Gerdau anuncia corte de fornecedores sem programa de inclusão

A Gerdau vai exercitar a diversidade da porta para fora, com seus parceiros, disse o presidente da Gerdau Gustavo Werneck, em entrevista ao Estadão. Segundo ele, em breve, os fornecedores que não tiverem programas de diversidade e inclusão implantados não vão mais fornecer para a produtora de aço.


"Nas empresas nas quais o executivo e o conselho de administração não patrocinam a mudança, a agenda não avança", disse Werneck.

No comando da Gerdau desde 2018, Gustavo Werneck levantou a bandeira da diversidade já nos primeiros meses no cargo: em junho daquele ano, enfrentou uma enxurrada de críticas ao adotar, nas redes sociais da companhia, a bandeira do orgulho LGBTQIA+. Desde então, a empresa, com 120 anos de história, abraçou novas bandeiras, como as de equidade racial e de gênero.

De acordo com o executivo, empresas como a Gerdau têm de achar um equilíbrio entre as coisas boas que devem ser mantidas ao longo da história e as coisas que vêm do mundo novo. "Temos uma imagem de empresa tradicional, produtora de aço. Mas a Gerdau hoje é uma empresa moderna, com preocupações ESG (sigla em inglês para os quesitos ambiental, social e de governança).", disse ele.

Para Werneck, a Gerdau não teria chegado aos 120 anos sem respeito às pessoas. Segundo ele, a meta da empresa é ter 30% de mulheres em cargos de liderança até 2025, e parte dos bônus dos executivos hoje é atrelado a metas ESG. "A diversidade é um fenômeno observável. Se vou a um shopping, vai ter negros, vai ter mulheres. Então, a questão é: como eu transformo essa dificuldade em inclusão, com políticas e programas.

O executivo lembrou que, em 2018, no primeiro ano em que a Gerdau trocou o logotipo da empresa pela bandeira do arco-íris, no dia 28 de junho, houve diversas críticas. "Nós encaramos isso de frente. Mas há aqueles que não se adaptam e têm de deixar a organização".


Werneck disse que a Gerdau possui um programa para influenciar os fornecedores a implantarem programas de diversidade e inclusão. "A gente tem de treinar os nossos times, mostrar que, se eu quero contratar um negro, não adianta ir às empresas tradicionais de head hunting. Temos progredido e, como acreditava, a diversidade deixa a empresa mais leve e inovadora", disse o executivo, que lidera uma iniciativa da Fundação Dom Cabral, formada por 30 presidentes de empresas engajados nessa transformação.


Com informações do Estadão.

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