PF prende 18 em operação contra extração ilegal de ouro na Amazônia

No domingo, a Polícia Militar de SP prendeu o empresário de mineração Dirceu Santos Frederico Sobrinho, conhecido como “rei do ouro”.



A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (19/09) uma operação com o objetivo de desarticular a organização criminosa que extraía ouro de forma ilegal em rios dos Estados de Rondônia e Amazonas e comercializava o minério de forma irregular. Foram cumpridos 18 mandados de prisão e bloqueado R$ 5,5 bilhões dos suspeitos.


Nota da PF em Rondônia informa que também foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão na operação Aerogold, que foi realizada nos Estados de Rondônia, Amazonas, Acre, Pará, Mato Grosso e São Paulo.


Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Rondônia, que determinou também o bloqueio de R$ 5,5 bilhões das contas dos investigados, de acordo com a PF.



Ainda segundo a corporação, as investigações tiveram início em novembro de 2020, com denúncia em Rondônia sobre um avião oriundo da cidade de Japurá (AM) que chegaria a Porto Velho transportando ouro ilegal, o que levou à apreensão de 3 quilos do minério.


“Ao se aprofundar as investigações, constatou-se que os investigados integravam uma verdadeira organização criminosa, cujo objetivo era a extração ilegal de ouro na cidade de Japurá (AM), além de intensa movimentação financeira entre garimpeiros dos Estados de Rondônia, Amazonas e Pará com os compradores da matéria-prima, sediados no Estado de São Paulo”, afirma a nota da PF.


“Também foram flagradas várias empresas de fachada, cujo o único objetivo era esquentar o dinheiro ilícito proveniente do garimpo ilegal retirado de regiões protegidas da floresta amazônica”, acrescenta a nota.


De acordo com a PF, as práticas indicam, em tese, crimes de integrar organização criminosa, executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais sem a autorização permissão, concessão ou licença obtida; usurpação de bens da União, sonegação fiscal e, também, lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem chegar a 26 anos de prisão.


Prisão do “Rei do Ouro”


No domingo (18/09), a Polícia Militar prendeu o empresário de mineração Dirceu Santos Frederico Sobrinho, conhecido como “rei do ouro”, durante uma blitz, em Moema, na zona sul da cidade de São Paulo. Contra Sobrinho havia uma ordem de prisão temporária expedida pela Justiça Federal de Porto Velho, em Rondônia, em um processo sigiloso que apura a extração ilegal de ouro em terras indígenas na Amazônia.


Frederico Sobrinho, que é também presidente da Associação Nacional do Ouro (Anoro), entidade de defesa dos garimpeiros, foi levado para a superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde ficou detido.


Em maio, a Polícia Federal apreendeu, na Rodovia Castelo Branco, em Itu (SP), um carregamento de 77 kg de ouro, avaliado em R$ 23 milhões, que era transportado para uma das empresas de Sobrinho, a FD Gold, distribuidora de valores com sede na Avenida Paulista, na capital. Na época, o empresário gravou um vídeo afirmando que o metal tinha sido extraído legalmente de lavra garimpeira concedida, não pertencendo a terras indígenas, nem a garimpos ilegais.



Com informações da Reuters e Estadão.

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