Pandemônio


Dois números chamam a atenção em uma enquete divulgada na semana passada pela consultoria McKinsey: 75% dos entrevistados dizem que a pandemia trouxe impacto significativo para as operações de mineração, enquanto 65% acreditam que mudanças fundamentais no modelo de operação estão a caminho. A consultoria conversou com pouco mais de 60 executivos experientes que trabalham com mineração em 26 países.

O Brasil, apesar de estar há quase um mês com coisa de 1 mil mortes diárias atribuídas à Covid-19, está no grupo de países em que o efeito foi considerado moderado. Lembro a todos que o país foi um dos poucos em que a pandemia não interrompeu em momento algum a atividade mineral, que foi declarada, em março, como atividade essencial.

Houve um ou outro caso de interrupção de atividades, mas nada como no Peru ou na África do Sul, países que mandaram fechar as minas por algum tempo.

Esses são dois dos países em que o impacto foi considerado alto, na escala de três níveis de perturbação (disruption, em inglês) estabelecida pelo levantamento Minelens realizado no mês passado. Os outros países com alto impacto foram: Estados Unidos, Bolívia, Namíbia, Índia, Nigéria, Gana e Polônia.

No grupo do Brasil estão o Canadá, Indonésia e Moçambique, ou seja, países onde estão as principais operações da Vale. Além destes, vale a pena citar Rússia, México, Colômbia e Chile. Os países em que o setor mineral pouco padeceu com a pandemia são Austrália, Turquia, Ucrânia, República Democrática do Congo e Paquistão.

Do ponto de vista de produtos, os mais afetados foram minério de ferro, materiais de construção e carvão. Enquanto os menos afetados foram ouro, potássio e diamantes.


Para entender o que significa ser afetado pela pandemia, o boletim da McKinsey perguntou sobre quatro indicadores: produção, equilíbrio oferta/demanda, custo de capital e custo operacional. Nos três primeiros, é evidente o empate de opiniões, metade considera que a produção diminuiu, o orçamento disponível para investimentos de capital encolheu e a procura (ou o consumo final) foi afetada.

O único que mostra uma tendência diferente é de custo operacional. Perguntados se houve alguma alteração, 62% dos entrevistados afirmaram que não. Aqueles que viram aumentos ou reduções se dividiram de forma quase uniforme.

Diante desse cenário, o levantamento MineLens Industry Survey concluiu que 65% esperaram mudanças fundamentais em seus modelos operacionais. A pesquisa também descobriu que a pandemia provocou uma diminuição na produção de cerca de 42%, em média, enquanto a redução de produção planejada para 2020 era de cerca de 30%. Os entrevistados atribuem essa diminuição a uma redução na demanda e à menor disponibilidade na força de trabalho.

A maioria dos entrevistados mencionou que sua maior prioridade é a força de trabalho (38%) e o planejamento da mina (31%). Em seguida, vem saúde e segurança (18%), suprimentos (10%) e outros assuntos (3%).

Quem dera a pandemia fosse o único problema da mineração brasileira. Quando o poeta John Milton criou a palavra Pandemonium, para o poema épico Paraíso Perdido, de 1667, não fazia ideia do que fariam com o nome da capital do Inferno. Rapidamente o termo virou sinônimo de lugar de desordem e, ato contínuo, em barafunda ou tumulto. Assim, pandemônio ilustra melhor o estágio atual do setor mineral.

O Brasil é citado em um artigo publicado no fim de julho, pela McKinsey, como um dos grandes responsáveis pelo rali de preços do minério de ferro, um setor que passa pela sexta crise mundial em 40 anos.

Contudo, nesse caso, a redução nas exportações de minério não está ligada ao coronavírus, mas sim a fatores jurídicos que se repetem há 18 meses devido à total falta de entendimento entre a agência de mineração, Judiciário e prefeituras, o que mostra a necessidade de uma melhoria no marco legal da mineração.


Fonte: Notícias de Mineração do Brasil

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