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CBMM investe R$ 400 milhões em fábrica e avança no uso do nióbio em baterias

Nova fábrica terá capacidade para produzir 3 mil toneladas/ano de óxido de nióbio com características para uso em baterias



Usando a sua estratégia – adotada desde sua origem, há 68 anos -- de desenvolvimento de tecnologia para criar mercado para o nióbio, a CBMM está empenhada na disseminação de uma nova tecnologia pioneira, desenvolvida em parceria com a japonesa Toshiba, que viabiliza o uso do nióbio nas baterias de veículos elétricos, criando, assim, um novo mercado para o seu produto. A tecnologia prevê o uso de óxido de nióbio e titânio em lugar do carbono nas células das baterias, permitindo que o tempo de carregamento seja reduzido de 8 a 10 horas para cerca de 10 minutos, além de oferecer muito mais segurança, já que evita o superaquecimento da bateria, o que pode acarretar incêndio e mesmo explosão da mesma.


A viabilidade da tecnologia animou a CBMM a montar, em Araxá (MG), um laboratório e também uma planta-piloto com capacidade para produzir amostras do óxido misto nióbio-titânio, para serem enviadas para testes, e ainda construiu no Japão uma planta-piloto de células. Recentemente, foram enviadas 5 mil células para possíveis usuários, para que sejam feitos os testes, como informa o CEO da CBMM, Ricardo Lima.


Para viabilizar a aplicação da tecnologia, de acordo com o CEO, a CBMM também buscou a parceria de um fabricante de veículos no País, no caso a Volkswagen caminhões e ônibus, que tem fábrica em Resende (RJ) e que desenvolveu com sucesso o primeiro ônibus elétrico com a bateria que usa óxido de nióbio e titânio no pólo negativo da bateria, que é o ânodo. Uma das características principais da nova tecnologia é que o carregamento da bateria pode ser feito de uma maneira muito mais rápida do que a tecnologia tradicional, que usa o carbono no ânodo. “O carbono funciona bem, mas quando se aplica uma eletricidade de corrente para ter um carregamento rápido, se começa a esbarrar em problemas de segurança, de superaquecimento”, afirma Ricardo Lima.


O veículo desenvolvido pela Volkswagen (um ônibus) já está pronto e deve ser oficialmente mostrado ao mercado ainda no primeiro trimestre de 2024, no município mineiro de Araxá, onde a CBMM mantém suas operações.


A fim de se preparar para atender à nova demanda que será gerada para o óxido de nióbio e seguindo sua estratégia de sempre procurar se antecipar à demanda, a CBMM está realizando um investimento de US$ 80 milhões (cerca de R$ 400 milhões) na implantação de uma nova fábrica com capacidade para produzir 3 mil toneladas/ano de óxido de nióbio com características para uso em baterias. “Com 3 mil toneladas, consideramos que, se der tudo certo, supriremos os primeiros três ou quatro anos de adoção da tecnologia. E já temos um projeto desenvolvido por nossa engenharia que vai nos levar para uma capacidade adicional de 20 mil toneladas”, diz o dirigente, explicando que, neste caso, o investimento passará da cifra de R$ 1 bilhão. “Vamos testar essas 3 mil toneladas e, daqui a um ano ou no máximo um ano e meio, teremos que tomar a decisão. Mas já estamos preparados para os próximos 3 a 4 anos, considerando que vai dar certo”, complementa.


Paralelamente, a CBMM está fazendo um trabalho de marketing com uma consultoria internacional, para disseminação da tecnologia. Mas a empresa já decidiu que vai focar em veículos comerciais, que não devem ficar parados por muito tempo para carregamento da bateria, o que reduz sua disponibilidade. A tecnologia também é adequada para veículos de alta potência, pois permite que a potência seja atingida rapidamente, possibilitando uma aceleração alta. No entanto, mesmo focando apenas nos veículos comerciais, as simulações feitas mostram que a CBMM vai ter um crescimento “bastante interessante” da receita baseada em óxidos nos próximos dez anos.


