Fiol coloca Bahia como terceiro maior produtor de minério de ferro

A construção do primeiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste Leste (Fiol), no Sul da Bahia, arrematado pela Bahia Mineração (Bamin), coloca o estado como terceiro maior produtor de minério de ferro do país, atrás somente de Pará e Minas Gerais.


A mineradora pode atingir a produção de até 18 milhões de toneladas anuais de minério de ferro nos próximos cinco anos, com a exploração da mina Pedra de Ferro, em Caetité (BA). A capacidade de produção atual é de dois milhões de toneladas por ano. A empresa, no entanto, utilizará apenas um terço da capacidade da ferrovia. O potencial de transporte excedente será disponibilizado ao mercado, favorecendo também o agronegócio e outras cadeias produtivas.

A Bamin destaca que, pela qualidade que possui, o minério extraído e beneficiado por ela tem a característica de permitir a redução de emissões de CO2 no processo de siderurgia, o que eleva a performance da indústria.

"O minério premium tem elevado grau de pureza e o processo de beneficiamento demanda menor volume de água e energia. Na mina, mais de 90% da água empregada no processo será reutilizada, em mais uma prática sustentável", afirma a empresa, que está estudando a incorporação de um sistema de filtragem para converter a barragem de rejeitos do projeto de minério de ferro Pedra de Ferro, em Caetité, em empilhamento a seco.

O investimento comprometido para o primeiro trecho da Fiol, que possui 537 km, é de R$ 3,3 bilhões. A subconcessão é pelo período de 35 anos, cinco deles para a construção e 30 anos para a operação.

"A via liga as pontas de duas cadeias logísticas, do agronegócio e da mineração, da produção à exportação. E no percurso irá possibilitar novos negócios, arrecadação de impostos, empregos e geração de renda. O Ministério da Infraestrutura aponta para a criação de 55 mil empregos com a construção da linha férrea, ao longo de cinco anos", destaca a Bamin em nota.


Segundo ela, o planejamento inclui instalar até 36 pátios de cargas ao longo de 20 municípios deste primeiro trecho, "criando oportunidades para cargas regionais, alavancando as cadeias produtivas instaladas no percurso". A procura de empresas interessadas em utilizar a ferrovia já é uma constante, destaca.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificou em um estudo a possibilidade de que produtores do agronegócio na região agreguem aproximadamente 19 milhões de toneladas de cargas anualmente. Além disso, há outras mineradoras, algumas já operando e outras em estágio de pesquisa, ao longo da linha férrea.

O presidente da Bamin, Eduardo Ledsham, afirma que a empresa está aberta para formar parcerias. E elas podem ocorrer de várias maneiras, seja na busca de clientes para a utilização da malha ferroviária, seja com investimentos ou na operação.

"A Fiol vai muito além da Bamin. Isso é um fato. As oportunidades que surgem ao longo da ferrovia são enormes. Há outras mineradoras com depósitos próximos, novas descobertas acontecendo. Isso tudo vai acelerar porque agora a infraestrutura será realidade com a carga da Bamin. Naturalmente, quem tiver interesse vai aparecer e nós estamos abertos a conversar", declara.

A Bamin espera que o Porto Sul, com capacidade para até 42 milhões de toneladas por ano, esteja em operação em cinco anos, mesmo período em que a Fiol começará a transportar as primeiras cargas pelo Trecho 1. "Esta obra, um sonho antigo dos baianos, realizada em parceria com a BAMIN, fortalece também a relação da Bahia com outros países a partir da atividade portuária", comentou o governador da Bahia, Rui Costa (PT).

Com o porto funcionando, a mineradora vai exportar a sua produção para o mercado internacional, disponibilizando 50% da capacidade total do complexo também para outras cargas - tais como grãos, fertilizantes e outros minérios. O terminal deve se tornar o primeiro do Nordeste a receber navios com capacidade de até 220 mil toneladas. "O Porto Sul integrará um importante corredor logístico para o agronegócio e mineração do estado, representando boas oportunidades, emprego e renda não só para o Sul da Bahia, mas também para a região Oeste e interior", disse o governador.

A primeira etapa de construção do terminal portuário já foi iniciada, conforme o governo, o que inclui a construção da ponte rodoviária sobre o Rio Almada, com vias, sinalização, implantação de redes elétrica e de água, entre outras ações, com conclusão prevista para 2022.


Fonte: Notícias de Mineração do Brasil

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