SINDIMINA - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Extração, Pesquisa e Benefício de Ferro, Metais Básicos e Preciosos de Serrinha e Região

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Faltam poucos dias para o final do ano: como lidar com a pressão das metas


Adeus ano velho. Em poucos dias chega a hora de celebrar o início de mais um ciclo de 365 dias. E o que você fez? Neste período é muito comum rever o que passou, pensar sobre o que foi feito, num sentimento nostálgico de encerramento de etapa. Mas nem tudo são flores e champanhe após a passagem do Papai Noel. Também pode acontecer de uma sensação bastante incômoda e por vezes angustiante pairar sobre nós durante as últimas semanas do ano.


Isso porque muitas vezes o que planejamos para realizar ao longo desse tempo teve um desfecho bem diferente do que esperávamos, ou então não foi possível chegar nem perto do que queríamos concretizar ou modificar em nossas vidas. Assim, é natural que venham muitos pensamentos de cobrança e frustração que podem transformar a contagem regressiva para o novo ano um verdadeiro martírio.


Mas especialistas explicam que isso é uma tendência natural do ser humano: identificar com mais facilidade os marcos negativos de uma experiência. Ou seja, nos fixamos naquilo que podia ter sido e esquecemos de valorizar os avanços e as conquistas nas pequenas ações diárias. A dica para não surtar nesses dias que antecedem o Ano Novo é reduzir a autocrítica, enaltecer os feitos e buscar traçar metas que condizem com a nossa realidade.

Autogentileza gera autogentileza


Como bem diz o ditado popular, de nada adianta chorar pelo leite derramado. Ficar as próximas semanas se cobrando pelo que deixou de fazer é um comportamento que só vai acarretar em mais estresse e desconforto. É normal que haja planos inacabados, metas não atingidas ou ideias abandonadas no meio do caminho. O importante neste momento de reflexão é olhar para tudo isso com carinho para compreender de forma realista os motivos da sua não efetividade.


Mais que nunca, é se aceitar humano, que comete erros e acertos durante a vida. Temos uma tendência natural a ter um olhar bastante crítico e negativo com nós mesmos. Você é tão rígido com seus amigos e pessoas próximas como é consigo? Um exercício interessante é imaginar a explicação de uma frustração para uma criança, como a desistência de um passeio por causa do mau tempo. De que maneira você conversaria com ela? Provavelmente seria dócil e paciente, e buscaria uma atividade criativa como alternativa para o programa que não deu certo.


Se fôssemos tão pacientes, tolerantes e amorosos com nós mesmos e com outros adultos como somos com as crianças, isso nos ajudaria a reduzir a crítica e a nos tornar mais flexíveis e propositivos. A aflição de não conseguir fazer tudo que se planejava geralmente vem de um excesso de tarefas e demandas que sobrecarregam e limitam o número de realizações possíveis. Ou então pode ser que aquele plano envolva algo que não gosto, não concordo ou que não me desperta tanto interesse. O importante é ser honesto e generoso consigo, e traçar as razões que podem ter sido determinantes para não alcançar certas metas e objetivos.


Tome nota de si próprio


Outra mania que não falta nessa época são listas dos melhores do ano. Seja de meme, filme, seriado, música, restaurante ou balada, para as mais diversas categorias existe um top 10, 100 ou até 500. Mas uma das relações mais importantes que deveria ser criada, costuma ser esquecida: sobre você mesmo. Apesar de parecer um pouco difícil no início, e dar aquele branco de não saber por onde começar, busque anotar todas suas realizações durante esses meses que passaram.


Geralmente é mais fácil iniciar por aqueles marcos mais concretos e materiais, como a conclusão de um curso, a compra de um carro ou a realização de uma viagem. Apesar de fazerem parte lista, o ideal é focar atenção nos avanços e conquistas nos aspectos pessoais e afetivos. Aos poucos é possível notar o que fez diferença no seu desenvolvimento como ser humano e perceber que a evolução está nas atitudes e escolhas diárias, desde ser mais compreensivo com um parente até ajudar um desconhecido.


Não adianta ficar contra si mesmo e se martirizar pelo que não foi alcançado. A indicação é fazer uma retrospectiva sincera para identificar os movimentos que foram feitos para concretizar determinados anseios e valorizar a energia investida nessas tentativas, mesmo que sejam pequenas ações. Se a vontade era emagrecer, o que você mudou no seu hábito alimentar? Se a intenção era se aproximar da família, a quem dedicou suas horas de folga?


Listar e se dar conta de tudo o que experienciou neste ano é uma forma de perceber como está mais experiente e consciente sobre si mesmo. Isso traz mais motivação e coragem para iniciar um novo ciclo. Não esqueça de celebrar por ter vivenciado tanta coisa, precisamos ser nossos maiores incentivadores!


Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira


Dificilmente as coisas acontecem do jeito que a gente quer. O "nem tudo saiu como planejado" é uma máxima que se aplica a muitas situações do nosso cotidiano. A explicação talvez esteja que além de não termos o controle sobre várias coisas, os processos durante uma conquista são tão importantes quanto o resultado. Todos os projetos são constituídos de momentos de decepção e de satisfação. Reconhecer as falhas, as dificuldades e os desafios que fazem parte dos planos nos aproxima dos objetivos e facilita visualizar como superar as adversidades.