Além do uso de óxido de nióbio em baterias, a CBMM continua empenhada na expansão do uso do nióbio nos processos de transição energética e descarbonização. “No caso do aço, tem um conceito que está sendo cada vez mais usado, que é o da desmaterialização, ou seja, construir os mesmos edifícios e todo tipo de construção civil com menos materiais. E para isso se precisa de materiais (aço e concreto) de alta resistência”, afirma Ricardo Lima, acrescentando que, no caso do aço, é possível reduzir o volume usado na construção entre 15 e 20%. E, ao se usar menos material, há menos emissão de carbono. São aços com características de alta resistência, que têm maior valor agregado, o que agrada às siderúrgicas. Esse tipo de aço pode ser usado nas construções em zonas com risco de abalos sísmicos, já que, por apresentar alta resistência e tenacidade, possibilitam condições de segurança mais favoráveis. A China tem uma nova norma para materiais de uso estrutural em edificações que requer o uso de aços com microadições (não só de nióbio, mas também de vanádio e outros materiais), segundo o CEO, o que contribuiu para que a CBMM tivesse forte crescimento nesse segmento, desde 2018/2019.


A geração de energia, principalmente as torres eólicas (tanto onshore quanto offshore), onde são usados aços microligados, possibilitando que se tenha estruturas mais leves, também tem representado um bom mercado para a CBMM.


Outro uso do nióbio, que está crescendo na faixa de 7 a 10% ao ano, é em nanomateriais, para aplicações magnéticas como em redes de transmissão de energia, motores elétricos, miniaturização de motores elétricos, onde se requer maior resistência e menos ruídos magnéticos.


Outro desenvolvimento no qual a empresa está trabalhando, em parceria com pesquisadores da UFMG, é o uso do nióbio em fungicidas que, embora ainda esteja numa fase preliminar, é bastante promissor.


Ricardo Lima explica que o programa de tecnologia desenvolvido pela CBMM e parceiros tem uma curva em S, sendo que na ponta superior estão os usos do nióbio já “sacramentados”, que requerem apenas manutenção (caso do uso do nióbio em oleodutos e gasodutos) e no final do S ficam as tecnologias que estão em fase final de desenvolvimento, como é o caso do uso do nióbio nas baterias. “E temos o início, aquilo que está na fase de pesquisa, desenvolvimento, testes, como o fungicida. São projetos que estão nascendo, vão se tornar realidade daqui a cinco anos. Então tem coisas que vão acontecer e outras que temos que manter”, raciocina o CEO.


Nessa ótica, ele acrescenta que a CBMM investe, anualmente, cifras da ordem de R$ 250 a R$ 300 milhões em P&D, além de uns R$ 700 milhões em Capex. “Não economizamos nisso. Onde tem um bom projeto, fazemos. Mesmo que não tenha sido orçado, não tem problema. É isso que garante o crescimento da companhia”, argumenta.


Terras raras


Embora tenha sido pioneira, no Brasil, no processamento de terras raras para obtenção de Óxidos de Elementos de Terras Raras, tendo inclusive uma planta semi-industrial em Araxá, que está sob cuidados e manutenção, a CBMM não vê perspectivas de ingressar na produção em escala industrial em curto prazo, porque exigiria investimentos da ordem de bilhões de reais e, com os atuais níveis de preços no mercado internacional, “a conta não fecha”, conforme Ricardo Lima. Portanto, por enquanto a empresa prefere acompanhar a evolução do mercado, observando as tendências de preços. “Cuidamos da planta semi-industrial, temos a tecnologia, mas temos que esperar uma condição mais favorável de mercado. Eu acho que pelo crescente uso de terras raras e aplicações, a questão toda de não se querer ter dependência de um ou de outro, pode ser que isso vire. Mas no momento atual, não vemos como algo promissor”, conclui o executivo.


Por: Francisco Alves para a Revista digital Brasil Mineral

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