Analistas avaliam fim de acordo da Vale para venda de operação na Nova Caledonia

A notícia de que a venda da Vale Nova Caledonia (VNC) para a australiana New Century Resources (NCZ) foi frustrada repercutiu entre analistas de diferentes bancos e corretoras. A maioria avaliou que o cancelamento do negócio foi prejudicial à Vale, mas acreditam que a decisão da mineradora brasileira de interromper as atividades da operação de níquel e cobalto favorece a companhia.


A XP Investimentos, a Guide Investimentos e a Ágora Investimentos comentaram sobre o assunto e parecem ter chegado à mesma conclusão. Embora o fim do período de exclusividade com a NCZ seja negativo para a companhia, a decisão de iniciar a etapa de care and maintenance (cuidado e manutenção) da VNC foi bem recebida.


O BTG Pactual também avaliou o acordo frustrado e classificou a notícia como "inesperada" e "marginalmente negativa". Isso porque a Nova Caledônia tem operado com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) no vermelho por muitos anos, e agora a Vale precisará lidar com essas perdas por tempo indeterminado.


"Vemos o desinvestimento como uma solução rápida e barata", afirmaram os analistas Leonardo Correa e Caio Greiner. Por outro lado, a perspectiva de um possível fechamento da operação animou o BTG. "Embora não seja o melhor cenário para os acionistas, recebemos bem a decisão da companhia de escolher sair do ativo por meio de seu fechamento", acrescentaram Correa e Greiner.


A Vale continua sendo a top pick do banco, que reiterou a compra das ADRs (American Depositary Receipts) da empresa, com preço-alvo para os próximos 12 meses de US$ 14. O BTG reconheceu que a ação está barata, mas o risco será reduzido em um processo gradual baseado em retornos em dinheiro, retomada de volumes e melhora da percepção ESG (Ambiental, Social e governança) no longo prazo.



Para a Ágora, a notícia de que a Vale não conseguiu entrar em acordo com a New Century Resources(NCZ) é ruim. A corretora vê a informação como negativa para a companhia no curto prazo, já que a venda do ativo parecia estar próxima.


"Acreditamos que a venda da VNC seria um passo estratégico positivo para a Vale, já que tem sido um ativo de baixo desempenho, com lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) negativo contínuo ao longo dos anos", afirmaram os analistas Thiago Lofiego e José Cataldo, que assinam o relatório.


A Ágora acrescenta ser bom que a Vale comece a preparar o ativo para um potencial desligamento ou retorno total ao Governo francês, caso uma solução de curto prazo não seja alcançada. Para a corretora, isso mostra que a administração está comprometida com a alocação eficiente de capital e aderente à estratégia de saída. "Dada a robusta geração de FCF (Fluxo de Caixa Livre) da Vale, acreditamos que a empresa pode certamente acomodar o investimento necessário para desinvestir (ou encerrar) a VNC", observa.


A Guide também vê o fim do acordo como negativo para a mineradora. "A Vale agora deverá iniciar etapas necessárias para preparar a VNC para um possível fechamento da operação", diz o analista Luis Sales.


A XP vê o encerramento da mina como positiva, "na medida em que reduz exposição a ativos menos rentáveis", afirma.



Fonte: Money Times.

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