Além disso, pode acontecer de simplesmente termos que assimilar e assumir que nunca houve condições objetivas para realização de determinada atividade. Por mais que tivesse vontade e planejamento, talvez fosse preciso uma formação específica, uma percepção diferente ou experiência mais duradoura que resultasse em maior domínio ou propriedade sobre o assunto. Às vezes a nossa meta é uma e a realidade é outra. Quais as razões que fizeram com que não desse conta? Estão no campo da minha individualidade? O que fazer diante disso?


Primeiro avaliar o que se desejava: era necessário? Qual o propósito? Traria melhorias pessoais, afetivas ou profissionais? Depois buscar entender o que ocorreu para não dar certo. Se houve algum empenho, quais os aprendizados que vieram a partir do desfecho que não era esperado? A recomendação é tentar compreender de que maneira a experiência contribuiu para seu crescimento, mesmo que essa interpretação demore um pouco a vir. Além de aceitar a mudança do rumo das coisas, é enxergar que talvez o desdobramento tenha trazido aspectos positivos que não seriam possíveis se tudo saísse como planejado.


Por vezes as cobranças internas e externas são excessivas, o que nos deixa tensos e ansiosos, num modo que atrapalha a qualidade como vivemos o aqui e o agora. Somos seres incompletos e limitados, não somos máquina de produção. Não precisamos realizar tudo e nem de maneira perfeita. Seguimos vivos e podemos fazer amanhã, daqui um mês, ou no ano que vem.

De volta à prancheta


Faltam cinco dias para o encerramento de 2019. Em termos práticos, é pouco tempo para tirar certos planos do papel, ainda mais com o acúmulo de entregas comum desta época. O ideal neste momento é selecionar e definir prioridades, de preferência as questões urgentes, que possuem prazo para finalização, envolvem outras pessoas, ou que vão trazer prejuízos se não foram encerradas. Isso evita despender energia de forma descuidada.


Além de afastar preocupações do que pode ser feito posteriormente, aprender a dizer não também é outro ponto fundamental para não se perder com tantas demandas de final de ano. É ficar disponível e focado para realizar o que é possível com maior envolvimento e efetividade. Fazer várias atividades ao mesmo tempo gera cansaço, dispersão e desgaste, e prejudica o resultado final das tarefas. Diante disso, é aconselhável traçar um plano de metas para ajudar na organização deste período e do próximo. Seguem algumas dicas de como fazer:

  • O essencial é definir objetivos alcançáveis, a partir de uma relação franca com os compromissos que você quer e consegue assumir;

  • Concentre-se naquilo que traz valor existencial, para evitar escolhas que possam fazer pouco sentido no futuro;

  • Identifique qual o projeto e propósitos envolvidos, e a partir deles, estabeleça pequenas ações que direcionam para concretizar esse plano;

  • Trace as situações que estão atreladas com essas realizações, e o que é preciso para efetivar cada uma delas;

  • Tente colocar datas limites para concluir as atividades e busque revistar o que foi escrito periodicamente;

  • Fale com pessoas do entorno sobre suas ideias, elas nos ajudam a incentivar e a controlar os avanços, já que também torcem por nós;

  • Seja flexível e insira uma margem para os imprevistos, o planejamento não pode ser camisa de força.

A vida é muito dinâmica. Tanto as metas podem mudar, como as condições em alcançá-las (sejam externas como internas). Nesse caso, não precisa desistir dos seus planos, eles podem ser adiados e retomados num momento mais oportuno. Ou ainda, use esses objetivos como um "norte", que de tempos em tempos ajeitamos nosso prumo para chegar ao destino traçado idealmente.


Feliz Ano Novo!


Voltar a estudar, arrumar um novo emprego, estabelecer um novo relacionamento ou mudar de residência. Seja qual for a sua meta para 2020, mais importante do que realizar esses desejos, é a forma que você vai trilhar para concretizá-los. Muitas vezes a mudança não está no campo material, e sim no campo afetivo, o que demanda um processo interno contínuo e delicado.


Pode acontecer também de estarmos bastante cansados, com excesso de tarefas para dar conta, o que faz nos desmotiva a dar sequência aos projetos e nos adoece. As metas são nossas ou estão sendo impostas socialmente? Em vez de mais demandas, por vezes o que precisamos é atenção e afeto. Por isso é fundamental pensar em termos da qualidade das atitudes e ações. Será que estamos sendo cuidadosos conosco? E com os outros? Sabemos respeitar as diferenças ou só propagamos a intolerância e a discriminação?


A felicidade pode estar na realização de planos, mas acima disso, está na nossa melhoria como seres humanos, que vivem e se relacionam em coletivo, e que afetam e são afetados uns pelos outros. Você consegue praticar a compaixão e a solidariedade com o próximo? Como estão os seus relacionamentos?


Em resumo, o conselho é iniciar o novo ano gostando mais da gente, e consequentemente, dos outros. Quando somos gentis e generosos conosco, a tendência é que isso reverbere em todas as relações. Daí a necessidade de reservar um tempo para fazer o que gosta, e empenhar amor e carinho nessas atividades, inclusive na hora de estourar a champanhe.


Fontes: Luciana Dutra-Thomé, psicóloga, professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA); Natalia Novaes Pavani Soler, psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; Nilma Renildes da Silva, professora de Psicologia Social e supervisora de Estágio em Psicologia Social e Comunitária da Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) em Bauru/SP; Rita Calegari, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo; e Sandra Leal Calais, professora assistente do departamento de psicologia e integrante do programa de pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem da UNESP em Bauru/SP.