Cidades mineradoras de MG vivem boom de empregos e recorde de arrecadação

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), enquanto o país teve variação positiva na criação de empregos de 2,18% em um ano, Itabirito (MG) apresentou índice de 16,70%. Assim como o município metropolitano, outras cidades mineradoras de Minas Gerais também têm colhido os frutos do aumento no preço do minério de ferro e da alta do dólar.


"Nós abrimos quatro mil vagas no ano passado", disse o prefeito de Itabirito, na Região Central de Minas Gerais, Orlando Caldeira (Cidadania). A cidade - que tem pouco mais de 52 mil pessoas, segundo estimativa do IBGE - teve uma variação de empregos oito vezes maior que a do Brasil nos últimos 12 meses.

Nesta segunda-feira, o índice para o minério de ferro com 62%, conhecido como preço de referência e comparável ao índice da Fastmarkets MB (ex-Metal Bulletin), encerrou cotado a US$ 225,20 a tonelada, com alta de US$ 19, ou 9,21%, em relação ao fechamento de sexta-feira (7), segundo a consultoria MMI, de Xangai.

Já o índice para minério de ferro com teor de 65% Fe, importado pela China na modalidade CFR, encerrou a segunda-feira (10) em US$ 255,90 a tonelada, com avanço de US$ 20,60, ou 8,75%, em relação ao fechamento da véspera, afirma a MMI.

Os municípios que têm exploração mineral recebem das mineradoras 60% da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), que é atrelada ao preço do minério de ferro. Com isso, o orçamento destas cidades aumentou. Os outros 40% da Cfem são distribuídos para estados e União.

A Cfem não pode ser usada em folha de pagamento, mas é fundamental nos investimentos em educação, saúde e infraestrutura destas cidades.


"O aquecimento da commodity, com a volta da demanda da China, aumentou a arrecadação do Cfem. Houve aumento da oferta de empregos, e a gente vive uma situação de pleno emprego aqui na cidade. Especialmente no setor de mineração e no da construção civil", disse o prefeito de Conceição do Mato Dentro e presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Zé Fernando (MDB).

A cidade, que vive da mineração e também do turismo, tem cerca de 17 mil pessoas. A variação de empregos foi de 13,7% nos últimos 12 meses.

A alta do dólar também explica o bom momento do minério de ferro e o consequente crescimento na arrecadação dos municípios mineradores. No início de maio, a moeda americana fechou cotado a R$ 5,36.

"Nós tivemos um aumento de 90% no Cfem em 2020, em relação a 2019", disse o prefeito de Itabirito.

E em 2021, o aumento continuou. Segundo a Amig, a Cfem de Minas Gerais acumulou R$ 392,1 milhões, no 1º trimestre de 2020. No mesmo período deste ano, houve um salto para R$ 881,3 milhões.

Projetos

Prefeitos de oito municípios de Minas Gerais tentam um encontro com o governador Romeu Zema (Novo) em busca de apoio para que seja liberada a implantação do projeto de minério de ferro Bloco 8, da Sul Americana de Metais (SAM), controlada pela chinesa Honbridge. A operação prevê investimento de US$ 2,1 bilhões e é vista como alavanca para o desenvolvimento da região norte de MG, uma das mais carentes do Estado.

Com os projetos da Sigma e da AMG, a produção da Companhia Brasileira de Lítio (CBL) e com inúmeras pesquisas em andamento, Minas Gerais, no médio prazo, pode levar o Brasil a figurar entre os maiores produtores do mineral no mundo. Segundo especialistas, isso é possível considerando cenários interno e externo favoráveis. Além disso, para que a produção signifique desenvolvimento, são necessárias melhorias em arranjos produtivos, pesquisa, políticas públicas e legislação.

Com os dias contados

A dependência das cidades mineradoras em relação à Cfem é alta. Muitas não têm atividades que possam competir com a mineração em relação ao retorno financeiro. Mesmo sendo um recurso finito, poucos municípios têm se preparado para isso.

Itabira, primeira cidade explorada pela Vale, já vive contagem regressiva para o fim da exploração. A expectativa é que a exaustão mineral aconteça em 2031.

"Nossa expectativa é usar o recurso do Cfem para nos prepararmos. A ideia é investir em outros setores, capazes de sustentar a cidade, vista a dependência que Itabira tem do minério de ferro", disse o prefeito Marco Antônio Lage (PSB).

Com o boom do preço da commodity, a variação de postos de trabalho dos últimos 12 meses foi de 12,51%. A arrecadação da Cfem pode ser recorde.

"A projeção deste ano é quase o dobro do ano passado. Nesse ritmo, 2021 vai ser o melhor ano da história", falou o prefeito.

A cidade arrecadou mais de R$ 41 milhões nos primeiros três meses de 2020. Em 2021, até agora, a Cfem foi para 69,2 milhões. Com este capital, o município pretende investir em outras atividades. Transformar Itabira em cidade turística, polo universitário da região, centro hospitalar e até referência na produção de bananas são algumas das opções.

"O desafio é desenvolver uma política de construção de uma cidade sustentável. O minério de ferro é finito. Isto é um fato. Ele vai acabar", disse o prefeito.


As informações são do G1.



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