SINDIMINA - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração, Pesquisa e Benefício de Ferro, Metais Básicos e Preciosos de Serrinha e Região

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Oportunidades à vista| 2020 será um ano de ouro

Uma onda de acordos de fusões e aquisições entre mineradoras de ouro tornou 2019 o mais animado nos últimos oito anos. E isso pode contaminar outros ramos de mineração, caso haja uma recuperação no crescimento global, dizem os sábios do setor. No Brasil, não parece ser diferente.


Neste ano, as aquisições pendentes e concluídas de ouro somam cerca de US$ 33 bilhões até o momento, o maior valor desde 2011, de acordo com dados compilados pela agência noticiosa Bloomberg. Algumas dessas aquisições foram no Brasil, como a compra da mina de cobre e ouro Chapada, da Yamana Gold, pela Lundin Mining, por US$ 1 bilhão; e a a conclusão da aquisição da mina de ouro Tucano, pela Great Panther.


Um levantamento da Bloomberg mostra que o movimento de F&A no ramo de mineração caiu quase 30% neste ano em relação ao ano passado, ficando em US$ 60 bilhões, ou seja, o ouro respondeu por mais da metade dos negócios.


Uma melhoria das perspectivas econômicas, com taxas de juros e inflação mais altas, pode levar produtores de outros metais a deixar a estratégia atual de reduzir a dívida e elevar o retorno dos acionistas para voltar a se concentrar no aumento da produção, de acordo com Christopher LaFemina, um renomado analista na Jefferies, em Nova York.

"Até agora, o mercado recompensou as empresas pela austeridade. Veremos uma aceleração significativa da atividade de fusões e aquisições quando o crescimento global for retomado", disse o especialista.


Goldman Sachs também está otimista. O banco acredita que o nível de investimento global continuará alto devido ao medo da recessão e que isso justifica a manutenção da perspectiva de preço do ouro em US$ 1.600 a onça. No ano, o ouro acumula alta de 14%. Para mim é um pensamento tautológico, se o crescimento não acelerar, aumenta o temor de recessão, que é a ausência do crescimento econômico. Mas esses caras de NY devem saber o que dizem.


Nos últimos tempos, as grandes mineradoras, incluindo Rio Tinto, Vale e BHP, fizeram apenas alguns pequenos investimentos em projetos greenfield e autorizaram novos gastos em expansões nas operações existentes.


Fusões e aquisições em maior escala podem ser uma opção para a Rio Tinto no próximo ano, dizem analistas do UBS Group, em relatório deste mês, para quem o crescimento do portfólio da segunda maior mineradora do mundo é limitado.


O caso da Vale é distinto. O foco é recuperar os níveis de 2018, pré-Brumadinho, no caso de minério de ferro. Em metais básicos, o eixo se desloca para a Indonésia, uma aposta politicamente arriscada. Mas todos os projetos são velhos conhecidos, há alguns anos no portfólio da empresa, e dependem, assim como nas concorrentes, de preços melhores.


O preço do níquel, apesar da melhoria, está longe dos US$ 20 mil a tonelada de 2014, e o preço do cobre está longe dos US$ 7.000 a tonelada de 2017 ao início de 2018, mesmo valor registrado em 2014. Os preços, de forma geral, estão bem abaixo daqueles registrados em 2014. Com exceção do ouro, que em 2014 era de US$ 1.000 a onça.


Em outubro, o diretor-executivo da Rio citou "oportunidades atraentes de fusões e aquisições", embora pretenda permanecer "absolutamente disciplinado". A companhia disse que sua equipe avalia oportunidades em materiais de baterias, incluindo níquel. Recentemente se disse que a Rio tentaria comprar a produtora de cobre First Quantum Minerals, o que não se confirmou.


A transcrição do Vale Day, realizado em Londres no fim de novembro, mostra que a palavra oportunidade apareceu 29 vezes. E frequentemente associada a metais de bateria.


A BHP também analisa ativos de cobre e níquel, além de petróleo, e pode considerar acordos que ofereçam recursos minerais de alta qualidade que ainda estejam no início, principalmente antes que o valor de um projeto seja precificado em bases sólidas, disse seu diretor financeiro no mês passado.


Setores como o de metais básicos têm menos oportunidades de consolidação do que metais preciosos, e a queda nos preços ainda não obrigou as empresas a buscarem uma solução às pressas.


Desde a megafusão de ouro de US$ 10 bilhões em janeiro entre a Newmont Mining e a Goldcorp, empresas do setor, incluindo a Newcrest Mining, compraram algumas minas, enquanto a Kirkland Lake Gold e a Zijin Mining Group adquiriram rivais menores.


A Barrick Gold e um parceiro concordaram na terça-feira em um acordo de US$ 430 milhões para vender uma participação de 90% em um projeto no Senegal para a Teranga Gold. 


Essa corrida por ativos de ouro mostra que houve "um ambiente ligeiramente melhorado para finalmente se fazer transações", disse o executivo de uma grande empresa de streaming de ouro. Há uma perspectiva de mais atividades entre os produtores de ouro no próximo ano, com investidores prontos para apoiar propostas que reduzam custos indiretos e combinam ativos.


Uma possibilidade seria a atividade de fusões e aquisições entre empresas de ouro e metais básicos. Mas quem entende de finanças diz que isso não é uma boa ideia, pois as empresas de ouro têm múltiplos mais altos do que as de metais básicos e esse benefício seria diluído pela consolidação entre os setores.


Outro ponto a ser considerado é a incerteza geopolítica. Ela, por si só, se traduz em maior demanda de ouro, disse o Goldman, acrescentando que 2019 provavelmente será um ano recorde para as compras por bancos centrais, que podem chegar a 750 toneladas. Com ou sem recessão, parece que 2020 será um ano de ouro.