Financiamento à mineração brasileira será tema de debate no e-Mineração

Recuperação da economia em diferentes regiões do planeta, transição energética e o crescimento da economia verde desenham um quadro ainda mais promissor para a mineração. Mesmo sendo um dos setores com melhor desempenho em meio aos impactos causados pela pandemia, principalmente devido ao apetite chinês por commodities e que deve ser ainda mais impulsionado pelo pacote de investimentos previsto pelo governo dos EUA, o Brasil ainda carece de financiamento adequado para projetos minerários.


É este cenário que reunirá empresas e entidades na discussão "Oportunidades e Financiamentos para o Setor Mineral", um dos painéis do E-mineração, evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) que terá início nesta quarta-feira (16).

"Temos um espaço considerável para a evolução dos mecanismos (de financiamento) aqui no Brasil, visto que as características econômicas-operacionais da indústria mineral e sua elevada taxa de risco, principalmente na etapa de exploração, demandam modalidades de financiamento específicas", afirma o diretor de Relações Institucionais do Ibram, Rinaldo Mancin, um dos palestrantes do painel.

"A mineração vive excelente momento, com valorização significativa dos preços das principais commodities minerais, revelando relação com indícios fortes da retomada do crescimento dos principais mercados mundiais", observou Mancin, acrescentando que a perspectiva é de que a demanda mineral cresça ainda mais.

"O plano de investimentos do governo Biden para a infraestrutura injetará mais de US$ 2,5 trilhões na economia americana. Esses recursos poderão atrair a importação de grandes partidas de minério brasileiro", salientou o diretor do Ibram em nota. "O crescimento internacional da economia verde e da energia limpa também será responsável pela maior demanda mundial de minerais da nova geração. Por tudo isso, as perspectivas futuras para a mineração são bem otimistas", completou.

O Ibram avalia que as perspectivas promissoras para o setor põem "a mineração brasileira no radar para receber novos e importantes investimentos", mas ressalta que ainda há "lacunas na questão de linhas de financiamento específicas para o setor mineral que precisam ser resolvidas".


Para tentar aperfeiçoar os mecanismos de financiamento de projetos, Mancin lembrou que já foi firmada uma parceria com a Bolsa de Valores de Toronto e outra está em negociação com a B3 para a criação de carteiras de projetos minerários e a listagem de empresas de menor porte. "O próximo passo é a identificação de projetos-piloto, que teriam este potencial", afirmou.

"Este painel é mais um momento que teremos para desmistificar o acesso a bolsa de valores, pois é uma opção muito viável para o financiamento de um setor com tanta necessidade de investimentos e com visão de longo prazo como a mineração, além de ser uma excelente opção para os investidores", frisou Rinaldo Mancin.

Para Eduardo Cardoso, sócio e diretor financeiro da Ore Investments, primeira empresa de investimentos voltada exclusivamente para o setor mineral no país, a autorregulação técnica do mercado de mineração também é necessária para ampliar o financiamento.

Segundo Cardoso, que também participará do painel no E-mineração, o setor vem trabalhando para isso por meio de uma aliança entre Comissão Brasileira de Recursos e Reservas (CBRR), Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (ADIMB) e Ibram.

"A adoção de um Código Brasileiro para declaração de recursos e reservas, em perfeita consonância com as práticas internacionais, suportado pela transparência, materialidade, competência e independência, vem, portanto, ao encontro das diversas ações de governo para incentivar investimentos no setor mineral brasileiro", declarou.

Inscrições

O E-mineração será realizado de forma totalmente virtual, com abertura marcada para as 8h desta quarta-feira. Além do painel sobre financiamento, o evento terá uma série de outros debates, além de rodadas de negócios que já têm confirmadas as participações de empresas como Alcoa; Anglo American, AngloGold Ashanti; ArcelorMittal Brasil; Copelmi Mineração; Ferro + Mineração SA; Fides Mining; Gerdau; Intercement; Jaguar Mining; Kinross Paracatu; Mineração Taboca; Mineração Usiminas; Mosaic Fertilizantes; Nexa Resources; Vale; Samarco; Vanádio de Maracás; e Votorantim Cimentos.

A programação completa está disponível no site https://e-mineracao.com.br. Os interessados em participar devem se inscrever de forma gratuita em https://sis.automacaodeeventos.com.br/2021/emineracao/sis/inscricao/index.asp.

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