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AngloGold Ashanti investe R$ 1 bilhão para voltar a ser competitiva


Entrevista exclusiva com Marcelo Pereira, Presidente da Anglogold Ashanti Latam

Marcelo Pereira, Presidente da AngloGold Ashanti Latam

 

Garantir a continuidade dos negócios, desenvolver novas oportunidades, visando ganho de escala e redução de custos e tornar a empresa novamente competitiva, baseada nos conceitos de sustentabilidade. Estes são os principais desafios de Marcelo Pereira, novo Presidente da AngloGold Ashanti Latam, num momento em que a empresa enfrentava alguns problemas relacionados com a operação da planta de metalurgia do Queiroz, em Nova Lima (MG) e resultados negativos das operações que levaram à paralisação de uma das minas da empresa, Córrego do Sítio, no município de Santa Bárbara (MG).

Para o executivo, a paralisação (temporária) de Córrego do Sítio, em agosto de 2023, foi uma decisão difícil, cujos impactos a companhia buscou minimizar, principalmente do ponto de vista dos recursos humanos, já que várias pessoas que trabalhavam na operação foram realocadas em outras unidades. “Córrego do Sítio operou durante dois anos com resultados negativos e a projeção que tínhamos para os próximos anos era de muitos investimentos e custos altos e ainda resultados negativos. Então, buscando a solidez e toda a responsabilidade com as nossas outras operações na América Latina e principalmente no Brasil, tivemos que tomar a decisão de paralisação temporária desse ativo. Essa paralisação temporária, é importante ressaltar, é exclusivamente para produção. Todas as outras atividades relacionadas a segurança patrimonial, recuperação de áreas e estruturas, estão mantidas. Nossos investimentos nas questões ambientais, de reparação, e manutenção dos quadros (hoje há cerca de 200 pessoas nessa operação), continuam sendo feitos. Seguimos fazendo uma série de reavaliações desse ativo, principalmente de estudos alternativos de retomada dessa operação de forma segura e responsável. Temos toda uma abertura, inclusive de avaliação de possíveis parcerias”.

Ele acrescenta que a AngloGold Ashanti continua fazendo investimentos importantes no País, devendo fechar 2023 com um desembolso entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão. Para 2024, embora o orçamento ainda não esteja fechado, a expectativa é que sejam mantidos os mesmos níveis de investimento de 2023. Os desembolsos, segundo Marcelo Pereira, estarão direcionados para a confirmação das reservas, a fim de garantir a longevidade das operações, principalmente nas unidades de Cuiabá e Serra Grande, mas também na unidade que a empresa mantém na Argentina, Cerro Vanguardia, na Patagônia, melhoria da produtividade e também no programa de descaracterização das barragens. O dirigente espera uma retomada “muito forte” no ritmo de produção da empresa. “2023 foi bastante desafiador no sentido de que no começo do ano houve problemas com a operação da planta de metalurgia do Queiroz, o que trouxe impacto na escala de produção, mas isto está sendo resolvido e estamos adotando medidas para a retomada da planta em 2024, a fim de ter escalabilidade de produção e, principalmente, redução dos custos, trazendo mais uma vez a competitividade que se espera”, diz ele.  

A empresa está priorizando também a solução dos problemas existentes nas barragens de rejeito. “Somos uma empresa de 189 anos e temos barragens com 70 anos de operação. A adequação às legislações atuais e a modernização das técnicas de construção de barragens fazem parte da nossa transformação. Um dos grandes investimentos que temos feito é a continuação da reparação, descaracterização dessas estruturas, o que vai trazer para a empresa uma redução da sua exposição aos riscos, e principalmente uma contribuição muito forte às comunidades com quem atuamos. Até 2022, fomos a primeira empresa de mineração de ouro no Brasil a ter 100% de disposição a seco, ou seja, com a instalação de filtros que nos permitem sair da disposição convencional para a disposição em grão em barragem de rejeito. O nosso desafio agora é continuar com essa prática, modernizar ainda mais, se possível, ao mesmo tempo em que fazemos o projeto de descaracterização das estruturas. Isso traz um pouco o conceito de sustentabilidade, principalmente respeito às comunidades com quem atuamos, além do cumprimento dos requisitos legais atribuídos ao nosso negócio”.  

Ainda com relação a Córrego do Sítio, o dirigente diz que sua paralisação impacta de forma relevante a produção, porque era uma operação que aportaria 110 mil onças, em bases normais. “Paralisamos temporariamente essa operação no mês de agosto e até então havia sido produzido cerca de 40 mil onças. Então o stress é de aproximadamente 70 mil onças. Mas foram adotadas medidas bastante inteligentes para minimizar o impacto que essas quedas poderiam trazer, com maior produção nas nossas operações de Cuiabá”. Nesta mina, a empresa inicialmente trabalhava com uma projeção de 180 mil onças e pode chegar a 247 mil onças. “Estamos trabalhando ainda buscando algumas outras oportunidades. Em Goiás também temos explorado o melhor possível as nossas variações de produção. Mas não é fazer produção a qualquer preço e sim garantir que o que estamos fazendo agora seja o correto, para não impactar os anos seguintes”. Ele acrescenta que, para 2024, a empresa espera compensar ainda mais as perdas de produção que teve este ano.

