Yamana Gold recebe prêmio de previsibilidade

A Yamana Gold, listada nas bolsas de Nova York e Toronto, tem participação em cinco minas em operação no Brasil (mina de Jacobina, na Bahia), Canadá, Chile e Argentina. A quinto, que entrou em operação em 2018, elevou a produção de ouro e prata de 2019 para 850.000 onças e 10,5 milhões de onças, respectivamente.


A consistência na produção é um importante fator em um setor em que flutuações imprevistas da produção causam perturbações comuns no valor das companhias.

A estabilidade da produção nas propriedades da Yamana nos últimos cinco anos é um dos atributos que contribuem para uma narrativa de investimento que destaca a força operacional e financeira subjacente da empresa.

O diretor-executivo da Yamana, Peter Marrone, também chamou a atenção para a longa vida útil das propriedades mantidas pela empresa, em um recente briefing online para investidores.

Apesar das referências de Marrone aos perfis de produção de várias décadas, a posição de reserva mineral da empresa implica uma vida útil média de oito anos em todo o grupo, à taxa de produção de 2019.


Marrone destacou como a reposição contínua de reservas permitiu à mina Canadian Malartic, em Quebec, a maior fonte de produção da empresa, reter uma reserva de sete anos por muitos anos. A mina tem potencial para suportar a produção anual de várias centenas de milhares de onças por décadas, de acordo com a empresa.

Aumentar a taxa de descoberta para mais do que compensar o esgotamento de reservas seria um aumento de valor. Sem isso, a empresa corre o risco de negociar com desconto para outras companhias com perfis de produção e custo semelhantes que se estendem por uma vida útil mais longa.

A reserva mineral relatada relativamente modesta é obviamente um ponto de sensibilidade para Marrone. Ele usou duas medidas de valor - preço ao valor do patrimônio líquido e preço ao fluxo de caixa estimado no ano corrente - para mostrar que as empresas comparáveis de ouro são vistas mais favoravelmente pelo mercado.

Seria de se esperar que as medidas de avaliação baseadas nos fundos investidos ou na produção atual fossem mais baixas para as empresas com a menor vida operacional. O diferencial de valor identificado pela Yamana é consistente com o ceticismo entre os investidores em relação à vida útil da empresa, apesar da alta confiança dos diretores de que a base de reservas pode ser expandida.

A reserva mineral relatada relativamente modesta é obviamente um ponto de sensibilidade para Marrone, que estava sofrendo, em seu briefing, para enfatizar a capacidade de encontrar mais minério. A empresa gastou US$ 135 milhões em 2019 em capital de exploração e expansão nos cinco locais atualmente em operação.

A participação de 50% da Yamana na produção da Canadian Malartic em 2019 foi de 334.596 onças. Marrone sugeriu que a produção anual poderia ser aumentada para 450.000 a 500.000 onças.

Além das oportunidades de melhoria de valor nas propriedades existentes, a empresa possui uma série de alvos de exploração no Canadá e na América do Sul. Marrone expressou confiança de que pelo menos um dos locais de exploração no Canadá e no Brasil será uma mina dentro de 10 anos. Qualquer mina futura precisará demonstrar uma produção anual de 150.000 onças ao longo de oito anos, enquanto reduz a base de custos existente da empresa.

Um elemento atraente da narrativa em torno do posicionamento de investimentos da empresa é o enquadramento de uma política de dividendos. O dividendo da empresa aumentou três vezes no ano passado. Mais importante do que o aumento, foram as orientações aos investidores sobre os fluxos futuros de dividendos.

Os diretores da Yamana decidiram vincular o nível de dividendos à quantidade de ouro produzida. Eles prenunciaram dividendos entre US$ 50 e US$ 100 por onça equivalente em ouro.

A produção equivalente a ouro de 972.000 onças da empresa em 2019 significaria um pagamento de dividendos anual entre US$ 48,6 milhões e US$ 97,2 milhões. O ponto médio implicaria um dividendo de US$ 0,077 por ação, um aumento de 23% na taxa anual mais recente, para um rendimento de 1,5%.

Variações médias mensais dos preços das ações nos últimos cinco anos de 29% inundariam um rendimento ainda modesto de 1,5%. No entanto, os investidores valorizam a previsibilidade. Uma regra baseada em 1,5% valerá mais em valor de mercado do que um dividendo irregular em média de 1,5% e sobre o qual os investidores não podem planejar.

Para ajudar a garantir o impacto do valor da política de dividendos revisada, o pacote de gerenciamento de capital da Marrone inclui a criação de uma reserva financeira capaz de garantir o dividendo por três anos.

Marrone enfatizou a importância da capacidade de produção de caixa da empresa. Nos últimos quatro trimestres concluídos, a empresa gerou caixa de US$ 193 milhões antes dos dividendos e pagamentos de dívidas.

O preço atual do ouro de US$ 1.736/oz fica US$ 271/oz acima do preço médio realizado da empresa nos últimos quatro trimestres. Com o preço mais alto, o caixa em 2019 teria dobrado.

Mesmo com o preço mais alto do ouro, o resultado de 2019, se replicado por 20 anos, o retorno do patrimônio seria equivalente a investir em um título com um rendimento de 4%. Os juros devidos pela dívida corporativa da Yamana são em média de 4,8%.

Mesmo em um mundo com taxas de juros historicamente baixas, o retorno sobre o patrimônio é baixo demais para um investidor orientado ao valor em qualquer setor e muito menos com as características de risco peculiar da mineração de ouro.

Certamente, o preço mais alto do ouro esperado por Marrone seria conveniente para cobrir muitas falhas de avaliação. Mas qualquer número de empresas ou instrumentos financeiros, muitos com sensibilidade potencialmente muito maior a mudanças nas condições do mercado de ouro, estão disponíveis se é isso que motiva um investimento.

Na ausência de um preço mais alto do ouro, a empresa precisa de um crescimento significativo, muito além de qualquer coisa atualmente prevista, para validar seu atual valor de mercado. O artigo foi publicado originalmente no Mining Journal.

* John Robertson é o principal estrategista de investimentos do PortfolioDirect, um grupo de pesquisa e classificação de ações com sede na Austrália. Ele trabalha como economista de políticas, estrategista de negócios e profissional de investimentos há quase 30 anos, depois de iniciar sua carreira como economista do tesouro federal em Canberra, na Austrália.


Fonte:Notícias de Mineração do Brasil

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