Alta da MMX de 1920% em outubro é altamente especulativa, diz analista


A valorização das ações da mineradora MMX, fundada por Eike Batista, de 1.922,47% em outubro, indo a R$ 36, é um movimento altamente especulativo, conforme informações de um analista de mercado. Ele destaca que ainda não há mais informações sobre a real capacidade de geração de caixa do ativo da mina Emma e a mensuração sobre qual é a “grande relevância econômica”.

A explosão da valorização dos papeis ocorreu após a empresa comunicar ao mercado sobre o pedido na Justiça para ter o controle da mina.

"O objetivo de todo investidor é comprar no mercado aquilo que ele acredita que, em sua opinião, tem mais valor que o preço praticado. Não há como avaliar nesse caso qual é o real valor dos ativos que compõem a empresa", destacou João Beck, sócio da BRA, escritório credenciado da XP, em entrevista ao Estadão.

Cabe destacar que a ação da MMX, que estreou na Bolsa em 2006, chegou a valer mais de R$ 2 mil em 2008, no auge da euforia do mercado com os papéis da companhia, em meio a grandes projeções de produção de minério de ferro e aço. Contudo, a companhia deixou de cumprir contratos, trazendo à tona problemas de capacidade operacional do projeto.

Os problemas se acumularam com as investigações envolvendo Eike Batista, que culminaram com sua prisão em 2019. A mineradora está em recuperação judicial desde 2016.

O catalisador para a grande valorização dos papeis foi a informação da mineradora em 30 de setembro de 2020, em fato relevante, de que protocolizou petição junto ao juízo de sua recuperação judicial, buscando recuperar o ativo mina Emma, localiza em Corumbá e que foi oferecido aos credores na recuperação judicial. Segundo a companhia destacou no documento, a exploração "pode ser de grande relevância econômica".


Somente na semana passada, a ação companhia subiu 810%, passando de R$ 1,77 para R$ 16,11.

Com isso, os investidores se animaram, uma vez que a mineradora está em recuperação judicial há quatro anos e sem operação.

Essa justificativa também foi destacada pela companhia em comunicado no último dia 6 de outubro, em que explicou para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o motivo para tamanha oscilação de suas ações, inclusive por um volume muito acima da média diária. 

Se antes o volume negociado com as ações raramente passava dos R$ 10 mil, no dia 7 os papéis movimentaram R$ 11,08 milhões, com o giro subindo sucessivamente até atingir mais de R$ 100 milhões na sessão de terça-feira (13), em que os papéis subiram impressionantes 123,46%, a R$ 36.

Além da MMX, a OSX, da área de construção naval, também registra forte alta na Bolsa. Apenas na sessão de terça-feira, os papéis saltaram 153,01%, a R$ 21,00, e acumulam alta de 376,19% no mês. Juntas, as duas empresas têm dívidas que somam mais de R$ 7 bilhões, sendo que ambas estão em recuperação judicial. A MMX já teve falência decretada em 2019, processo que só não foi em frente por uma liminar judicial.

A OSX também foi questionada pela CVM no último dia 7 sobre o movimento atípico das ações, mas informou "que não tem conhecimento de qualquer ato ou fato relevante que poderia dar ensejo às oscilações atípicas do volume e do valor de cotação das ações".

Um dia depois, no dia 8 de outubro, o site da revista Exame apontou que Eike Batista já está preparando o seu retorno para as duas companhias, enquanto aguarda a homologação de sua delação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A delação envolve investigação de corrupção de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro. O empresário, contudo, aponta a publicação, está confiante de que vai virar a página.

"Mesmo condenado por manipulação de mercado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Justiça e proibido de ocupar cargos de administração em companhias abertas pelos próximos sete anos, Eike Batista está trocando a gestão das controladas MMX e OSX. Como não pode sentar na cadeira ele próprio, vai colocar administradores de sua confiança e subordinação no lugar dos atuais", ressalta a reportagem. As informações são do Infomoney, do Estadão e da revista Exame.

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