram registradas pelos membros do instituto.

Empresas

Entre estas empresas estão mineradoras como Vale, BHP, Rio Tinto, Newmont, Codelco, Hydro e Glencore, entre outras peso-pesado do setor.


Entre os membros, a Sibanye Stillwater lidera a lista com o registro de nove mortes. Em seguida aparecem Glencore, com oito; AngloGold Ashanti, com seis; Freeport-McMoran, com cinco; Vale, com quatro; e Anglo American e Africa Rainbow Minerals, com duas cada. Alcoa, Barrick Gold, Codelco, Gold Fields, Mitsubishi Materials, Orano, Polyus e South32 registraram uma fatalidade cada e as demais empresas-membro não tiveram mortes em 2020.

Antofagasta, BHP, Hydro, JX Nippon, Minera San Cristobal, Minsur, MMG, Newcrest, Newmont, Rio Tinto, Sumitomo Metal Mining e Teck Resources não relataram nenhuma morte no ano passado.

Países

No caso dos países, a África do Sul concentrou 22 mortes, metade dos casos relatados, seguida pela Indonésia (seis), Brasil, (quatro), Cazaquistão (três), Chile e Gana (duas cada), e República Democrática do Congo, Moçambique, Nigéria, Peru e Rússia, com uma morte cada.

No relatório, o ICMM observa que, no geral, em 2020 houve um aumento de 17% no número de incidentes que resultaram em mortes, ao mesmo tempo em que foi registrada uma redução de 2% no total de horas trabalhadas, ambos em comparação com 2019.

"Houve três incidentes que resultaram em mais de uma fatalidade, o que é metade do número de vários incidentes fatais em 2019", relata o documento.

Principalmente após o rompimento da barragem de Brumadinho, as mineradoras passaram a sofrer pressão de acionistas e governos para cumprir os próprios padrões ambientais, sociais e de governança (ESG). Algumas empresas, inclusive, começaram a vincular os bônus dos executivos diretamente a resultados ESG mensuráveis.

"Os membros do ICMM têm um compromisso inabalável com a saúde e segurança de seus trabalhadores e estão trabalhando para eliminar as fatalidades, com o objetivo de zero danos.

O relatório também analisa fatalidades com base na causa (ou "perigo"). Em 2020, 12 mortes foram causadas por incidentes de "queda do solo" e oito foram relacionadas a equipamentos móveis e transporte.


Fonte: Notícias de Mineração do Brasil

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