Vale está em diálogo para retomar atividades em complexo paralisado em MG

O diretor-executivo de Ferrosos da Vale, Marcello Spinelli, afirmou ao Estadão/Broadcast que a companhia está com diálogo aberto com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para chegar a um consenso sobre as melhorias necessárias para a retomada das operações da empresa no complexo minerário de Itabira, em Minas Gerais.


As atividades nas minas de Conceição, Cauê e Periquito foram suspensas na sexta-feira (5) por determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, tendo como pano de fundo o aumento de casos de Covid-19 na empresa.

A decisão repercutiu no mercado, que passou a dar como certa uma revisão para baixo na faixa de meta de produção de minério de ferro da Vale para o ano, fixada entre 310 milhões e 330 milhões de toneladas.

Em entrevista anterior ao Estadão/Broadcast, Spinelli admitiu que uma eventual paralisação nas atividades em Itabira (MG) poderia alterar as estimativas de produção da companhia. No ano passado, o complexo gerou 36 milhões de toneladas da commodity. Nesta segunda-feira (8), apesar da interdição, o executivo reafirmou o que a Vale informou em comunicado divulgado no fim de semana: a faixa de meta permanece inalterado. O intervalo de produção já considera um impacto negativo de 15 milhões de toneladas referente a eventuais impactos negativos gerados pela pandemia na produção da Vale.

"Se o problema for algo que ultrapasse esse pulmão de 15 milhões de toneladas, óbvio que temos que voltar atrás e mudar (as estimativas). Hoje a gente entende que não há expectativa de alterar", afirma.

Levando em conta a produção mensal esperada pela Vale, de 2,7 milhões de toneladas no complexo nos próximos meses, o volume pode ultrapassar essa barreira. No entanto, a companhia não trabalha com esse cenário pessimista. "Os elementos da discussão (com o MPT) são convergentes e, sendo convergentes, é possível resolver com mais velocidade", disse Spinelli.


Questionado sobre a hipótese de uma onda de novas decisões similares contra a Vale paralisarem outras operações da companhia, Marcello Spinelli disse que não faria especulação a respeito. As ações da Vale encerraram o pregão desta segunda-feira em alta de 0,31%. A potencial redução da oferta de minério pela Vale traz um efeito colateral positivo para o setor, porque sustenta o preço do insumo em alta.

No comunicado sobre a paralisação das atividades em Itabira, a Vale informava que poderá haver desabastecimento temporário de pelotas para o mercado interno, tendo em vista que o complexo fornece pellet feed para as pelotizadoras do complexo de Tubarão. Spinelli explica que a Vale não carrega muito estoque nessa cadeia porque a logística de distribuição por meio da Estrada de Ferro Vitória-Minas para as siderúrgicas do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Vale do Aço é muito eficiente. "No curto prazo a gente tem problema sim na produção de pelotas, coisa de dias. As siderúrgicas têm algum estoque, mas ele não é eterno", alerta.

Arrecadação

A paralisação das operações da Vale no complexo de Itabira por determinação da Justiça preocupa a prefeitura local, que estima que a empresa responda por 70% da economia do município. "A questão da economia é bastante preocupante. Hoje, em média, a arrecadação mensal de royalties é de R$ 10 milhões por mês. Enquanto o complexo da Vale estiver parado, não receberemos nada", afirma o prefeito de Itabira, Ronaldo Magalhães (PTB).

Ele destaca que a suspensão das operações da mineradora interfere também na arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto Sobre Serviços (ISS), porque vai afetar empresas terceirizadas que prestam serviços para a Vale. Antes da paralisação do complexo da Vale a Prefeitura já projetava uma queda de R$ 37,1 milhões na arrecadação até julho. As informações são do Estadão/Broadcast.

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