Variante Delta e anúncio do Fed favorecem ouro

Os riscos da variante Delta do novo coronavírus e o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, na sexta-feira (27), sinalizando a manutenção das taxas de juros baixas, turbinaram uma nova alta do ouro mediante o movimento de queda do dólar e dos juros de títulos dos EUA.


Após o discurso, os preços dos contratos do ouro com entrega para dezembro encerraram a sessão de sexta-feira (27) cotado a US$ 1.819,50, alta de 1,35% na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex). No acumulado da semana, o contrato do metal subiu 1,99%.

Há alguns dias, o fundador da Mobius Capital Partners, Mark Mobius, passou a recomendar aos investidores uma aplicação de 10% da carteira no ativo em decorrência da desvalorização global das moedas após os intensos estímulos de recursos injetados nas economias. "A desvalorização das moedas globalmente será bastante significativa no próximo ano, considerando a incrível quantidade de oferta de moeda impressa", disse em entrevista à Bloomberg.

A incerteza gerada no cenário macroeconômico global pela pandemia do novo coronavírus fez o ouro ganhar destaque no ano passado, em que acumulou valorização de 56% e bateu recorde de preço, cotado a mais de US$ 2 mil. Neste ano, com a retomada gradual das economias, o ativo vem sofrendo algumas desvalorizações e já acumula perdas de 9,41% em 2021.

Apesar dos altos e baixos, o metal não sai de moda: ele é estratégico e fundamental para proteger países e investidores da inflação e de eventos adversos. Historicamente, o ouro sempre foi utilizado como proteção em momentos de estresse econômico por ser considerado um dos ativos mais tradicionais para a reserva de valor, usado durante muito tempo como lastro para as moedas.

Segundo Luiz Fernando Carvalho, estrategista chefe da Ativa Investimentos, quando existe uma percepção de risco e desvalorização das moedas por conta da inflação ou de alguma crise global, o ouro se torna um porto seguro dos países e também dos investidores, que passam a incluir ou ampliar a posição no ativo. Vale ressaltar que o banco J.P. Morgan projeta uma inflação global acima de 3%.


As preocupações com a variante Delta, a retomada de conflitos no Afeganistão e a escalada de tensões entre Estados Unidos e China podem voltar a aquecer a procura do ouro até que a situação se normalize, diz Paula Zogbi, analista de investimentos da Rico.

Diversos países aumentaram suas reservas de ouro nos últimos meses. As compras realizadas por Tailândia, Hungria e Brasil no segundo semestre deste ano somaram 200 toneladas, de acordo com o Gold Hub. Sérvia e Gana também têm buscado aumentar suas posições.

Segundo o World Gold Council, um em cada cinco bancos centrais pretende elevar suas reservas no próximo ano. Estados Unidos, Alemanha, Itália, França e Rússia são os países com as maiores reservas de ouro. "Estamos acompanhando um excesso global de emissões das moedas fiduciárias e isso gera algumas dúvidas e incertezas, o que têm levado ao aumento do percentual desses governos em ativos como o ouro, que são resilientes diante de qualquer crise", diz Carvalho.

Perspectivas

As taxas de juros baixas são fator fundamental para valorização do ouro, mas um movimento de alta em diversos países, como está ocorrendo no Brasil, pode frear a procura. Nos EUA, o último discurso do Fed sinalizou a manutenção das taxas de juros baixas, fazendo o ativo se valorizar novamente.

"O impacto negativo que as taxas mais altas poderiam trazer provavelmente será compensado pelos efeitos mais duradouros e consequências não intencionais de políticas monetárias e fiscais expansionistas criadas para apoiar a economia global. Isso pode incluir inflação, desvalorização da moeda e maior exposição a ativos de risco em carteiras", avalia o Gold Hub em relatório sobre as perspectivas para o ouro em 2021.

Para Roberto Motta, chefe da mesa de derivativos da Genial Investimentos, é difícil prever se o cenário macroeconômico vai beneficiar ou prejudicar os preços do ouro. Porém, ainda existem riscos globais a serem monitorados que podem impactar novamente na valorização do metal.


As informações são do E-Investidor.

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