Protestos contra mineração se espalham em Minas Gerais


Moradores de Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas, fizeram um protesto na manhã de ontem (30), na rodovia MG-010, contra as operações da mineradora Anglo American na cidade. Eles denunciam o risco de rompimento da barragem de rejeitos no local.

Em Belo Horizonte, artistas retiram obras de museu da Vale. As principais reivindicações são o apoio e indenização aos moradores das comunidades próximas à empresa. Segundo os manifestantes, eles sofreram repressão da polícia e foram ameaçados com balas de borracha.

"Tem pessoas que moram a um quilômetro da barragem da Anglo American, bem debaixo. Eles falam que não tem perigo de romper, mas a população não acha isso", declarou Lúcio Guerra, de 53 anos, que mora na região.

Segundo ele, se a barragem romper, além de atingir as comunidades próximas à mineradora, os rejeitos vão atingir cursos d'água importantes na região. "Se ela estourar, vai chegar no córrego do Passa Sete, no rio do Peixe, no rio Santo Antônio e no rio Doce, que já foi atingido pela lama em Mariana", contou. De acordo com ele, a empresa oferece indenização a moradores para mudar de suas casas, com o objetivo de fazer obras. Ele denuncia que a Anglo não cumpre suas promessas. "Antigamente, eles davam alguns hectares de terras em outros locais mais uma quantia em dinheiro. Mas, hoje em dia, isso diminuiu muito", declarou. Por meio de nota, a Anglo American informou que equipes da empresa estiveram em diálogo com os manifestantes para discutir as reivindicações apresentadas. Segundo ela, foi proposta a realização de uma reunião com representante dos moradores da região e com autoridades locais para tratar de todas as demandas. A Anglo American informou que a barragem de rejeitos do Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro, tem um completo programa de gestão de segurança, incluindo inspeções diárias, leitura semanal dos instrumentos e inspeções geotécnicas com frequência mínima quinzenal, além de revisões trimestrais realizadas por empresas independentes. A mineradora disse ainda que está dia com todas as auditorias que geram as declarações de estabilidade exigidas pela Agência Nacional de Mineração (AMN) e Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam). A barragem foi construída com aterro compactado e seu alteamento está sendo feito pelo método a jusante, considerado o mais seguro e conservador.

CSN

Moradores do bairro mais próximo da barragem da mina Casa de Pedra, em Congonhas (MG), entregaram na terça-feira (29) à direção da mineradora Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma reivindicação para a secagem da barragem. O ato ocorreu após a reunião entre representantes da comunidade, da CSN e da Prefeitura de Congonhas. De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a barragem citada tem capacidade de acúmulo de cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeito. Além disso, é classificada como Classe 6, a mais alta em categoria de risco e de dano potencial associados.

A CSN confirmou a agenda para recepção de representantes da comunidade, mas ainda não se posicionou sobre as demandas apresentadas. Segundo a prefeitura, uma multidão de moradores de toda a cidade participou da reunião. Classe artística Dezessete dos 18 artistas selecionados para a coletiva "Cinco anos do edital do Memorial Vale", em cartaz no Memorial Minas Gerais Vale, em Belo Horizonte (MG), decidiram retirar seus trabalhos da mostra, em protesto contra a mineradora. A decisão é colocada, em carta aberta, como "repúdio à empresa patrocinadora responsável pelo crime ambiental em Brumadinho e em solidariedade a todas as vítimas dessa atrocidade. É informado que as obras estarão fora da exposição, em cartaz até 17 de março, assim como a itinerância por outras unidades culturais da Vale.

ALMG

Os deputados estaduais que tomam posse amanhã (1) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) já vão iniciar o mandato pressionados a dar uma solução para a questão da mineração no estado. Organizações e lideranças ligadas à área ambiental convocaram uma mobilização na Praça da Assembleia no horário em que os parlamentares vão assumir os cargos para pedir, entre outras medidas, a aprovação de lei que torne mais rígida a concessão de licenciamento para barragens em Minas Gerais. A solenidade de posse começa oficialmente às 14h. A convocação é de diversas associações, entidades ligadas ao meio ambiente, à igreja e aos movimentos sociais. As informações são do jornal O Tempo, Hoje em Dia, O Globo e do Sindicato dos Servidores de Justiça de Primeira Instância de Minas Gerais.


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