Siderúrgicas buscam mais espaço para aço brasileiro nos EUA

A suspensão do sistema de cotas, imposto pelo então presidente Donald Trump em 2018, seria bem-vinda para as siderúrgicas brasileiras.





As siderúrgicas brasileiras veem as consequências comerciais da invasão da Ucrânia pela Rússia como um gatilho para os EUA suspenderem restrições à importação de aço do país.

A indústria siderúrgica nacional pediu que o Ministério das Relações Exteriores tente retomar negociações com autoridades dos EUA para revogar as medidas da chamada Seção 232, que limitam as vendas de produtos semiacabados, sobretudo placas, a 3,5 milhões de toneladas por ano.

A informação é de Marcos Faraco, presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil. No mês passado, o Japão chegou a um acordo para zerar tarifas sobre a maior parte do aço que vende para os EUA.

Dado que os EUA importam mais de 1 milhão de toneladas de placas de aço da Rússia, a escalada das tensões geopolíticas fortalece os argumentos a favor do Brasil, nono maior produtor mundial de aço.

A suspensão do sistema de cotas, imposto pelo então presidente Donald Trump em 2018, seria bem-vinda para as siderúrgicas brasileiras, que enfrentam alta de custos diante das crescentes limitações nos mercados de energia e carvão por causa da guerra.

“Neste momento essa discussão é muito mais pertinente”, disse Faraco em entrevista. “Os EUA passam a ter essa necessidade e o Brasil tem condições de atender à demanda.”

As companhias brasileiras estão tentando trazer carvão dos EUA, Canadá e Austrália para substituir o que vinha da Rússia e Ucrânia. Há pressa porque os estoques existentes são suficientes para 120 a 150 dias, segundo Faraco.

O encarecimento do carvão reforça o plano do Aço Brasil de produzir mais a partir de sucata, que gera cerca de 90% menos emissões de gases causadores do efeito estufa do que o produto feito a partir de minério de ferro e carvão. O Brasil não é autossuficiente, mas exporta de 10 a 15% da sucata ferrosa que produz.

“Precisamos rever a política de exportação dessa matéria-prima, uma vez que o benefício não fica no país e no produto industrializado por aqui”, disse Faraco, que também é executivo da Gerdau. “Estamos exportando créditos de CO2 em forma de sucata.”

O instituto discute com as autoridades medidas em prol da sucata, como um programa de renovação da frota com incentivos à a retirada de veículos antigos de circulação, seu uso para produção de sucata para a siderurgia e, na ponta final, a produção de veículos novos com menor pegada de carbono.

A indústria siderúrgica também aposta no aumento da eficiência energética e na migração para fontes renováveis de energia para reduzir a emissão de poluentes até 2030, quando devem estar disponíveis novas tecnologias para produção mais limpa de aço.

Fonte: Bloomberg.

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