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Após acordo com a Vale, Anglo American estuda expansão do Minas-Rio

Entrevista com a CEO da Anglo American Brasil, Ana Sanches




A incorporação dos 4.3 bilhões de toneladas de minério de ferro da Serra da Serpentina em seus recursos, como fruto do acordo com a Vale, poderá permitir que a Anglo American Minério de Ferro Brasil aumente a capacidade de produção do Minas-Rio, hoje em 26,5 milhões de toneladas e podendo chegar até 31 milhões t, que é a capacidade máxima do mineroduto que leva o minério até o litoral fluminense.


Segundo a CEO da Anglo American Brasil, Ana Sanches, serão estudadas todas as alternativas, inclusive uma possível duplicação do Minas-Rio e um aumento da participação da Vale em mais 15%. “Ampliar ou dobrar a capacidade atual de produção envolve uma análise com várias vertentes, como a questão do licenciamento e minimização de todo e qualquer impacto. A expectativa é de que os estudos estejam concluídos em cinco anos após a assinatura e o fechamento do acordo”, diz a executiva.


Para ela, agregar os recursos da Serra da Serpentina será muito positivo para o futuro do Minas-Rio, “com a continuidade das operações utilizando minério friável, mais fácil de ser processado e beneficiado, pois é menos compacto. Outro diferencial é o teor médio de minério friável da Serra da Serpentina, na ordem de 40%, enquanto o que temos remanescente está na ordem de 32%. Outro aspecto bastante benéfico do acordo firmado com a Vale está na questão social. As comunidades no entorno não terão duas mineradoras operando concomitantemente. A Anglo American está na região há muito tempo. Desde que entrei na empresa, há 12 anos, acompanho o amadurecimento do relacionamento com as comunidades. Já conhecemos as pessoas e elas nos conhecem. Vivemos uma relação crescente, de confiança, e mantemos o compromisso de operar com respeito às pessoas e com cuidados ao meio ambiente”, enfatiza Ana Sanches. Confira, na entrevista a seguir:


BRASIL MINERAL – A Anglo American anunciou que a Vale adquiriu 15% do seu negócio Minério de Ferro no Brasil. Como se dará essa parceria efetivamente?


Ana Sanches – Firmamos esse acordo com a Vale para podermos incorporar aos recursos atuais do Minas-Rio, que correspondem à Serra do Sapo, a Serra de Serpentina, também situada no município de Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais. Com isso, passaremos a ter um plano único e integrado de lavra, de forma que os recursos da Serra de Serpentina sejam beneficiados em nossa planta já existente no local.


Em troca da integração desses recursos ao Minas-Rio, a Vale recebeu 15% de participação no negócio Minério de Ferro da Anglo American. A transação exclui as operações de níquel e a joint-venture que a companhia possui no Porto do Açu. O pagamento dos 15% da Vale se dará com a concessão dos recursos da Serra da Serpentina, além de uma parcela em dinheiro divulgada ao mercado (US$ 157,5 milhões). Estamos vendo o acordo de forma muito positiva e acreditamos que várias oportunidades virão, embora ainda não tenha sido totalmente firmado. Segue agora para um processo de revisão por parte dos órgãos reguladores, algo que deve levar alguns meses e, sendo aprovado e concretizado, se tornará muito positivo para o futuro do Minas-Rio, com a continuidade das operações utilizando minério friável, mais fácil de ser processado e beneficiado, pois é menos compacto. Outro diferencial é o teor médio de minério friável da Serra da Serpentina na ordem de 40%, enquanto o que temos remanescente está na ordem de 32%. Um aumento representativo do teor percentual de ferro do minério na lavra. Isso nos permitirá continuar operando muitos anos nessa produção de minério friável de alto teor. O mercado já conhece bem o minério de ferro de altíssima qualidade produzido no Minas-Rio. Temos excelente receptividade por parte dos nossos clientes, justamente pela questão da transição energética e pelo fato de que a alta qualidade do nosso minério permite seu uso com menores índices de emissão de gás carbônico.


Outro aspecto bastante benéfico do acordo firmado com a Vale está na questão social. As comunidades no entorno não terão duas mineradoras operando concomitantemente. A Anglo American está na região há muito tempo. Desde que entrei na empresa, há 12 anos, acompanho o amadurecimento do relacionamento com as comunidades. Já conhecemos as pessoas e elas nos conhecem. Vivemos uma relação crescente, de confiança, e mantemos o compromisso de operar com respeito às pessoas e com cuidados ao meio ambiente.



BRASIL MINERAL – A Vale poderá ampliar sua participação no negócio para além dos 15%?


Ana Sanches – Sim. A participação de 15% poderá aumentar para 30%, mas a Vale continuará seguindo como sócia minoritária no nosso dia a dia de governança de investimentos. Isso se os estudos a serem iniciados após a conclusão das transações mostrarem a viabilidade de aumentarmos a capacidade de produção do Minas-Rio. Nesse caso, seguindo alguns critérios, a Vale poderá adquirir mais uma participação de 15%. São pontos bastante positivos que enxergamos com esse acordo.



BRASIL MINERAL – Se confirmados os estudos de viabilidade, qual a expectativa de aumento de produção para o Minas-Rio? Em qual prazo?


