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América Latina se destaca e atrai US$ 3,28 bilhões dos investimentos em 2025

  • há 6 horas
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Chile, Peru, México, Argentina e Brasil foram os países que lideraram os investimentos na América Latina, segundo o World exploration Trends 2026


A América Latina liderou a atração de investimentos em exploração mineral em 2025, captando US$ 3,28 bilhões dos US$ 12,4 bilhões destinados à atividade globalmente no ano, com destaque para Chile, Peru, México, Argentina e Brasil. É o que indica o relatório World Exploration Trends 2026, elaborado pela S&P Global Marketing Intelligence.


Segundo o relatório, um crescimento decepcionante do PIB global e do consumo -- o que fez com que as empresas dependentes do mercado continuassem a ter dificuldades para acessar recursos destinados exclusivamente à exploração, embora o mercado tenha demonstrado considerável interesse em financiar o desenvolvimento de minas -- juntamente com uma persistente superoferta de algumas commodities, principalmente lítio, níquel e zinco, contribuíram para que os orçamentos globais de exploração fossem reduzidos pelo terceiro ano consecutivo, caindo 1% em 2025, para US$ 12,4 bilhões, distante do pico de 2022, quando os investimentos totalizaram US$ 13,10 bilhões.


Ainda de acordo com a análise, conflitos na Europa e no Oriente Médio continuam a prejudicar a estabilidade global. A escalada das ações comerciais entre os EUA e a China se espalhou para outros países, com o aumento dos controles de exportação de semicondutores e terras raras marcando um novo capítulo na rivalidade entre EUA e China. Além disso, os EUA reduziram os investimentos e incentivos em energia verde implementados pela administração anterior.




Em meio a esses desafios, o ouro surgiu como um ponto positivo, com a incerteza impulsionando os preços do metal para recordes históricos. No final de 2025, o preço do ouro atingiu US$ 4.325 por onça, num movimento de alta atribuído às tensões geopolíticas, fortes compras por parte dos bancos centrais e expectativa de cortes nas taxas de juros dos EUA. Os preços mais altos do ouro se traduziram em aumento nos orçamentos de exploração, com alta de 11%, para US$ 6,15bilhões. Porém, como acentua o relatório, o aumento nos preços dos metais preciosos também impactou negativamente os orçamentos. “No Canadá, por exemplo, os orçamentos para ouro diminuíram em 2025, já que várias empresas se esforçaram para colocar seus ativos em produção para aproveitar o cenário de preços”. Mas o ouro, sozinho, não conseguiu sustentar a indústria de exploração, “já que quedas significativas em muitas outras commodities, principalmente o lítio, puxaram o setor para baixo. Além disso, a modesta diminuição de 1% nos gastos com exploração é mais significativa quando se leva em conta a inflação. Olhando para 2026, vemos sinais de melhoria, embora o ambiente geral permaneça incerto.


A vez das Junior companies


O ano de 2025, no entanto, foi bom para as juniores companies, já que a captação de recursos por estas empresas e intermediárias mais que dobrou em comparação com 2024, com os fundos captados no segundo semestre do ano sendo duas vezes maiores que no primeiro semestre, refletindo um otimismo crescente. A maioria dos metais, liderados por ouro, prata, cobre e terras raras, apresentou uma recuperação no financiamento. Mesmo o lítio e o níquel registraram alta nos recursos captados, , apesar das recentes pressões sobre os preços.


Em contrapartida, embora a tendência de queda tenha se revertido após anos de declínio, a captação de recursos para cobre, lítio e níquel permanece abaixo dos níveis de 2021, com exceção apenas do ouro e da prata, que apresentaram melhorias significativas. “Deve-se notar também que uma grande parte dos fundos captados está sendo destinada ao desenvolvimento de minas, em particular minas de ouro”, pontua o relatório.


