A revolução dos robôs na mineração

Entenda como as novas tecnologias aumentam a segurança dos trabalhadores e trazem ganho de eficiência para as empresas.


Minas Gerais tem sido um celeiro de inovação. O uso de novas tecnologias está mudando a realidade da indústria de mineração. Na Vale, por exemplo, robôs já são usados para tarefas de manutenção, evitando assim expor empregados a situações de risco. Segundo a companhia, hoje ela opera com três modelos de robôs. Dois deles foram desenvolvidos pelo Instituto Tecnológico Vale (ITV), que realiza parcerias com a Universidade Federal de Minas Gerais e com a Nasa, agência espacial dos Estados Unidos.


Já o Anymal foi comprado da fabricante Anybotics, sediada na Suíça. O robô é capaz de manobrar em torno da plataforma e superar obstáculos, como subir e descer escadas. Ele cria e exibe um mapa digitalizado da área sob inspeção, executa o planejamento de rotas e define o caminho a seguir. Além disso, foca em objetos e instrumentos específicos, transmite cenas e grava imagens térmicas com medições de temperatura.


Além dos ganhos de segurança, a mineradora espera reduzir o número de paradas e custos de manutenção e garantir maior confiabilidade na inspeção e coleta de parâmetros para controle de desempenho em tempo real. “Com o robô, eliminamos riscos pertinentes às atividades de inspeção, como partes rotativas de equipamentos, ruído e poeira”, explica Rayner Teixeira, analista operacional responsável pelo desenvolvimento do Anymal na Vale. “Também eliminamos atividades que possuem risco ergonômico, em que o empregado precisa executar uma tarefa em uma posição incômoda. O robô também nos dá acesso a espaços confinados, como o interior de um moinho”, explica o analista.


Indústria do futuro


O uso de robôs na mineração é um exemplo da mineração do futuro. Nela, tecnologia, segurança e sustentabilidade andam juntas, com investimentos em pesquisa e inovação. Para Ricardo Aloysio, gerente de Tecnologia e Educação Profissional do SENAI de Minas Gerais, veremos “homens trabalhando em funções analíticas e máquinas realizando tarefas perigosas. Auditorias em terrenos, fábricas, barragens e unidades de distribuição feitas a distância, a partir de dados coletados por robôs em tempo real. Caminhões pilotados por motoristas dentro de salas. Robôs exploradores acessando locais perigosos e de difícil acesso para humanos. Internet 5G conectando máquinas e capturando dados para prever os movimentos da operação em tempo real, antecipando movimentos e mitigando riscos”, prevê.


A instituição, braço da Federação das Indústrias de Minas Gerais, é parceira da mineração no estado. Ela atua como consultora de novas tecnologias e oferece formação tanto para os profissionais que já atuam no mercado, quanto para aqueles que estão chegando. “O setor tem sido atendido pelo SENAI há vários anos, porém, seus desafios e necessidades específicas vêm se modificando ao longo dos anos. Estamos sempre nos adaptando, para oferecer tecnologia de ponta”, destaca o gerente.


Para isso, abriga o Centro de Desenvolvimento e Treinamento da Indústria 4.0 e cinco unidades para a formação de profissionais de mineração. Já para pesquisa e inovação, mantém o Instituto de Tecnologia em Processamento Mineral, que estuda aplicações tecnológicas para todas as etapas da cadeia do minério. “Educação e tecnologia andam juntas e uma alimenta a outra. Nosso papel é atuar nas duas pontas, tornando a indústria do minério em Minas Gerais referência para o Brasil e para o mundo”, reflete Ricardo Aloysio.


Fonte: g1.globo.com



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