Ana Sanches – A Serra de Serpentina é um corpo mineral vizinho ao nosso. Começamos essas conversas recentemente com a Vale e fizemos um comunicado que já estávamos nessas tratativas. Ambas as partes viam essa possibilidade de sinergia, de otimização da produção. As conversas foram amadurecendo, até chegarmos a esse acordo. Mantendo os níveis de produção na capacidade estimada, o Minas-Rio pode chegar a 31 milhões de toneladas por ano. Quando falamos em integrar a Serra de Serpentina à Serra do Sapo e fazer uma lavra conjunta, estamos falando de uma extensão do prazo em que o Minas-Rio irá lavrar minério friável de alto teor. Isso significa uma expectativa de menores custos de processamento caso entrássemos na fase compacta, uma otimização dos investimentos de capital, uma vez que não seriam necessárias adequações na planta para tratar o minério compacto, além de menor geração de rejeitos, pelo fato de estarmos tratando um minério de melhor teor por mais tempo. Quantificar tudo isso será fruto dos estudos robustos que serão realizados. Ampliar ou dobrar a capacidade atual de produção envolve uma análise com várias vertentes, como a questão do licenciamento e minimização de todo e qualquer impacto. A expectativa é de que os estudos estejam concluídos em cinco anos após a assinatura e o fechamento do acordo. Tudo isso será executado dentro dos conhecidos e rígidos padrões de análise da Anglo American.


O acordo nos abre um leque de opções muito amplo, que vai desde a integração da Serra da Serpentina à nossa lavra, já considerando o que temos de capacidade instalada, até o aumento da capacidade ou de uma possível duplicação.



BRASIL MINERAL - Como se daria então o escoamento desse minério adicional, uma vez que o mineroduto existente foi projetado para um limite de 31 milhões de toneladas?


Ana Sanches – O mineroduto é uma solução social e ambientalmente muito positiva. No caso do existente no projeto Minas-Rio, 90% de sua extensão é subterrânea, o que torna essa logística bastante favorável. A construção de um segundo mineroduto ao lado do já existente pode ser uma opção dentro dos estudos. O nosso mineroduto é o maior do mundo em operação, com extensão de 529 km. Já dominamos essa tecnologia. Mas, pelo acordo, a Anglo American passa a contar também com toda a operacionalidade logística da Vale. Nós temos 50% do Porto do Açu e a Vale também tem capacidade de escoamento nos seus portos. Tudo isso será ‘colocado na mesa’ para fazermos a melhor combinação desse arranjo. Não existem prioridades neste momento. O estudo começa com todas as alternativas no mesmo pé de igualdade, sem qualquer viés do que seria o melhor.



BRASIL MINERAL – Qual o volume de recursos da Serra da Serpentina?


Ana Sanches – Cerca de 4.3 bilhões de toneladas. A capacidade atual instalada do Minas-Rio é de 26,5 milhões de toneladas/ano. Nosso gargalo atual é o mineroduto, que tem potencial para chegar até 31 milhões de toneladas. Para além disso seria necessária outra solução de escoamento. Incorporando agora a Serra da Serpentina e confirmando a viabilidade de expansão do Minas-Rio ou sua duplicação, será necessário ampliar a capacidade da planta de beneficiamento, em todas as suas etapas: britagem, moagem, filtração. Teremos que entender como essas etapas irão se comportar e qual o investimento necessário, caso os estudos confirmem essa viabilidade. A ideia em princípio é trazer o minério da Serra de Serpentina para ser processado em nossas instalações existentes. Acreditamos muito nesse potencial de expansão – estamos falando de um minério disponível de alta qualidade, de uma planta industrial existente com potencial de duplicação. O próximo passo será entender como tudo isso irá funcionar. Convém esclarecer também que uma parcela da Serra do Sapo está no município de Alvorada de Minas e grande parte em Conceição do Mato Dentro, onde também se localiza a Serra de Serpentina. São recursos contíguos.



BRASIL MINERAL – O que precisaria acrescentar para a empresa chegar à produção de 31 milhões de toneladas?


Ana Sanches – A Anglo American trabalha com um pipeline de investimentos para os próximos cinco anos na ordem de R$ 12 bilhões, com o forte compromisso de continuar investindo no Estado de Minas Gerais e na geração de empregos. Serão feitas algumas adequações na planta e solucionados gargalos de algumas etapas para elevar os níveis de produção de forma segura e responsável. Vale a pena ressaltar que a companhia está investindo R$ 4 bilhões em uma planta de filtragem para fazer a disposição do rejeito a seco. A obra já está com mais de 30% de avanço físico e a previsão é que esteja operando em 2026. Com isso, mais de 80% do rejeito deixará de ser enviado para a barragem. Após processado e seco, ele será transportado, compactado e empilhado.



BRASIL MINERAL – De que forma o mercado recebeu a notícia do acordo com a Vale?


Ana Sanches – Estamos tendo retornos positivos, tanto no Brasil quanto lá fora. As pessoas estão entendendo as razões desse acordo e estamos tentando ser bem abertos e transparentes. Os desafios para a Vale fazer todo esse trabalho, sozinha, naquela área, poderiam ser maiores. Para nós, o acordo é uma extensão de tudo o que já estamos fazendo e, para a região, os ganhos se tornam ainda mais efetivos.


Por: Mara Fornari e Francisco Alves para a Revista digital Brasil Mineral

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