AMG Mineração investirá cerca de R$ 782 mi em planta de hidróxido de lítio em MG

A AMG Mineração investirá cerca de US$ 150 milhões (R$ 782 milhões) em uma planta química de hidróxido de lítio nas divisas entre os municípios de Nazareno e São Tiago, em Minas Gerais. A previsão inicial era de implantação em 2021, mas alterações no projeto original acabaram adiando a inauguração, que deve ocorrer até 2024. A empresa disse que, até o momento, a modificação nos prazos nada tem a ver com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19).


Em entrevista exclusiva ao Notícias de Mineração Brasil (NMB), o diretor-executivo e presidente da AMG no Brasil, Fabiano José de Oliveira Costa, disse que as mudanças ocorreram após a assinatura do protocolo de intenções com o governo de Minas Gerais que previa a implantação no ano que vem.

Uma das mudanças é para não apenas aumentar a produção de concentrado de lítio, feito pela planta química da empresa inaugurada em 2018, mas agregar valor à produção e fabricar um produto com maior qualidade.

"Nós decidimos inverter a ordem. Vamos agregar valor ao produto e depois, eventualmente, se houver demanda, a gente expande a produção de lítio. A nossa intenção é pegar esse concentrado de lítio que produzimos atualmente e agregar valor, ou seja, converter esse concentrado em um produto químico: o hidróxido de lítio", afirmou. 

"Hoje em dia, a tonelada desse produto que vendemos é algo em torno de US$ 500, enquanto a do produto químico, o hidróxido de lítio, gira em torno de US$ 7,5 mil. É um produto que vale 15 vezes mais do que aquele que nós estamos produzindo. Então é muito estratégica essa mudança", acrescentou o executivo.

Costa declara que a capacidade instalada da nova planta será de 150 mil toneladas por ano, convertendo o concentrado de lítio em hidróxido.


"A capacidade instalada será para convertermos 150 mil toneladas: as 90 mil toneladas que a gente produz e estamos imaginando, eventualmente, que poderemos comprar outras 60 mil toneladas de outros fornecedores no futuro ou até mesmo expandir a nossa produção. A intenção é que tenhamos capacidade de converter 150 mil toneladas de concentrado de lítio em hidróxido, ou seja, alguma coisa em torno de 25 mil toneladas de hidróxido", destaca.

Teor

O diretor-executivo afirma que o hidróxido tem uma concentração muito maior do que o concentrado de lítio que a empresa produz. "O concentrado de lítio que produzimos atualmente tem 6% de dióxido de lítio, o LIO2. O hidróxido tem 99%, em média, do dióxido de lítio. É um produto muito mais concentrado, é praticamente dióxido de lítio puro".

Outra modificação no projeto está relacionada à estrutura da planta, que passará por alterações de engenharia, fato que também implicou no adiamento da implantação.

"Estamos emitindo requisições de propostas técnicas para três empresas internacionais de engenharia, para que possam fazer uma revisão do projeto, que agora terá um grau técnico, em vez de grau de bateria. A gente espera receber essas propostas, que são bastante complexas, dentro de um ou dois meses. Faremos então o processo interno de seleção para escolher a nossa parceira. A partir da revisão de engenharia é que a gente pode realmente detalhar o cronograma. Até o fim de 2023, início de 2024, a gente acredita que essa planta poderá ser inaugurada", declara.

Os planos da AMG Mineração também mudaram, segundo ele, em relação à fonte do investimento para construção da nova planta. O objetivo inicial era utilizar recursos próprios. Só que, após o investimento de R$ 838,9 milhões na planta inaugurada em 2018 (e em obras de infraestrutura), considerada a primeira etapa do projeto de lítio da companhia, agora a empresa buscará o financiamento com um banco alemão.

"Com todo esse investimento (na primeira etapa) e algumas questões de resultado do grupo, tivemos que rever a condição de financiamento para as próximas etapas. A gente decidiu que não iríamos fazer isso com investimento próprio, mesmo porque temos uma série de potenciais parceiros. Um deles é o Banco de Desenvolvimento Alemão (KFW). Eles têm algumas linhas específicas de financiamento e a gente julgou que se enquadraria muito bem, visto que temos unidades operacionais na Alemanha", ressalta.