Nessa jornada de recuperação da produção e melhoria da performance operacional, o novo Presidente da AngloGold Ashanti Latam ressalta que as operações da empresa são de grande profundidade, o que é desafiador. Em Cuiabá, por exemplo, as operações estão a 1.600 metros de profundidade. Córrego do Sítio, por sua vez, está a 1.200 metros. Ele salienta que a legislação do trabalho no País tem 80 anos (é de 1943), e ainda prevê, para operação em subsolo, uma jornada de trabalho de seis horas, apesar do avanço das tecnologias. “Há operações de mina subterrânea em países como Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e outros, já com escalas de 12 horas. Nós queremos ter uma competitividade melhor a partir desse modal. Seguimos fazendo nossos estudos, procurando a melhor maneira possível de tornar nossas operações mais produtivas, para que isso não impacte de forma negativa ou anule os benefícios que precisamos ter para nos mantermos competitivos”. Estamos fazendo tudo para que possamos retomar a operação de Córrego do Sítio. Ainda não temos um cronograma de retomada, mas vamos avaliar com mais afinco, maior profundidade, para a retomada dessa operação. Fizemos gestões com as prefeituras, com a ANM, e todas as partes interessadas concernentes ao nosso negócio”.

Com relação aos investimentos nas outras operações, seguimos investindo fortemente em tecnologia. Vale ressaltar que fiquei encantado assim que cheguei na empresa, porque vi que temos diversas tecnologias que trazem nossas operações para níveis muito bons. Nós temos, por exemplo, carregadeiras que são de controle remoto, operamos carregadeiras a 1.200 metros de profundidade a partir de uma sala de controle na superfície, em Cuiabá e também em Serra Grande. Assim como temos um sistema de monitoramento, dentro dessa mina, que é fantástico sob o ponto de vista de garantia de segurança, necessária para qualquer evento. Fazemos acompanhamento de todas as pessoas dentro da mina, a 1.300 ou 1.400 metros de profundidade. O sistema de monitoramento, que chamamos de people tracking, monitora todas as pessoas em subsolo, em tempo real. E em dezembro de 2023 vamos receber a primeira carregadeira elétrica no País, para operar em subsolo, o que é muito importante, porque reduz as emissões e diminui o risco de exposição das pessoas a gases que poderiam ser gerados. É um investimento significativo, da ordem de R$ 5 milhões, em parceria com a empresa Epiroc. Estamos fazendo esses investimentos para garantir melhora da nossa competitividade e maior produtividade das operações”.

Com relação às descaracterizações de barragens – atualmente a empresa tem sete estruturas no Brasil, há um cronograma específico para cada uma delas. “Mas posso dizer que elas estão seguras. Temos feito investimentos importantes na instalação de instrumentações que nos permitem avaliar, de forma preventiva e assertiva, o comportamento das nossas estruturas. Muitos investimentos têm sido feitos nos últimos anos, não só na formação de equipes multidisciplinares, mas principalmente de especialistas para suportar nossas operações, atendendo inclusive aos melhores padrões, não só nacionais, mas também internacionais, de gestão de barragens. Temos feito inspeções e auditorias regulares para garantir que nossas estruturas estão seguras. Esse cronograma segue algumas premissas. Temos uma barragem a montante apenas, a de Serra Grande, a qual temos até 2025 para fazer a descaracterização de acordo com a Resolução 95 da ANM, mesmo porque temos alguns compromissos com o Ministério Público e com a Justiça do Estado de Goiás, com quem estamos discutindo. É nosso pleno interesse que consigamos fazer as obras de descaracterização com a maior brevidade possível, respeitando as regras da própria engenharia, para que possamos devolver a tranquilidade e principalmente honrar o nosso compromisso com as comunidades com as quais atuamos e fazer 100% pela segurança das pessoas que estão na nossa Zona de Autossalvamento e de Salvamento Secundário”.

Sobre a unidade da Serra Grande, Marcelo Pereira afirma que este continua a ser um ativo importante dentro do portfólio da empresa, que têm feito investimentos importantes em pesquisa, que levaram à descoberta de novos recursos e reservas.

“Temos trabalhado de forma firme na gestão, tanto dos investimentos quanto dos gastos operacionais em Serra Grande. Foi feita uma reestruturação, inclusive com novas lideranças e temos trabalhado na descaracterização da barragem. Queremos operar Serra Grande da melhor forma possível. É um ativo que já tem um histórico de longa data. Estamos descobrindo novas regiões, mas a operação se torna cada vez mais profunda e desafiadora, do ponto de vista de custo. Os teores têm caído de forma bastante relevante, nos últimos anos”, detalha Marcelo, acrescentando que a projeção de produção para 2023 está abaixo de 100 mil onças e que, portanto, a empresa precisa buscar alternativas para manter a performance desse ativo acima do nível de 100 mil onças, “o que vai fazer com que ele opere gerando resultados positivos e pague os investimentos. Fazemos investimento em pesquisa mineral, no refinamento do modelo geológico, e buscando todas as alternativas possíveis para que se tenha o melhor resultado. A intenção é manter o ativo dentro do portfólio. Evidentemente avaliações são feitas a todo momento, porém nosso objetivo é manter o ativo, gerando resultado positivo e principalmente não abrindo mão da descaracterização de sua barragem”, conclui. 


(Por Francisco Alves e Mara Fornari)


Fonte : Brasil Mineral

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