Setor mineral investe em desenvolvimento de soluções sustentáveis para rejeitos de mineração



O rejeito de mineração é o que sobra após o beneficiamento do material que é retirado da mina (minério lavrado). A maior parte da disposição de rejeitos da mineração mundial se faz por barragens de rejeitos, que também tem a função de reserva de água para o reúso na mina e/ou no beneficiamento.


Entretanto, existem outros sistemas de disposição de rejeitos, como em frentes de lavra já exuridas nas minas subterrâneas, em cavas exauridas de minas, por empilhamento a seco (método “dry stacking”), por disposição em pasta e filtragem para disposição a seco.


A transformação destes rejeitos em novos produtos e coprodutos ainda é um desafio. Porém, o setor mineral brasileiro investe cada vez mais em pesquisas e inovações tecnológicas em busca de soluções para uma destinação econômica e sustentável destes rejeitos. A chamada economia circular seria uma alternativa que busca a transformação de rejeitos de mineração em novos modelos de negócios, gerando diversos benefícios socioambientais e econômicos.


Lama para pavimentação de alta durabilidade desenvolvido pela Samarco; agrominerais pesquisados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) a serem utilizados como remineralizadores de solos; e o projeto da Nexa que transforma todo o resíduo gerado em duas unidades da empresa em Zincal. Estes são alguns exemplos de coprodutos da mineração que podem beneficiar diversos outros setores industriais, como a construção civil e a agroindústria.


Areia sustentável

A areia é o recurso natural mais explorado do mundo depois da água, com aplicações que vão de concreto e asfalto, à fabricação de vidro e chips para a indústria eletrônica. Nas últimas duas décadas a demanda triplicou devido à urbanização e ao crescimento populacional na Ásia e na África. Espera-se que em 2030 a demanda chegue a 50 bilhões de toneladas por ano.


Após sete anos de pesquisas, a Vale desenvolveu uma solução que se torna uma fonte sustentável de areia e ao mesmo tempo reduz o volume de rejeitos gerados pela mineração. A areia sustentável é um coproduto do processamento de minério de ferro.


“A Vale já investiu cerca de R$ 50 milhões e fez parceria com mais de 40 organizações, entre universidades, centros de pesquisa e empresas nacionais e estrangeiras, para estudar aplicações para o material proveniente do processamento do minério de ferro”, explica André Vilhena, gerente de Novos Negócios. “Nosso objetivo é inovar para tornar a mineração mais sustentável e inteligente, promovendo a economia circular e beneficiando a sociedade”.


Um estudo feito pelas Universidade de Queensland e Universidade de Genebra, publicado em abril deste ano, aponta que a areia sustentável pode contribuir para solucionar duas importantes questões ambientais, ao reduzir tanto a extração de areia do meio ambiente como a geração de rejeitos de mineração. O estudo teve contribuição da Vale, que cedeu amostras da sua Areia Sustentável produzida na mina de Brucutu (MG) para que as universidades fizessem uma análise independente do material.


Os pesquisadores apontaram que, da perspectiva técnica, a areia das operações de minério de ferro pode ser um substituto direto da areia extraída do meio ambiente na fabricação de tijolos, na pavimentação asfáltica, em aterros, e na manufatura de cimento. Quando mesclada com areia mais grossa e outros agregados, pode ser utilizada na produção de concreto e argamassa, drenagem e melhoria do solo, e tratamento d’água.


Somente em 2021 a Vale comercializou e doou cerca de 250 mil toneladas de areia. Cada tonelada de areia produzida representa uma tonelada a menos de rejeito sendo disposta em pilhas ou barragens. A previsão é destinar um milhão de toneladas em 2022 e chegar a dois milhões de toneladas em 2023. O reaproveitamento desse material reduz a disposição em barragens e está alinhado ao esforço da empresa para evitar rompimentos como o de Brumadinho.


Simpósio


O tema da economia circular na mineração será abordado durante o Congresso Brasileiro de Mineração na EXPOSIBRAM 2022. No formato de um Simpósio, será realizado no dia 15 de setembro, a partir das 10h. Os debates contarão com a participação da Embrapii, CNI (Confederação Nacional da Indústria) e convidados do grupo de trabalho do ESG da Mineração sobre Gestão de Resíduos, que apresentarão os seus cases de sucesso. Além disso, durante o Simpósio será lançado o e-book “Circularidade na Mineração e Apresentação de casos práticos”.


Sobre a EXPOSIBRAM 2022


Considerada uma das maiores exposições de mineração da América Latina, a EXPOSIBRAM reúne a cadeia produtiva da mineração com as principais companhias mineradoras de atuação global e nacional, fornecedores de máquinas, equipamentos e serviços, representantes de instituições de pesquisa e universidades, delegações empresariais e governamentais de diversas nações, entidades de classe, empresas e autarquias ligadas ao setor público, além de importantes executivos e especialistas de vários segmentos para a discussão de temas relacionados à indústria mineral nacional e internacional, em um só lugar.


A área da exposição contará com cerca de 14 mil m². No espaço, serão apresentadas as principais tendências em tecnologia, equipamentos, softwares e outros produtos ligados à indústria mineral, além de dados sobre investimentos, projetos minerários, entre outros assuntos.


Realizado em paralelo à exposição, o Congresso Brasileiro de Mineração atrai a cada edição mais de 1300 participantes entre especialistas, pesquisadores, estudantes e representantes de empresas. A programação contará com palestras, debates, talk-shows com temas de contexto político, socioeconômico global, perspectivas para negócios, tecnologia e inovações, meio ambiente, investimentos, entre diversas outras temáticas.


Para mais informações acesse: https://ibram.org.br/evento/exposibram-2022/



Fonte: Portal da mineração



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