Vale prevê investir US$ 40 milhões em equipamentos autônomos em 2021

A Vale prevê investimentos de US$ 40 milhões em seu programa de equipamentos autônomos em 2021. Atualmente, a companhia usa este tipo de equipamento em operações em Minas Gerais e no Pará, incluindo caminhões e perfuratrizes.

O investimento segue a marca obtida pela companhia na mina de minério de ferro de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), onde a mineradora registrou a marca de 100 milhões de toneladas de material movimentado por caminhões autônomos em cinco anos. A empresa comemora ainda o fato de que em cinco anos do projeto não foi registrado nenhum acidente com os equipamentos.


Além dos caminhões, a Vale investe também em perfuratrizes autônomas, sendo que atualmente há 11 delas em operação em Minas Gerais e no Pará. "Outro projeto em curso é de automatizar as máquinas de pátio, que já foi concluído na Malásia e está em implantação em quatro estados do Brasil", disse a companhia.


"A conversão de uma mina para operação autônoma demanda um investimento expressivo. Portanto, a Vale trabalha na análise de viabilidade de todas as unidades para priorizar onde as melhorias serão implantadas", acrescentou.


Brucutu


No caso de Brucutu, os caminhões autônomos que começaram a ser usados em modo de teste na operação em 2016 têm capacidade de transporte de 240 toneladas e percorrem a rota entre a frente de lavra e a área de descarga controlados por sistemas computadorizados, GPS, radares e inteligência artificial. Com esse sistema, os veículos já percorreram 1,8 milhão de quilômetros.



"Em 2019, todos os 13 caminhões que circulam em Brucutu já utilizavam a nova tecnologia, fazendo dela a primeira mina do Brasil com operação 100% autônoma", observou a empresa em nota, acrescentando que o material movimentado pelos equipamentos equivale ao peso de 35 estádios do Maracanã, no Rio de Janeiro.


Segundo a mineradora, os caminhões autônomos também foram responsáveis por maior produtividade da mina devido ao aumento na velocidade em que circulam na operação. "A velocidade máxima dos caminhões, que era de 40 km/h, chegou a 60 km/h. A produtividade horária, medida pela quantidade de minério de ferro transportada por hora, teve aumento de 11% - cinco pontos percentuais a mais do que o esperado", declarou a mineradora em nota.


Além disso, o custo de manutenção também foi reduzido. "Os pneus, por exemplo, tiveram um acréscimo de 35% na sua vida útil - dez pontos percentuais a mais do que o esperado. Além de economia para a empresa, esse número gera menor descarte de resíduos", acrescenta o documento.


A Vale afirmou ainda que os equipamentos foram responsáveis pela redução nas emissões de carbono. Isso porque, de acordo com a empresa, nestes cinco anos "foi comprovado que o consumo de combustível dos caminhões autônomos é 11% menor que o dos tripulados, resultando em uma redução de 4.300 toneladas de CO2 por ano na atmosfera".


Funcionários


Na nota, a companhia ressaltou também que os operadores que antes ficavam na cabine dos caminhões comuns "receberam treinamento e foram realocados para outras funções", inclusive nas salas de controle para operar os veículos autônomos, um ambiente, segundo a empresa, "com ar condicionado, sem vibração e ruídos -, a quilômetros de distância da frente de lavra".


"Com isso, as situações de risco envolvendo os operadores dos caminhões, como tombamento e colisão, foram eliminadas", frisou.


O gerente-executivo do Complexo de Brucutu e Água Limpa, Jefferson Corraide, avalia que hoje há "muitos resultados e aprendizados para serem celebrados com o nível atual de maturidade da mina autônoma". Ele cita a redução da exposição de trabalhadores ao risco como uma das maiores conquistas.


O gerente de Operação e Infraestrutura de Brucutu, Kléber Gonçalves, explica que, dentro da área de lavra, veículos tripulados e autônomos estão em constante interação e, para que a operação seja segura, todos são adaptados. Isso permite aos caminhões autônomos traçar suas rotas e, de forma preventiva, reduzir a velocidade ou até mesmo interromper seu percurso.


"Os equipamentos também possuem sensores que mapeiam e identificam, de forma contínua, o relevo, objetos e pessoas, de modo que a tecnologia autônoma pode paralisar a operação de um ou mais caminhões em caso de mudanças que não estavam previstas no trajeto determinado pelo centro de controle", disse.



Fonte: Notícias de Mineração do Brasil

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