Credores da Samarco vão apresentar plano alternativo de recuperação até 18 de maio

Credores rejeitaram plano apresentado pela Samarco e votaram pela apresentação de um plano alternativo elaborado por eles.


Os credores da Samarco aprovaram em votação, durante assembleia geral realizada na manhã desta segunda-feira (18/04), o prazo de 30 dias para que eles apresentem um plano de recuperação judicial alternativo ao proposto pela companhia, que foi reprovado mais cedo.


Na contagem por valor do crédito, 100% dos credores votaram a favor do prazo de 30 dias para envio do novo plano. Os credores terão até 18 de maio para apresentar esse plano alternativo.


O advogado que representa a Samarco, Daniel Villas Boas, disse que o histórico das negociações até hoje mostra que os credores financeiros querem asfixiar a empresa, para que seja obrigada a aprovar medidas que só trarão ganhos a eles, e não estão interessados na recuperação da companhia.


“Os credores financeiros querem lucros exorbitantes. Por isso, nenhum plano razoável é aceito. Nenhum plano será avaliado de forma razoável, a menos que consigam 100% do valor do crédito, além de juros, o que é absolutamente inviável para a Samarco”, afirmou Villas Boas. O advogado acusou os credores financeiros de exercício abusivo do direito ao voto.


Já o advogado Paulo Padis, que representa mais de 120 credores financeiros, disse em réplica que houve abuso dos donos da empresa, que “quiseram usar a Samarco para beneficiar os acionistas”. “Nós não temos outra fonte de recuperação dos créditos que não a própria Samarco”, disse o advogado, argumentando que é de interesse dos credores que a empresa se recupere. Ele afirmou ainda que qualquer plano que for apresentado será tão bom ou melhor do que o proposto pela Samarco.


O pedido de recuperação judicial foi impetrado em abril de 2021 e incluiu R$ 24,1 bilhões devidos à Vale e à BHP por linhas de crédito que as duas empresas estenderam para pagar reparações pelo desastre e para financiar as operações da Samarco. Fundos de investimento e bancos detêm outros R$ 26,4 bilhões de dívida da Samarco, incluindo títulos e empréstimos.



Fonte : Valor Econômico

0 comentário