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A expectativa para o futuro é que o cobre, a prata e o ouro impulsionem os orçamentos de exploração, sustentados pelos preços elevados previstos para persistir no médio prazo. Já as alocações orçamentárias para níquel e lítio podem estabilizar ou se recuperar ligeiramente à medida que os preços começam a se recuperar e os excedentes de mercado diminuem. Em contrapartida, a seleção de materiais metálicos para baterias está evoluindo rapidamente, o que pode determinar se esses metais se recuperam ou caem ainda mais.


“No geral, esperamos que a atividade de exploração aumente em 2026, com os orçamentos para metais preciosos aumentando globalmente. Do ponto de vista regional, espera-se que a Austrália apresente um crescimento orçamentário muito forte, já que a atividade aumentou significativamente no segundo semestre de 2025”.


Mas a grande estrela parece que será o ouro, já que os orçamentos para exploração disparam com a alta de preços. “A alta do preço do ouro impulsionou uma retomada na exploração aurífera, com orçamentos aumentando 11%, para US$ 6,15 bilhões. No início de 2025, o preço do ouro rompeu o nível de resistência psicológica de US$ 3.000/oz e tem apresentado tendência de alta desde então, atingindo uma alta histórica de US$ 4.539/oz no final de 2025. A alta nos preços do ouro foi impulsionada por uma tempestade perfeita de fatores, incluindo a ampliação das tensões geopolíticas, o aumento da acumulação por bancos centrais e as crescentes expectativas de cortes nas taxas de juros do Fed”, indica a S&P Global



Domínio das grandes


Apesar do avanço das empresas juniores e intermediárias, as grandes empresas continuam a dominar a exploração aurífera, representando 57% dos orçamentos totais, com US$ 3,50 bilhões — um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Sua estratégia permanece focada em gastos com ativos próximos às minas e em produção, que ultrapassaram a marca de US$ 2 bilhões — o maior valor em nossos registros — e representaram mais de dois terços da alocação total de ouro das grandes empresas. As empresas juniores também aumentaram as alocações de ouro, embora modestamente 2%, para US$ 1,87 bilhão.


Em termos de país, o Canadá permaneceu o principal destino para a exploração de ouro em 2025, com um orçamento de US$ 1,27 bilhão, apesar de uma queda de 2% em relação ao ano anterior, impulsionada pela consolidação, realocação de recursos e uma redução no número de projetos em desenvolvimento. A Austrália, por sua vez, registrou o maior aumento, de 19%, para US$ 1,09 bilhão, marcando uma reversão em relação ao desempenho do país em 2024. A retomada da Austrália, conforme o relatório, foi impulsionada por um aumento significativo no número total de exploradores, particularmente no setor júnior.



O cobre também tem se destacado, já que os orçamentos para a exploração do metal têm aumentado consistentemente desde 2017, com exceção da queda relacionada à COVID em 2020. Em 2025, os orçamentos subiram mais 2%, para US$ 3,27 bilhões, o maior valor em 12 anos. “Os preços do cobre têm apresentado uma tendência de alta desde a mínima de menos de US$ 4.800 por tonelada métrica em março de 2020, chegando a US$ 12.450/t no final de 2025. Um aumento na demanda (tanto real quanto prevista) devido ao papel do cobre na descarbonização e no boom da IA está impulsionando o aumento do preço do metal, que foi amplificado pela incerteza global em torno de tarifas e geopolítica”, opina S&P Global.


Também no cobre as grandes empresas continuam a dominar a exploração, como tem acontecido nos últimos 18 anos, com um aumento de 9% em 2025 elevando os orçamentos para mais de US$ 2 bilhões pela primeira vez em 2025.


As empresas juniores, por outro lado, declinaram, encerrando uma sequência de quatro anos de crescimento. Tal queda é atribuída a um ambiente de financiamento desafiador e a uma ênfase crescente no desenvolvimento em vez da exploração.


