Investimento da AMG em projeto de lítio em MG deve chegar a US$ 160 milhões

A AMG Mineração inverteu o cronograma de seu projeto de lítio e decidiu primeiro aumentar a capacidade de produção da planta de concentrado já existente, nos municípios mineiros de Nazareno e São Tiago, para depois construir, no mesmo complexo, a nova planta química de hidróxido de lítio. O investimento no projeto sofreu aumento e deve subir para US$ 160 milhões (R$ 810 milhões).


A mineradora anunciou, no ano passado, o investimento de US$ 150 milhões (R$ 782 milhões) na nova planta química, que tinha previsão inicial de implantação em 2021, mas que passou para 2024 devido a mudanças no projeto original. Só depois dessa nova planta é que a empresa iria realizar o aumento da capacidade da planta atual de concentrado de lítio.


Em entrevista ao Notícias de Mineração Brasil (NMB), o diretor-executivo e presidente da AMG no Brasil, Fabiano José de Oliveira Costa, afirma que a companhia decidiu mudar o cronograma para acelerar o processo de expansão.


"Antes, a gente ia fazer primeiro a planta de conversão para depois realizar a ampliação da capacidade. Mas nós decidimos fazer a ampliação primeiro, e aproveitar esse momento em que o preço do lítio está tendo uma retomada, o que nos deixa bastante otimistas para fazer com que o ‘breakeven' dessa planta, o payback dela, aconteça mais rapidamente do que a gente esperava. Essa nossa planta tem a capacidade de gerar 90 mil toneladas de concentrado de espodumênio por ano. Temos uma meta de expansão para 130 mil toneladas, cerca de 45% a mais do que a gente tem hoje", destaca.


Engenharia


O executivo relata que as modificações no projeto de engenharia para expansão da capacidade produtiva devem ser concluídas no terceiro trimestre deste ano e que a ampliação deve ficar pronta até o segundo trimestre de 2023.



"Nós não vamos deixar de operar a planta, vamos continuar produzindo, então você demora um tempo maior. Se parássemos a operação, seria algo que poderia ser feito em 12 meses. Mas com a operação funcionando, devemos levar uns 20 meses. Então deve estar concluído no final de 2022. Aí você tem o período normal, que chamamos de ramp up, que vai alterando o setup da planta. A gente espera que, no primeiro ou até o segundo trimestre de 2023, a nossa planta atual já esteja com sua nova capacidade", cogita.


Em relação aos valores do projeto, Costa disse que os valores estão sendo revistos, e que a companhia já considera um aumento de US$ 10 milhões em relação ao valor inicial.


"Esses US$ 150 milhões estão sendo revistos e o projeto deve ficar um pouco mais caro. Estamos considerando US$ 160 milhões. Lembrando que estamos em uma fase de definição de rota, de definição de processo, que é o Fel 2 (Front-end loading). E o Fel 2 tem uma previsão de Capex, de investimento, que varia na casa de 30% a 35% para mais ou para menos. Então esses US$ 160 milhões que estamos considerando hoje podem chegar perto da casa de US$ 200 milhões ou podem voltar para cerca de US$ 120 milhões. Mas eu nunca vi o pessoal da engenharia dizer que vai custar menos. É sempre pra mais", analisa.


Além de considerar a inflação como um dos motivos para o aumento no valor do projeto, o presidente da AMG Mineração também revela a utilização de uma nova tecnologia na planta química de hidróxido de lítio, o que demandará um investimento um pouco maior do que o projeto inicial.


"Para criar um produto químico de lítio, você tem algumas alternativas de processo e algumas delas são extremamente complexas, porque você acaba gerando o sulfato de sódio, que exige uma deposição de bacias diferente, precisa de uma barragem lonada com HPE. Então tem uma série de implicações ambientais. E como estamos com uma pegada muito grande de ESG, vamos investir em uma tecnologia um pouco mais cara. E esses US$ 10 milhões do aumento no valor do projeto também se justificam por essa tecnologia, que tem um custo operacional um pouco maior porque ela elimina esse resíduo (sulfato de sódio) que não é tão ambientalmente correto", explica.


Costa afirma que apenas uma empresa no mundo utiliza esse mesmo sistema. Apesar de a companhia ser quase que uma pioneira em sua utilização, o que traz certo risco, o executivo afirma que a tecnologia é "ambientalmente mais amigável" e que vai ajudar a empresa no objetivo de contribuir com a questão da pegada de carbono no mundo.


"É uma tecnologia de lixiviação diferenciada. Ela carrega riscos, que estão relacionados ao fato de sermos praticamente pioneiros nela. Tive notícia de que essa tecnologia foi aplicada pela primeira vez em uma planta lá da Rússia, da Helmet, eles vão começar a usá-la em 2022, e essa vai ser a primeira. A segunda deve ser a nossa. Se você considera que no mundo deve existir cerca de mais de 150 plantas de conversão de lítio, vão ser duas apenas nessa metodologia, onde você faz uma calcinação sem o uso de soda cáustica. Esse é o grande diferencial dessa tecnologia", ressalta.


Licenciamento


O executivo destaca que o processo de licenciamento para a ampliação da planta de concentrado de lítio já está em andamento e que a busca pelas licenças da planta de hidróxido só devem se iniciar no ano que vem.


"Como é uma expansão, não exige mais LP e vai direto na LI. Para ter uma LI completa, você precisa ter o projeto Fel 3, o detalhado, e isso que estamos fazendo agora. É um processo de três meses após a engenharia pronta. Se a gente considerar que a engenharia fica pronta em setembro, a licença de instalação deve sair em meados de dezembro. Com relação à planta química, nós ainda temos tempo, a gente termina a parte de engenharia no ano que vem e aí entramos com o processo de licença", afirma.


Ainda segundo Costa, inicialmente, a planta química de hidróxido de lítio vai possuir um grau técnico, e não grau de bateria como chegou a ser cogitado. No entanto, o atual projeto permite que, no futuro, a empresa possa acrescentar o grau de bateria, o que demandaria um investimento adicional de cerca de US$ 30 milhões.


Fonte: Notícias de Mineração do Brasil

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