Potencial mineral de Sergipe é avaliado para produção de fertilizantes

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e o governo de Sergipe vão avaliar o potencial mineral do estado para incentivar a produção de fertilizantes a partir da aprovação da Lei do Gás. Segundo o órgão, será desenvolvido um mapeamento geológico detalhado para ampliar o conhecimento sobre os recursos minerais existentes e para criar um cenário mais atrativo para a exploração mineral.


A meta do executivo local é apoiar o beneficiamento do potássio, além da extração, através da dissolução da carnalita, de forma a aumentar a produção nacional de fertilizantes. A retomada do Projeto Carnalita, que chegou a ser anunciado em Sergipe pela Vale, também foi discutida durante a reunião.

Sergipe espera atrair empresas de fertilizantes e de atividade cerâmica, petroquímica e produção de vidros, todos consumidores intensivos do gás. A aprovação da Lei do Gás viabilizou ainda a reabertura da antiga Fafen (Unigel Agro Sergipe).

O superintendente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Sergipe, Marcelo Menezes, destaca que o objetivo é apoiar o desenvolvimento de projetos para exploração mineral, considerando a disponibilidade do gás para o seu processamento e beneficiamento. "Fazendo com que o gás não seja apenas transportado por Sergipe, mas procurando desenvolver a indústria local, procurando gerar emprego e renda", explicou.

Também participaram da reunião o diretor-presidente do CPRM, Esteves Colnago, e o deputado federal Laércio Oliveira (Solidariedade-SE).

Mineração no agronegócio


A importância do investimento na mineração para potencializar o cenário do agronegócio no país foi o tema de um debate conduzido por Eduardo Gama, diretor-executivo da startup Minery, que lançou em 2018 uma plataforma que conecta pequenos mineradores a compradores nacionais e internacionais.

Presente no evento, o diretor de Geologia e Recursos Minerais do CPRM, Marcio Remédio, apresentou dados sobre as importações minerais que o Brasil vem fazendo ao longo dos anos. Segundo ele, o país precisa "produzir para que não falte alimento no mundo", já que, se as atividades nacionais não estão sendo aproveitadas da maneira que o potencial pede, em algum momento diversos outros países sofrerão com a falta de recursos.

"A produção agrícola precisa crescer muito no Brasil para que o mundo possa se alimentar. A nossa importação de potássio atinge um índice de 96%, a de fosfato chega a 55%, fora os outros minérios. Aumentar a atividade interna, tanto de desenvolvimento no agronegócio, quanto na exploração mineral, é necessário para controlar esse índice e atingir marcas cada vez mais positivas na economia", declarou.

Remédio lembrou ainda que o CPRM vem desenvolvendo, ao longo dos anos, vários trabalhos em benefício ao agronegócio.

"O CPRM vem se destacando ao longo dos anos pelos trabalhos desenvolvidos no segmento, ampliando e gerando conhecimentos que podem reduzir os riscos na exploração mineral e, ao mesmo tempo, aumentar a competitividade do agronegócio. Desenvolvemos materiais que otimizam o serviço de vários setores, permitindo avanços nas explorações minerais e no desenvolvimento sustentável", enfatizou o diretor do Serviço Geológico.

Segundo o mediador do debate, Eduardo Gama, a economia nacional poderia ser fortalecida em um contexto onde investimentos em ciência e tecnologia fossem estimulados, além da elevação dos índices de exploração mineral nacional.

"Investir em ciência e tecnologia é fundamental. Ainda existe esse problema de investimento no Brasil. Quem investe em mineração pouco investe em pesquisa", afirma.


Fonte: Notícias de Mineração do Brasil

0 comentário