Ao contrário do ouro e do cobre, o lítio foi o mineral com o pior desempenho na indústria de exploração em 2025, encerrando uma sequência de crescimento quase ininterrupto desde 2016. Os orçamentos de exploração caíram 46%, ou mais de US$ 500 milhões. Os orçamentos para lítio haviam ultrapassado a marca de US$ 1 bilhão recentemente em 2024. Para compensar, a queda nos preços devido ao excesso de oferta e à moderação na demanda interromperam o ímpeto, forçando as empresas a reduzir os investimentos. Quem sofreu com isso foram as empresas juniores, que têm sido as principais impulsionadoras da exploração de lítio desde 2010. Os orçamentos das junior para lítio caíram 57% em 2025. Em contrapartida, as grandes empresas de exploração e produção de lítio, que historicamente desempenharam um papel menor na exploração do mineral em comparação com as empresas juniores, continuaram a desenvolver seus ativos de lítio existentes, buscando avançar com investimentos de longo prazo. Como resultado, o crescimento de seu orçamento de exploração para 2025 permaneceu positivo, embora relativamente modesto.


Assim como o lítio, o níquel e o cobalto continuaram a enfrentar obstáculos em 2025, marcando o segundo ano consecutivo de declínio. Os orçamentos para níquel caíram 37%, para US$ 332 milhões — o menor valor em cinco anos — enquanto os de cobalto despencaram 41%, para apenas US$ 31 milhões. A explicação é que os preços de ambos os metais estão em trajetória descendente desde 2022, devido ao excesso de oferta e à demanda mais fraca do que o esperado. Mesmo os preços tendo apresentado recuperação recentemente, a mudança contínua na seleção de materiais no cenário da transição energética continua a lançar uma sombra escura sobre ambos os metais críticos.


Já os orçamentos para exploração de urânio e elementos de terras raras continuaram a aumentar no período pós-pandemia. Em 2025, as alocações para essas commodities cresceram 9% e 3%, respectivamente, atingindo US$ 361 milhões e US$ 155 milhões. São os níveis mais altos registrados desde 2015. É que os preços do urânio foram impulsionados pela renovada demanda global por energia nuclear, apoiada pela busca por segurança energética e descarbonização.



O interesse em elementos de terras raras aumentou nos últimos anos devido ao seu papel crucial em eletrônicos de alta tecnologia, motores elétricos e sistemas de defesa, amplificado pela separação entre os EUA e a China.


Um outro dado importante é que a exploração em minas, ou seja, projetos brownfield, atinge recordes históricos, enquanto a exploração de base cai para um mínimo histórico. “A tendência de longo prazo da indústria de mineração de focar em depósitos conhecidos e minas existentes intensificou-se em 2025. Os orçamentos para exploração em e ao redor de minas existentes aumentaram 13%, atingindo um recorde de US$ 5,63 bilhões. Por outro lado, a exploração de base puramente generativa caiu 8%, para US$ 2,57 bilhões. Isso elevou a participação da exploração em minas no orçamento global para um máximo histórico de 45%, enquanto a exploração de base caiu para um mínimo histórico de 21%”, assinala o relatório.


Para os analistas, a redução contínua dos orçamentos para exploração de base sinaliza mais do que uma cautela cíclica. “O capital fluiu para a expansão de recursos e depósitos conhecidos, uma abordagem de menor risco que protege retornos de curto prazo, mas restringe o fluxo de futuras descobertas. As grandes empresas, que dominam a exploração global desde 2012, destinaram apenas 19% de seus orçamentos a trabalhos de base em 2025 — uma grande queda em relação aos 28% em 2015. As empresas de exploração júnior gastaram, em média, US$ 400.000 em investimentos iniciais em 2025, um contraste gritante com o pico de gastos médios de US$ 1 milhão em 2012”.



