Avião de senador do "dinheiro na cueca" sobrevoava garimpo ilegal em RR

Um dos aviões flagrados circulando diversas vezes a região de um garimpo ilegal na comunidade Waikás, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, pertencia ao senador Chico Rodrigues (DEM-RR), entusiasta declarado do garimpo e que, em outubro do ano passado, foi flagrado pela Polícia Federal tentando esconder R$ 33 mil na cueca, durante operação em sua casa, em Boa Vista


Quatro denúncias feitas por movimentos indígenas à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) em Roraima entre 2018 e 2019 apontaram que a aeronave de prefixo PT KEM entrou diversas vezes no território. De acordo com certidão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião pertenceu ao senador e ex-governador de Roraima no período de 13 de junho de 2011 a 28 de fevereiro de 2018.

Procurado, o senador Chico Rodrigues afirmou que "à época dos fatos narrados, já havia transferido a posse [do avião]", porém não enviou documentos que comprovassem a informação. Disse ainda, por meio de sua assessoria de imprensa que, no período em que de fato tinha a posse, "não realizou nenhum voo em região de garimpo ilegal".

No entanto, documento da Anac mostra que a transferência da propriedade da aeronave foi realizada em 2 de março de 2018, depois, portanto, das denúncias feitas pelos movimentos indígenas e desta aeronave ter sido vista sobrevoando garimpos.

A Polícia Federal não quis dar informações sobre o andamento das denúncias, alegando apenas que "não se manifesta acerca de investigações em andamento". O MPF em Roraima informou que está atuando "em mais de um procedimento sobre as denúncias citadas e que aguarda a conclusão das investigações para tomar as medidas cabíveis".

O movimento indígena também encaminhou as denúncias ao Ministério da Defesa, à Funai, ao ICMBio e a brigadas de infantaria subordinadas ao Comando Militar da Amazônia. A reportagem procurou essas instituições, mas só o Ministério da Defesa respondeu, dizendo que "a competência para tratar assuntos relativos à invasão de terras indígenas é da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Polícia Federal. O Ministério e as Forças Armadas poderão contribuir com os referidos órgãos, se houver necessidade e mediante solicitação de apoio".


De acordo com uma das denúncias dos indígenas, a chamada "pista clandestina 4" é o principal local de pouso das aeronaves, que transportam os garimpeiros e seus equipamentos, além de "combustível para as balsas que ficam na boca do rio". Um dos pousos do avião do senador foi justamente nesta pista. "A aeronave PT KEM pousou em fevereiro [de 2018] neste local", disse um dos documentos produzido pelos indígenas.


As informações são do Repórter Brasil.

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