Indenização da Samarco por Mariana pode garantir volta da Ferrovia Bahia-Minas

A indenização pelo desastre causado pela Samarco, em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG), pode viabilizar importantes projetos e obras aguardados pelos mineiros por décadas. Um deles diz respeito à reativação da Ferrovia Bahia-Minas, desativada em 1966, sob investimentos iniciais de, ao menos, R$ 3 bilhões.


A demanda surgiu na Bahia, mas já chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e foi tema de audiência pública da Comissão Extraordinária Pró- Ferrovias Mineiras na última terça-feira (31).

Criada em 1882, a ferrovia ligava o município de Araçuaí (Vale do Jequitinhonha) ao porto de Caravelas, no litoral sul da Bahia, e tinha uma extensão de aproximadamente 600 quilômetros.

De acordo com o presidente da Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras, deputado João Leite (PSDB), este é apenas o início do pleito, que depende de decisão judicial acerca de um possível novo acordo com a Samarco e também da mobilização das lideranças mineiras e baianas.

"A reivindicação é pertinente. Alguns dizem que a indenização seria maior que a de Brumadinho, o que pode garantir os recursos tanto pela parte que compete a Minas quanto a Bahia", comentou.

Um novo acordo judicial de indenização pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco está sendo negociado em âmbito federal junto às empresas controladoras Vale e BHP Billiton, e em vias de ser homologado. O valor pode chegar a R$ 100 bilhões.


O deputado ressaltou que os estudos sobre a reativação da Ferrovia Bahia-Minas foram contemplados no Plano Estratégico Ferroviário (PEF) do governo do Estado, elaborado pela Fundação Dom Cabral (FDC) e que, durante a audiência, a superintendente de Transporte Ferroviário da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra), Vânia Silveira de Pádua Cardoso, detalhou a parte do PEF que compete aos estudos de pré-viabilidade do projeto, apontando um potencial de cargas estimado já para 2025, de um milhão de toneladas úteis.

Se for reativada com o investimento inicial do poder público e depois com aportes da iniciativa privada, o estudo indica o crescimento desse potencial para 1,5 milhão de toneladas úteis em 2035 e de mais de 2 milhões até 2055, isso contando também com uma alteração no traçado original passando por Teixeira de Freitas (BA), aproveitando para potencializar o transporte de cargas que hoje trafega pela BR-101.

Essa capacidade inicial de carga, segundo Vânia Silveira, representa um ponto de partida, mas ainda é insuficiente para garantir a viabilidade econômica do trecho.

"O ideal é transformar esse estudo em um mais completo e específico, de viabilidade técnico-econômica. Seria preciso levantar in loco o que ainda existe, já que muitos imóveis foram comprados pelos municípios e boa parte da faixa de domínio doada e totalmente descaracterizada", destacou a superintendente na audiência pública.

Os próximos passos para dar continuidade ao pleito, segundo João Leite, incluem a realização de novas audiências públicas, inclusive em território baiano, e a articulação em busca de apoio do governo estadual.

Neste sentido, ele destacou que estará hoje em Brasília com o governador Romeu Zema (Novo) e com o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Marcato, para o lançamento da Medida Provisória (MP) que ampara o governo a permitir a construção e a operação de ferrovias pelo processo de autorização, e tratará do assunto da Ferrovia Bahia-Minas. A reportagem procurou o governo do Estado para comentar o assunto, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.


As informações são do Diário do Comércio.

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