Um dos argumentos é que o aumento das taxas de juros de 2022 a 2024 privou as empresas juniores do capital necessário para realizar exploração. “Isso levou as empresas a concentrarem os fundos captados em ativos próximos da fase de produção, para garantir retornos mais rápidos, aproveitando os preços elevados dos metais e deixando a exploração geradora de projetos em segundo plano. Canadá e Austrália — onde as empresas juniores dominam — viram reduções nas alocações para projetos em estágio inicial, principalmente devido à redução dos gastos com lítio e níquel”.


As empresas juniores também lideraram a retração na exploração em estágio avançado, cortando orçamentos para projetos de cobre e lítio na Argentina e nos EUA. “Esse declínio foi agravado pelo desempenho persistentemente fraco dos preços — particularmente para lítio e níquel — e pela conclusão de inúmeros trabalhos em estágio avançado e estudos de viabilidade. A exploração em estágio final caiu para 34% dos orçamentos globais, o menor percentual desde 2003”.


O relatório aponta, ainda, que o declínio tanto na exploração inicial quanto na fase final impulsionou a participação da exploração em minas para um recorde de 45% em 2025, impulsionada pelos esforços para expandir a produção em minas de ouro e cobre para capitalizar os preços elevados.


“As grandes empresas dominaram o trabalho em minas, com alocações que ultrapassaram US$ 4 bilhões pela primeira vez em nossos registros. Embora o Canadá e a Austrália mantivessem suas posições como principais locais de exploração em minas, a Arábia Saudita emergiu como um destaque, com o Reino canalizando capital significativo para avançar em sua iniciativa Visão 2030 voltada para a diversificação da economia além do petróleo e gás”.


Para os analistas da S&P Global, a exploração geradora diminuiu em favor da expansão de depósitos existentes pelo 17º ano consecutivo em 2025, “continuando uma tendência que, em última análise, terá um impacto significativo nos inventários de projetos e no desenvolvimento de minas. Como mostra a pesquisa da S&P Global, leva em média 16 anos para levar um depósito da descoberta à produção. Não prevemos uma reversão iminente dessa tendência, já que as empresas provavelmente complementarão seus portfólios cada vez menores por meio de fusões e aquisições. Embora isso proporcione às empresas individuais acesso imediato ao aumento da produção ou a ativos adicionais para desenvolvimento, não resolve a queda nas taxas globais de descoberta”.


Disparidades regionais


Assim como a variação observada entre as commodities, as regiões apresentaram disparidades significativas no desempenho do orçamento de exploração em 2025. Algumas das maiores nações — notadamente Canadá, EUA e Austrália — viram reduções nas alocações, enquanto houve avanço na África e América Latina.


Canadá e Austrália foram impactados pelo acesso restrito do setor júnior ao fluxo de caixa dos mercados. Já os países da América Latina e da África tiveram um bom desempenho devido ao desempenho dos preços do ouro e do cobre e à grande população de grandes empresas, que têm mais recursos para financiar a exploração. Fora da curva, a Arábia Saudita teve um aumento significativo no orçamento, coo parte do esforço do país em diversificar sua economia.


A América Latina se destacou, mantendo a maior participação no orçamento global de exploração — um padrão que se manteve estável desde que a S&P Global começou a monitorar os orçamentos de exploração na década de 1990 — totalizando US$ 3,28 bilhões, um aumento de 2% em 2025. A resiliência da região é amplamente atribuída à presença dominante das grandes empresas.


“Chile, Peru, México, Argentina e Brasil permaneceram os principais contribuintes para a liderança da região. O Chile, que quase sempre representou a maior participação, registrou um aumento de 10% nos orçamentos de exploração. O Peru apresentou o maior crescimento anual em 2025, adicionando US$ 94 milhões ao seu orçamento. Cobre e ouro permaneceram os dois metais mais explorados na região, ambos com aumentos orçamentários em 2025. Em contraste, os orçamentos para lítio diminuíram, refletindo a recalibração do mercado devido ao excesso de oferta e à queda dos preços”, conclui o relatório.

(Por Francisco Alves)


Fonte: Brasil Mineral


 
 
 

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