MPF investiga denúncia de crime ambiental contra mineradora Vale Verde em AL

O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas vai investigar denúncias de crime ambiental contra a Mineradora Vale Verde (MVV), controlada da Appian Brazil, no município de Craíbas, no Agreste alagoano.


A decisão foi tomada na quinta-feira (29), com base em reportagem publicada pela imprensa. Nela, moradores dos povoados onde estão localizadas as barragens da MVV afirmam que explosões no subsolo para prospecção de minério de cobre produzido pela mineradora estariam provocando barulho excessivo, tremores de terra e rachaduras nas casas.

Segundo a assessoria do MPF, ainda é cedo para dimensionar a gravidade da denúncia, mas o caso será investigado pelo órgão ministerial.

"Até o momento o MPF/AL não recebeu nenhuma denúncia sobre as explosões decorrentes das atividades da Mineradora Vale Verde. No entanto, a partir de notícia veiculada na data de hoje (ontem), 29 de julho, o órgão ministerial abrirá procedimento investigatório para apurar os fatos relatados pela imprensa" diz o MPF.

A reportagem do jornal alagoano falou ainda de um temor por parte da população de um desastre ambiental em Craíbas parecido com aquele que ocorreu em Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, provocando destruições e centenas de mortes. O tema teria chegado também ao conhecimento do Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL), que ainda não se manifestou sobre o assunto.

No mês passado, a Mineração Vale Verde inaugurou oficialmente a mina de cobre e ouro Serrote, em Craíbas. O primeiro basculamento de minério na operação, que recebeu investimentos de US$ 200 milhões, ocorreu ainda em janeiro e a conclusão das obras de construção da operação ocorreu em 31 de maio.


Com reservas publicadas de 52 milhões de toneladas de cobre sulfetado, Serrote tem vida útil de 14 anos com base em uma operação a céu aberto. Na fase 1, o projeto irá produzir 50 mil toneladas anuais de concentrado de cobre.

Outro lado

Por meio de nota a Mineração Vale Verde disse que tem como objetivo desenvolver o projeto Serrote, localizado no município de Craíbas, junto à divisa do município de Arapiraca, mas sem colocar em risco a natureza e a vida dos moradores da região.

A empresa informou ainda que a barragem da MVV difere-se tecnicamente das barragens que romperam, que tinham método construtivo de alteamento a montante (não mais permitido no Brasil).

Segundo a empresa, antes mesmo da nova lei de barragens, o seu projeto de engenharia já detalhava uma barragem mais robusta, sem a necessidade de se utilizar a própria estrutura de rejeito como sustentação da mesma — o que ocorre com as barragens com alteamento a montante.

"Portanto, a MVV não utiliza esse método construtivo, mas, sim, o alteamento a jusante, sendo alteada com material rochoso em sua estrutura e não o próprio rejeito", informou a MVV.

‘Essa diligência prioriza, assim, a vida e a Segurança dos nossos empregados, terceirizados e das comunidades vizinhas ao nosso empreendimento, seguindo as melhores práticas construtivas de engenharia do Brasil (ABNT) e do mundo (CDA - Associação Canadense de Barragens), esta última que é referência mundial em adoção de rígidas medidas de controle e fiscalização para a segurança de barragens", conclui a nota.


As informações são do Jornal Tribuna Hoje.

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