Lucro da Vale deve crescer até 600% no segundo trimestre

O aumento da produção de minério de ferro e elevação dos preços da matéria-prima siderúrgica no mercado internacional devem garantir um resultado financeiro robusto para a Vale no segundo trimestre, com lucro líquido médio esperado para o período de US$ 7,392 bilhões.


Caso confirmado, o montante representará uma alta de mais de 600% na comparação com o lucro de US$ 995 milhões do período entre abril e junho do ano passado, quando a mineradora ainda sofria relevantes efeitos do rompimento da barragem da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).

É o que mostram estimativas de cinco casas de análise compiladas pelo Valor, que utilizou as estimativas de Bradesco BBI, Itaú BBA, Morgan Stanley, J.P. Morgan e BTG Pactual, que apontam ainda para um média de US$ 16,913 bilhões para a receita operacional líquida, o que, caso se confirme, significará um avanço de quase 125% ante os US$ 7,518 bilhões obtidos no segundo trimestre do ano passado.

Já a média para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em US$ 11,706 bilhões, um crescimento de 226,4% ante os US$ 3,586 bilhões do segundo trimestre do ano passado.

A maior das estimativas para o lucro líquido foi do BTG Pactual, com US$ 9,823 bilhões, enquanto a menor foi do Itaú BBA, com US$ 6,197 bilhões. Já as projeções para a receita líquida oscilaram entre os US$ 16,5 bilhões do Morgan Stanley e os US$ 17,769 bilhões do BTG. Por fim, as estimativas de Ebitda foram dos US$ 11,433 bilhões do Bradesco BBI aos aos US$ 12,136 bilhões do BTG.

O Bradesco BBI, em relatório assinado por Thiago Lofiego e Isabella Vasconcelos, afirmou esperar "resultados recorde" da mineradora no segundo trimestre. Os analistas lembraram que os embarques foram sazonalmente mais fortes no segundo trimestre — atingindo 74,9 milhões de toneladas na soma de finos de minério e pelotas — enquanto a cotação do minério com 62% de teor de ferro subiu 20% frente aos três primeiros meses do ano, atingindo a média de US$ 200 por tonelada no segundo trimestre. O Bradesco frisou ainda que também houve uma alta dos prêmios, que ficaram em média em US$ 32 por tonelada para o minério com teor de ferro entre 62% e 65%.


Os analistas do Bradesco BBI estimam um preço realizado pela Vale ao redor de US$ 185 por tonelada no segundo trimestre, além de projetarem um custo caixa de US$ 19,50 por tonelada de minério de ferro, uma alta de US$ 2 por tonelada puxada por aumento de custos de insumos como combustíveis e também do custo de aquisição de minério de terceiros.

O BTG Pactual lembrou que a Vale manteve sua meta de produção de minério de ferro este ano, entre 315 milhões e 335 milhões de toneladas, a despeito de alguns "medos recentes e soluços" e continua mostrando melhoras firmes.

Já o Itaú BBA, em relatório assinado por Daniel Sasson, Ricardo Monegaglia e Edgard Pinto de Souza, destacou que a companhia revelou ter atingido um ritmo de produção anualizado de 330 milhões de toneladas no segundo trimestre, o que, caso mantido, pelo levar a uma produção de 1 milhão de toneladas por dia durante o segundo semestre.

As casas de análise também lembraram a suspensão das metas de produção de cobre e níquel devido à paralisação dos trabalhadores em Sudbury, no Canadá. Mesmo assim, o Itaú BBA destacou que o aumento entre 1% e 3% nos preços do níquel no segundo trimestre pode garantir um Ebitda do segmento de metias básicos ao redor de US$ 1 bilhão.


As informações são do Valor.

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