O presidente da AMG Brasil declara também que a intenção da empresa é aproveitar essas unidades em solo alemão para refinar o material que será produzido no Brasil e reduzir o problema de logística de produtos químicos do lítio.

"Vamos fazer um refino do material que for produzido aqui no Brasil na Alemanha, por causa de problemas ligados à logística de materiais químicos do lítio. A maior parte desses materiais são produzidos na América do Sul, principalmente no Chile e alguma coisa na Argentina. São as grandes produções de lítio no mundo, mas eles não conseguem fazer com que esse material chegue através de carregamentos por navio na China, onde são as produções da cadeia produtiva, além do carbonato, porque ele é muito suscetível à temperatura", afirma.

"Então, quando você navega através do Equador, você acaba transformando esses materiais químicos em um novo produto porque altera suas características e propriedades físicas, que causam dificuldades para a indústria que faz os catodos e as baterias", completa Costa.

A AMG quer também aproveitar o refino em solo alemão para se aproximar de grandes montadoras de veículos, que desejam reduzir a dependência da Ásia e buscar novas fontes de matéria-prima.

"A ideia agora é produzir no Brasil um hidróxido de grau técnico, que tem algumas características que ainda não são apropriadas para bateria, para que isso possa ser transportado por via marítima para a Europa. E na Europa ele possa ser refinado para o grau de bateria. Esperávamos que em 2021, grande parte da frota mundial de veículos movidos a combustíveis fósseis fosse substituída por veículos elétricos. No meu modo de ver, esse atrasado vem do receio das grandes montadoras que não produzem seus veículos na Ásia, da dependência que teriam da China. Então existe uma demanda mundial das grandes montadoras, principalmente daquelas que ficam ali na Alemanha, e nós estamos falando de gente forte do tipo Volkswagen e empresas dessa natureza, que gostariam de ter um bom produtor de catodo de baterias ali no quintal deles", analisa.

Licenciamento

O licenciamento em Minas Gerais também é uma questão considerada complexa. Conforme o executivo, os desastres com as barragens da Vale e da Samarco trouxeram "receios" para as autoridades na hora de emitir as licenças para novos projetos de mineradoras.

"A questão de licença em Minas Gerais é sempre uma questão delicada. Infelizmente, os eventos da Samarco e da Vale impuseram alguma complexidade no processo de licenciamento e existe o receio das autoridades em licenciar, mas eu acredito que isso faz parte do processo. Inclusive, dentro desse nosso cronograma de 2023, 2024, é um dos maiores gargalos que temos (o licenciamento). Mas vamos procurar o governo, que é o responsável por essas autoridades ambientais, para que possamos começar a colocar em prática o projeto e talvez adiantar ele no tempo, o que é de interesse comum a todos", disse.

A AMG, com aproximadamente 3.300 funcionários em instalações de produção na Alemanha, Reino Unido, França, República Tcheca, Estados Unidos, China, México, Índia, Sri Lanka e Moçambique, possui quatro negócios no Brasil: mineração, metalurgia do alumínio, processamento químico de óxidos de nióbio e tântalo e a operação de uma usina hidrelétrica. Com a inauguração da planta química de hidróxido de lítio, o setor de mineração vai ter sua receita aumentada em quatro vezes, e os outros negócios no Brasil dobrarão suas receitas, conforme o executivo.

A empresa também produz anualmente no Brasil cerca de 330 mil libras (150 a 160 toneladas) de tântalo, 200 mil toneladas de feldspato, de 600 a 700 toneladas de óxido de nióbio e entre 60 e 70 toneladas de óxido de tântalo. De ligas de alumínio, a capacidade gira em torno de 12 a 15 mil toneladas. 

Já em relação às ligas de estanho, Costa afirma que a produção é variável, uma vez que a produção é afetada "pela inerência da mina, por aquilo que aparece". "Nosso plano de lavra não é baseado no estanho. Nosso plano é pelo tântalo. O que vem de estanho é bônus. Já chegamos a produzir no passado 100 toneladas, como já produzimos também cinco toneladas em um ano. Então varia muito", finaliza.


Fonte: Notícias de Mineração do Brasil

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